AMÉLIA
Se alguém me dissesse que um olhar de ódio poderia matar, acredite, eu levaria a sério.
Mas neste momento sob o olhar de Oliver, poderia jurar que a qualquer momento eu cairia morta, e não era só ele que me encarava assim.
- Senhorita Petrov. Mas que honra finalmente poder nos dar o prazer de sua presença - disse um puxa saco qualquer
- Minha cliente está reivindicando seu cargo por direito - Iuri disse caminhando até Vladimir com o testamento do meu pai e minha assinatura - Como registrado por Benjamin Petrov em seu testamento, o cargo da presidência foi deixado para sua única filha, Amélia Lucinda Petrov.
Tia Eleonor estava pálida, Edgar parecia que ia explodir a qualquer momento.
Vladimir abriu o testamento lentamente e o leu, os murmúrios continuavam aumentando, e Oliver me encarava com fúria.
- O que está registrado nesse documento já é de meu conhecimento senhor Ivanov - Vladimir me encarou - O que não estou entendendo, é que sua cliente deixou muito claro que não teria interesse neste cargo. Certo?
- Na verdade eu nunca disse isso. A verdade é que nunca tive a oportunidade de opinar em nada em...quanto tempo mesmo? - sorri para tia Eleonor, que me olhava ainda mais pálida ainda.
- Bom. Infelizmente senhorita Petrov, ter seu nome no testamento não garante a presidência - Iuri tinha razão, eles negariam, Mas a carta na manga daria conta, não é a toa que a chamam de plano B. - Assim como a senhorita o senhor Malcovich tem ações na corporação, e esteve presente no tempo em que a senhorita esteve...estudando. Ser herdeira ao cargo não será o suficiente para se tornar presidente da Diamond Petrov das Américas.
Oliver estufou o peito com satisfação e sorriu de lado para Iuri, cretino!
Mas eu estava preparada para isso desde o inicio.
- Tem toda razão. - Caminhei até ficar de frente a Vladimir Checov, entreguei a ele a pasta de anulação da posse do novo presidente, e me virei de frente para Oliver - Mas é o bastante para adiar a posse para daqui dez dias úteis correto?
Olhei para o conselho me fazendo de confusa. Poderiam não me apossar hoje, mas seriam obrigados a adiar a posse dele para uma nova votação.
- Diante dessas condições...não vejo outra saída que não seja adiar a posse senhor Malcovich para daqui dez dias úteis - Pisquei para tia Eleonor - Como sabemos, se o herdeiro reivindicar seu cargo por direito e houver outro candidato, uma votação tem que ser feita. Ambos candidatos tem que apresentar seu planejamento de liderança um dia antes da votação. Ficando assim, Oliver Malcovich e Amélia Petrov são os candidatos para a presidência. Oliver por pertencer a uma das famílias fundadoras e maioria de votos...e Amélia por direito de nascimento, por ser herdeira do cargo provado em testamento, e por pertencer a família fundadora original por sangue.
Sorri para Iuri que me abraçou, assim como os outros do conselho.
Após muitos abraços tanto falsos quanto verdadeiros, olhei na direção de Oliver, e Edgar e Vladimir estavam ao seu lado discutindo algo mas ele apenas olhava para o retrato do meu pai na parede, seu olhar estava longe...como se buscasse algo que o fizesse se agarrar, para se manter firme. Por um instante quis ir até ele e dizer que não era nada pessoal, apenas queria o que me foi roubado por tanto tempo, mas me pareceu tão egoísta.
A quem eu queria enganar, estava fazendo aquilo por que estava gostando de ver a expressão daquela que tanto me fez m*l. E ele apenas entrou no caminho e seria um dano colateral. Seu olhar se encontrou com o meu e poderia jurar que vi desespero, como que se tornar presidente era a única escolha que ele tinha para se salvar...ou salvar alguém.
- Era a minha chance de ir pra casa.
Pude ler claramente em seus lábios. Dei um passo em sua direção, mas alguém me segurou pelo braço.
- Está tudo bem com você? - Iuri me perguntou preocupado - O que houve? você esta pálida.
Meus olhos deslizaram novamente para a direção que eu encarava a minutos atrás, mas ele não estava mais lá.
- Estou bem...Estou ótima.
[...]
Após os acontecimentos que ocorreram na reunião geral, decidi que estava na hora de ir para a mansão.
No trajeto não conseguia tirar da mente a expressão de Oliver.
O fato de querer tanto se tornar presidente havia algum motivo maior? Iuri deixou muito claro que Oliver Malcovich jogava sujo, e talvez essa fosse a carta na manga dele...o beijo, as palavras ditas mais cedo, tudo para derrubar minhas defesas.
O Táxi parou em frente a um portão de grandes de ferro com interfone.
- Identifique-se por favor. - Eu Conhecia aquela voz, era Franklin.
- Sou eu Franklin...a senha é...torta de limão.
O portão se abriu lentamente dividindo o brasão da família, a minha frente a poucos metros um homem já de cabelos grisalhos me olhava como se eu não passasse de um fantasma.
- Menina Amélia. Bem vinda ao lar.
- Obrigada - Eu o abracei bem forte e percebi que os olhos dele estavam cheios de lágrimas, sim Franklin eu também senti muita saudade.
Era como estar de volta a um lugar de origem, era como estar de volta ao meu lar.
Recebida por pessoas que eu amava e respeitava.