Guilherme Müller
Já é de manhã, me levanto, resolvo o que tem de resolver, mesmo sendo domingo não tenho paz, e algumas vezes me pego pensando naquela mulher, mais logo me digo pra sair do mundo da lua. Pego meu celular e que p***a, o universo só pode estar de brincadeira com a minha cara, penso isso quando do nada estou vendo minha rede social e ela me aparece como “sugestão de amizade”, — Katharina Parker. – digo sem querer em voz alta não percebendo que mamãe estava na porta do escritório que tenho em casa.
— Quem é Katharina Parker meu filho ?. – ela pergunta cheia de curiosidade.
— Ninguém mãe. – digo encerrando o assunto pra não prolongar a conversa.
— Bom não importa, vamos se arrume, vamos sair pra almoçar com sua prima e sua tia. – ela diz como se mandasse em mim, mas obedeço pra não gerar confusão.
Chegamos na casa da tia Helena, ela nos recebe com um abraço, logo minha prima também vem correndo nos receber. Almoçamos e sentamos na sala pra conversar, quando mamãe sem escrúpulos algum comenta: — Andreza minha querida, conhece alguma Katharina Parker ?. Mais que p***a mamãe, você enlouqueceu, penso comigo.
— Claro tia, uma das melhores alunas da minha sala, se formou junto comigo ontem, ela é tão boa que já saiu da faculdade com emprego garantido, os professores sempre a elogiavam por sua dedicação. Mais porque a pergunta tia ?. – agora vem a merda toda, meu Deus, minha mãe vai me matar um dia.
— Nada não querida, só ouvi falar nesse nome e pensei se você a conhecia, deixa pra lá. – ufa achei que mamãe ia me tirar do sério em pleno domingo.
— Entendi, a propósito tia, essa pergunta foi porque ontem o Gui não tirou os olhos de Katharina?! Porque acredito que todo mundo deva ter percebido o jeito que os dois se entreolhavam. – diz em tom sarcástico, que diabinha.
— Então o nome da moça que ele não tirou os olhos é Katharina?! Ora, ora Guilherme, agora entendi tudo. – diz rindo e me olhando, esse olhar me assusta.
...
DUAS SEMANAS APÓS
Hoje faz duas semanas desde a formatura da minha prima, e aquela mulher ainda invade meus pensamentos de repente, andei pesquisando sobre ela, e consegui algumas informações, a primeira delas é que já foi casada, terminou há uns dois anos atrás, foi uma aluna exemplar e com isso já saiu da faculdade empregada num hospital de grande renome aqui da cidade, é tudo que sei, mais não me aprofundo pois preciso tirar a imagem dela da minha cabeça. Eu sou um homem muito centrado, desde que papai morreu, há uns quatro anos, minha vida virou do avesso do dia pra noite, isso me fez mudar completamente, fazendo rever minhas prioridades, por isso não me envolvo com ninguém, algumas transas casuais, nada sério. Porém agora mamãe está me pressionando muito com essa história de casar, e realmente eu não quero isso agora.
“m*l eu sabia que isso iria mudar em pouco tempo”.
...
Acordo no domingo com meu celular tocando sem parar, vejo que não é conhecido e logo atendo pois no mesmo instante tenho um m*l pressentimento.
*Ligação on*
— Alô, com quem falo? – digo já impaciente.
— Olá bom dia, aqui é do Hospital Someholder Clinic, estamos entrando em contato pois, Angelina Müller deu entrada com um quadro de enfarto e como ela se encontra inconsciente, precisamos que um responsável por ela esteja aqui.
*Ligação off*
Eu nem respondo, levanto correndo e sigo direto para o hospital, eu estou tão nervoso que começo a chorar pensando no pior, fui criado em um lar cheio de amor e carinho, meus pais nunca foram ausentes, quando meu pai morreu eu tive que ser forte por minha mãe. Quando vejo já cheguei no hospital, entrei e logo o médico veio falar comigo a respeito do quadro em que minha mãe se encontrava.
— Senhor Müller, prazer sou o Dr. Benjamin Carter, sua mãe deu entrada com quadro de enfarto, no momento ela se encontra estável, a enfermeira está monitorando e aplicando os medicamentos, agora é só aguarda ela voltar.
— Eu posso vê-la ? – digo cabisbaixo.
— Claro, me acompanhe.
Quando entro logo vejo minha mãe deitada, dormindo como um anjo, e m*l reparei na enfermeira que estava lá dentro de tão aflito que estava. Foi quando a enfermeira chegou perto e me chamou com uma voz que não me parecia estranha, me dizendo para me afastar só um pouco que ela iria administrar o último medicamento. Quando levanto meu olhar, meu coração acelera de uma forma descompensada, vestida de uniforme, toda profissional, meu Deus, que mulher. Me afasto dando passagem sem tirar os olhos dela.