Capítulo 2

1662 Words
  Ponto de vista de Elena   O olhar dele fixou-se em mim, sem hesitação. Encontrar aquele olhar foi como levar um choque—algo intenso, instintivo, quase como se me desafiasse com sua ferocidade. De repente, senti-me completamente exposta, como se apenas aquele olhar pudesse arrancar todas as camadas que cuidadosamente coloquei ao meu redor.   E, ainda assim, eu não conseguia desviar. Não queria.   Nossos olhares se cruzaram em uma batalha silenciosa, e o mundo fora das paredes espelhadas do elevador perdeu qualquer importância. Enquanto seus olhos percorriam devagar meu rosto marcado pelas lágrimas, o vestido amassado, senti o calor subir pelas minhas veias, e meu coração martelava dentro do peito.   Uma parte traiçoeira de mim—um instinto bruto e animal que eu nem sabia que possuía—clamava para que eu me jogasse nos braços dele, implorando para ele terminar com seus lábios o que tinha começado com aqueles olhos devastadores.   Esse pensamento me trouxe de volta à realidade como água gelada caindo sobre mim.   Que diabos você tá fazendo, Elena?   Me repreendi mentalmente, duramente. Esse homem era Eric Thompson. Bilionário Alfa. O lobo mais poderoso da Costa Leste.   E—o golpe mais c***l de todos—o futuro cunhado de Mark!   Gente do nível deles nunca olha duas vezes para mulheres como eu—não por algo real, pelo menos. Mark me ensinou essa lição da forma mais brutal possível. Eu não iria—não podia—ser tão tola outra vez.   Me levantei às pressas, limpando as lágrimas com as costas da mão. Apertei a bolsa contra o peito como se fosse um escudo, querendo desaparecer dali o mais rápido possível.   Me preparei para desviar dele, em direção às portas abertas e à tão desejada liberdade.   Ele não se mexeu.   Um muro de músculos e poder em um terno impecável, ele permaneceu firme na entrada, com os ombros largos praticamente preenchendo todo o espaço. Uma sobrancelha se ergueu um pouco.   "Você não pode sair desse jeito." A voz dele era gelada enquanto me encarava, os olhos penetrantes percorrendo meu corpo como se fossem uma marca queimada a ferro.   "De que jeito?" Retruquei, seguindo o olhar dele para baixo.   E, então, eu vi.   Minha respiração vacilou ao perceber—a parte da frente do meu vestido estava rasgada, expondo muito mais do que deveria. O calor tomou conta das minhas bochechas. Os seguranças. A luta. Eles devem ter rasgado durante aquele arrastão brutal até o elevador. Com mãos trêmulas, tentei juntar o tecido rasgado, pressionando-o contra meu peito com uma das mãos.   Mas por que ele soava tão... possessivo em relação a isso? Como se eu pertencesse a ele? Não me lembrava de já ter estado tão próxima dele antes, nem de ter trocado sequer uma palavra. Engoli a vergonha e levantei o queixo em desafio.   "O que eu visto é escolha minha," declarei, firme, enquanto tentava novamente passar por ele.   O braço dele disparou, envolvendo minha cintura, e ele me puxou de volta contra si com uma facilidade assustadora.   Eu não podia tolerar isso—esse preconceito casual de achar que tinha algum direito sobre meu corpo. Empurrei o peito dele, lutando para me soltar. Mas, no momento em que minhas mãos tocaram o calor que emanava daquele terno impecável, um desejo bruto e incontrolável percorreu minhas mãos, indo direto para meu íntimo. Tremi. Nossos olhares se cruzaram, e vi os dele escurecerem, a tempestade se formando neles com algo que parecia perigoso.   "Nem pense nisso," ele rosnou, cada palavra transbordando de desprezo arrogante. "Eu não vou permitir que ninguém apareça no casamento da minha irmã desse jeito, tão indecente, tão vergonhoso."   Aquilo foi o suficiente. Aquele tom presunçoso e moralista despertou algo feroz dentro de mim.   Deixei a bolsa cair no chão com um som satisfeito. Antes que pudesse pensar, antes que qualquer senso de razão pudesse me impedir, agarrei a parte rasgada do vestido e puxei.   O som do tecido rasgando ecoou no silêncio carregado. O que restou foi um microvestido justo, sem mangas, que m*l passava das minhas coxas.   "E agora, está satisfeito?!" Cuspi, meu peito subindo e descendo enquanto o olhava com olhos em chamas.   Ele ficou completamente imóvel.   Então, um som baixo—quase um rosnado—escapou dele. Em um movimento ágil, ele me agarrou e me pressionou contra a parede, o corpo dele perigosamente próximo do meu. O cheiro terrestre dele me cercando, invadindo meus sentidos, enquanto meu coração disparava e minhas pernas ameaçavam ceder.   "Que jogo é esse que você está tentando jogar?" Ele rosnou próximo ao meu pescoço, o hálito quente contra minha pele, os olhos mais escuros, quase predatórios. "Quer atrair homens para o quê? É isso?"   "Que tipo de besteira você está falando?" Gritei de volta, empurrando com força o peito dele. "Estou presa num elevador com o vestido rasgado—o que exatamente você queria que eu fizesse? O que VOCÊ teria feito?"   A mandíbula dele endureceu. Não disse nada.   