Katharina Parker
Faz duas semanas desde a formatura, estou trabalhando demais, e não reclamo porque amo o que faço, não me vejo fazendo algo diferente, lutei muito pra estar aqui, então nunca faço corpo mole. Levanto e já recebo a ligação do meu superior de que precisaria fazer plantão amanhã (domingo). Resolvo só dar uma passada na casa dos meus pais pra ver como eles estão. Minha mãe como sempre reclama do meu pai, meu irmão me enche a paciência como de costume, e logo volto pra casa pra descansar e amanhã poder começar o meu plantão.
Tudo estava indo bem, até uma senhora dar entrada com começo de enfarto, o Dr. Carter logo fez os primeiros procedimentos, e estabilizamos seu estado, foi um susto e por pouco não perdemos ela.
— Senhorita Parker, aqui está os papéis com tudo que deve ser administrado na paciente. – diz Dr. Carter me entregando os papéis.
— Ok Dr. Carter, qualquer coisa só me chamar. – digo me afastando e indo para sala da Senhora Angelina.
Começo a administração dos medicamentos, quando estou no último vejo que alguém entra, mas não me importo e me concentro em preparar a última medição. Quando me viro indo em direção a paciente, vejo um homem sentado, aparentemente abatido, não vejo o rosto, e assim comunico:
— Bom dia, o Senhor poderia se afastar um momento para que eu possa fazer a última medicação da Senhora Angelina? Sou a enfermeira Katharina e estarei a disposição logo após pra qualquer dúvida. – digo isto e quando aquele homem se vira para mim, minha alma praticamente sai do meu corpo e volta, eu achei que nunca mais o veria, o destino está me pregando uma peça.
Mais que homem, meu Deus, ele se afasta me dando passagem, sem tirar os olhos de mim, o que me deixa completamente sem jeito, faço o meu trabalho e saiu rapidamente beber uma água para me situar, porque só a presença dele me desestabiliza, e eu nem o conheço, aí meu Deus o que tá acontecendo comigo, eu disse que jamais iria sentir nada por ninguém depois do que houve com aquele traste do Cristian, ele me deixou em pedacinhos. Rapidamente me situo e volto pro trabalho.
Quando meu plantão finaliza, me arrumo pra ir embora, é quando escuto alguém me chamar pelo nome.
— Katharina, espere!.
Me viro e é ele, o que esse homem quer, será se aconteceu alguma coisa com a senhora que ele estava acompanhando, penso comigo, e indo de encontro até o mesmo.
— Queria te agradecer, minha mãe é tudo que tenho, e graças a você e todos os profissionais ela está viva. – ele diz com um olhar meio triste.
— Não precisa me agradecer, fizemos nosso trabalho, fico feliz que a Senhora Angelina tenha passado por esse momento e permanecido forte, o crédito é todo dela. – digo já saindo e já desligando o alarme do meu carro para eu entrar e ir embora, quando do nada ele me pega pelo braço e me dá um beijo, um beijo intenso, com desejo mais delicado, meu coração acelera, e juro não queria me afastar, mais volto em si e me afasto dizendo:
— Você está louco ? Você só pode estar, vou relevar porque sei que está passando por um momento difícil, mais não ouse a chegar perto de mim novamente. – digo desesperada querendo na verdade que ele me beijasse novamente, que beijo foi esse. Entro no meu carro e arranco com ele do estacionamento, e só vejo Guilherme pelo retrovisor, com uma cara de quem não sabe pra onde ir e o que fazer.