Narração da autora A madrugada tava fria, chuvosa. As ruas estavam desertas, só os carros passavam pelas poças e molhavam o homem que caminhava devagar e disposto a fazer o que tinha que ser feito. Pelo menos ele achava que precisava ser feito. André puxava a perna esquerda que ainda estava machucada, a ferida estava cada vez pior, infectada, fedia. Mas ele pouco se importava. Naquela noite ele só tinha uma missão e faria de tudo pra ganhar a confiança do chefe. Ele caminhava lentamente até parar em uma delegacia, olhando a fachada e entrando com dificuldade. A mulher do lado de dentro imediatamente reconheceu o foragido e se aproximou com pressa — mas André levantou as mãos em sinal de rendição. André: “Eu tô desarmado, só quero conversar. E algo do interesse de vocês.” A mulher não

