đ O peso do silĂȘncio - 68 A noite em AmĂĄlia caiu como um manto de chumbo, pesada e fria, trazendo consigo o cheiro de geada e a certeza de que o tempo das palavras havia acabado. Na fazenda dos Moltin, a cozinha, que antes era um lugar de refĂșgio e calor, havia se transformado em um centro de comando improvisado. Mapas de pergaminho amarelado, desenhados sob a luz de velas que trepidavam com o vento que assobiava pelas frestas das janelas, cobriam a mesa de madeira rĂșstica. Antes que o plano pudesse ser selado, Max precisava da peça final do quebra-cabeça. No celeiro, longe dos ouvidos das crianças e das mulheres, os dois batedores capturados estavam amarrados aos postes que sustentavam a estrutura. O ambiente cheirava a feno seco e ao suor frio do medo. Henrique estava nas sombras, sua

