Roberto (meu pai): Andreza o que significa isso?
Andreza: um diário pai, respondo engolindo um pouco de saliva.
Roberto: Não seja engraçadinha menina, eu sei que é um diário, estou me referindo à tudo que está escrito aqui, essas cartas.
Liguei para sua tia e comprei suas passagens, amanhã cedo você viajará no primeiro avião para Portugual, não vou deixar nenhum menino destruir à honra de uma filha minha, quero você longe amanhã cedo. Suba e ajude sua mãe arrumar as malas antes que eu lhe dê uma surra por ficar se agarrando embaixo da escada com esse garoto sem futuro, você é minha única filha e minha maior vergonha.
Andreza: Mais papai
Roberto: Cale à boca e suba agora, antes que eu perca à paciência, vá ajudar sua mãe
Andreza: Minha cabeça rodava enquanto meu pai falava, me sentia tonta, sem ar, o chão parecia está rodando, ele iria me tirar de casa à força sem me despedir de ninguém, não pude argumentar ou seria pior.
E o Guilherme, o que aconteceria com ele, será que entenderia à minha partida, claro que não mais precisava avisar que daria um jeito de voltar.
Subi as escadas e minha mãe estava fazendo as malas, não me disse uma palavra, lá casa apenas meu pai tinha voz.
Senti raiva mais o que eu com onze anos poderia fazer?
pensei em fugir mais não seria uma boa, apenas chorei.
minha mãe fez as malas, saiu do quarto e trancou à porta com chave por fora.
eu só chorava, lembrei da Vânia, do bilhete.
peguei um papel e escrevi
" Amiga, meus pais descobriram tudo sobre Guilherme e eu, minha mãe fez minhas malas e amanhã estarei no primeiro avião para Portugal. xx- xxx- xxxx8900 é o contato da casa da minha tia, guarda com você, eu vou dar um jeito de me comunicar.
Diz para o Guilherme que eu o amo e vou voltar.
também te amo muito tá e obrigada por tudo, sentirei saudades, até breve".
Por mais que me esforçasse, não conseguia parar de chorar e acabei adormecendo.
acordei assustada com o barulho das chaves abrindo à porta.
Ana: Vá se arrumar menina, seu pai está aguardando, você tem vinte minutos para se aprontar.
Andreza: Minha mãe era fria, não demonstrou nenhum sentimento, eu tomei um banho rápido, escovei os dentes e coloquei à roupa que minha mãe tinha deixado sobre à poltrona na noite anterior, desci as escadas chorando e meu pai já estava na sala aguardando.
papai
Roberto: Não quero argumentos Andreza, entre no carro ou iremos perder à hora. estou indo com você, farei sua matrícula e retornarei para casa. Você agora irá morar com sua tia e fim de conversa.
Andreza: estava sem forças para questionar, entrei naquele avião pensando, minha mãe não me deu um abraço, meu pai seco como sempre, pensei na Vânia em como éramos próximas e agora, à lágrima voltou à rolar dos meus olhos, pensei no Guilherme e por horas me faltavam até o ar.
Chegamos em Portugal, minha tia era amável, simpática, me abraçou tão forte e eu só fazia chorar
Maria (minha tia): Vem cá meu amor, não chora! você terá outros amores, isso vai passar.
Seu pai lhe matriculou na melhor escola aqui em Portugal, eu não tive filhos e estou feliz em ter você aqui.
Você pode ligar para eles sempre que quiser.
Tem um computador no escritório, vou lhe matricular em um curso de informática e você poderá usá-lo tb.
venha conhecer seu quarto.
Vânia: Guilherme, me ajuda! Tem um papel ali embaixo da roseira, pegue.
Guilherme: está louca menina, é à casa da Andreza, pq não chama e entra para pegar.
Vânia: Não podemos, aconteceu alguma coisa grave, ontem à mãe dela praticamente me expulsou, ela disse que deixaria o papel caso algo desse errado e aí está embaixo da roseira
Guilherme: Será que descobriram, vamos pegar.
Vânia: graças à Deus conseguimos
Guilherme: Vai logo, o que ela disse aí?
Vânia: vamos ver
" Amiga, meus pais descobriram tudo sobre Guilherme e eu, minha mãe fez minhas malas e amanhã estarei no primeiro avião para Portugal. xx- xxx- xxxx8900 é o contato da casa da minha tia, guarda com você, eu vou dar um jeito de me comunicar.
Diz para o Guilherme que eu o amo e vou voltar.
também te amo muito tá e obrigada por tudo, sentirei saudades, até breve".
Vânia terminou de ler enquanto Guilherme ouvia calado com os olhos cheios de lágrimas.
Vânia: levaram minha amiga Guilherme e agora o que podemos fazer?
Guilherme: Meu mundo caiu quando Vânia começou à ler aquela carta, era como se estivesse abrindo meu peito, fui para casa sem responder à Vânia e só sabia chorar.
os meses foram passando e à saudade so aumentava.
Não tinha notícias, até que no Natal tomei coragem e perguntei à seu pai.
Oi seu Roberto, como Andreza está, ela não vem para o Natal?
Roberto: a raiva me consumiu além daquele garoto quase desonrar minha filha ainda tinha petulância de pedir explicações.
rapaz, minha filha saiu escondido daqui por sua causa, disse que você à estava perseguindo e não queria nenhum contato com você.
Pedimos para retornar no Natal e ela não aceitou, falou que está melhor lá, que fez novas amizades e não pisa mais nesse lugar.
Guilherme: Ouvi o seu Roberto sem dizer uma palavra, será que Andreza já havia me esquecido?
será que não quis voltar?
eu à amava tanto.
Andreza: meu quarto era lindo, digno de uma princesa, minha tia era amável, os dias ali eram felizes mais no fundo eu sentia falta da Vânia, do Guilherme e apesar de tudo, sentia falta dos meus pais.
tia hoje é Natal, gostaria de ligar para uma amiga você deixa.
Maria: Claro minha querida vamos lá ligar.
Andreza: alô Vânia
Vânia: amiga que saudades, como você está?
Andreza: Estou bem, tenho uma boa escola aqui, sinto muito sua falta e... fiz uma pausa, minha tia estava ali e não poderia perguntar do Guilherme.
Vânia: Tem alguém aí né, já entendi. Ele está bem amiga, triste, chora sempre e disse que vai esperar você.
Andreza: Amiga tenho que desligar, eu vou lhe enviar e-mail essa semana. também te amo muito, beijos.
desliguei chorando.
Os anos foram passando e quase sempre meus pais ligavam e eu não queria conversar.
trocava e-mails constantes com à Vânia mais decidi não falar com o Guilherme, não achava justo ele me aguardar esse tempo todo. Vânia sempre me dava notícias e enviava fotos.
Ele estava mudado, tinha barba, estava lindo. As meninas deviam atacar ele aqueles olhos verdes, cabelos loiros bagunçados, quem resistiria?
fiquei ali de frente para o computador olhando aquela foto, como meus pais tiveram coragem de nós separar, haviam se passado sete anos e meu amor por ele só aumentava.
Eu estava no segundo ano de medicina, não saia muito de casa, nem tinha feito muitos amigos.
minha tia até brigava mais o que me alegrava era falar com à Vânia e receber notícias do Guilherme.