Sem uma palavra, ele arrancou o próprio casaco e o colocou sobre meus ombros. Antes que eu pudesse processar o que tinha acabado de acontecer, ele apertou o botão. As portas se abriram, e ele saiu com passos firmes, me deixando para trás, parada, envolta no tecido que ainda carregava o cheiro dele.   Saí do elevador usando o casaco enquanto as portas se fechavam friamente atrás de mim.   A humilhação queimava dentro de mim como fogo selvagem, as acusações dele ecoando na minha mente—palavras cruéis e cortantes insinuando que eu não passava de uma mulher vulgar, exibindo-me para receber atenção masculina. Donde subia garganta acima.   E, mesmo assim—   Envolvi o casaco em torno de mim com mais força. Aquele cheiro selvagem e masculino parecia se enroscar ao meu redor, entranhando-se na minha pele, tirando a força das minhas pernas e despertando algo que eu me esforçava tanto para reprimir, algo que me recusava a admitir.   Eu odiava isso. Odiava como meu corpo reagia desse jeito. E, pior ainda, odiava que fosse ELE—de todas as pessoas.   Eric Thompson—irmão da mulher que tinha roubado o Mark de mim. O último homem no planeta por quem eu deveria sentir QUALQUER coisa.   "Vejam só quem apareceu. Desenterrada por um gato talvez?"   A voz carregada de deboche congelou meus movimentos enquanto eu caminhava rapidamente em direção à saída, desesperada para escapar daquele pesadelo. Olhei para cima.   Selene. A irmã do Mark.   Continuei andando. Não tinha energia para lidar com os joguinhos dela.   Mas ela passou à minha frente, bloqueando meu caminho.   "O que está fazendo aqui, Elena?" O tom dela transbordava desprezo. "Querendo fisgar o meu irmão de novo, é?"   Antes que eu pudesse responder, duas amigas dela chegaram e se colocaram ao lado, me olhando com puro nojo escancarado, os rostos contorcidos em zombaria.   "Fisgar seu irmão de novo?" Soltei uma risada curta e seca. "Ah, me poupe. Nem com uma vara de dez metros eu encostaria naquele interesseiro e falso."   "Olha só quem tá falando!" A voz de Selene subiu um tom e, imediatamente, as outras começaram a rir, rindo com uma obediência ridícula. "Se não quer nada com ele, então o que está fazendo aqui, hein? Chorando e implorando pra ele voltar? Não tem vergonha de aparecer desse jeito?"   "O que eu faço aqui não é da sua conta—nem da conta da cobra do seu irmão, Selene." Minha voz saiu carregada do mesmo veneno que ela soltava.   Os olhos dela escureceram. "Negue o quanto quiser, mas não vamos aceitar lixo como você aparecendo pra estragar o grande dia. Saia daqui."   "Ah, por favor." Cruzei os braços, permanecendo firme, sem me mover um centímetro. "O drama de quinta categoria da sua família não tem absolutamente nada a ver comigo. Eu joguei fora o seu irmão patético muito antes de isso tudo acontecer."   Minha firmeza só alimentou a raiva dela. Ela estalou os dedos, quase gritando, "Seguranças! Aqui! Tirem esse lixo da minha frente agora!"   Não me mexi.   Os dois seguranças se aproximaram—mas pararam bruscamente. Os olhos deles caíram no casaco que pendia dos meus ombros. E então, o cheiro. Aquele perfume selvagem, dominante. Um sinal claro, inconfundível, de um Alfa.   Eles hesitaram.   Selene seguiu o olhar deles. Quando registrou o casaco—e os feromônios dominantes que a envolviam—o rosto dela se torceu em uma máscara de reconhecimento e ódio.   "v***a," ela cuspiu, o veneno escorrendo da palavra em cada sílaba. "É só isso que você é, né? Sempre se entregando pra quem tem poder."   Algo dentro de mim se quebrou.   Minha mão se moveu antes que meu cérebro pudesse reagir.   O som seco do tapa ecoou pelo corredor enquanto minha palma atingia a bochecha dela com uma força sólida e satisfatória.   Ela arfou, levando a mão ao rosto, chocada demais para reagir.   "Senhorita Elena." Um dos seguranças falou, com a voz formal e com cuidado para não olhar diretamente nos meus olhos. "Por favor, deixe o local."   Eu já estava andando, minha coluna reta, o coração batendo tão alto que parecia preencher meus ouvidos. Não olhei para trás. Ninguém ousou me parar. Os seguranças mantinham distância, os olhares desviando nervosamente para o casaco ainda sobre os meus ombros.   ---   Do lado de fora, o tempo virou repentinamente e a chuva caiu pesada, sem piedade. Em segundos, eu estava encharcada, tremendo. O pânico apertou meu peito enquanto eu pensava no casaco. Eu não podia deixar que ele fosse arruinado. Corri para um canto escuro ao lado do prédio onde havia alguma proteção, encostei as costas na parede e rezei para que a chuva diminuísse.   Foi aí que senti.   Vozes baixas. Risadas ásperas. E passos pesados se aproximando cada vez mais.   Levantei os olhos, e meu estômago despencou.   Três homens saíram das sombras, os olhares deles rastejando sobre mim, devagar, deliberadamente.   "Meu Deus..." O sussurro escapou dos meus lábios, m*l audível sobre o som da chuva martelando. "Alguém—qualquer pessoa—por favor, me tire daqui."
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