Capítulo 71

1011 Words
Lorel estava impaciente. Já fazia vários dias que investigava Nerone e nada. Era como se a vida do garoto antes de cinco anos atrás fosse um verdadeiro mistério, e ele sabia que não era. Tinha visto o que a Fênix e Dom Aurélio haviam feito para se vingar, e o fato de não saber das coisas ponto por ponto o deixava frustrado. O pior era que, mesmo se perguntasse à Fênix, não lhe diriam. Eles levavam a sério demais a questão da confidencialidade, então estava fora de questão pedir ajuda a eles. O olhar de Lorel se volta para Tess à sua frente. Sua vontade era esganar a pequena encrenqueira pelo que tinha feito, mas não ousaria tocar em alguém em quem o filho do Cobra colocou os olhos, e aquilo era a única coisa que a salvava da sua ira. — Acho que você não tem noção do problema que me arrumou, Tess. — diz ele, servindo-se de um copo de uísque. — Não fiz nada de m*l, só queria cumprimentar o Nerone. — diz, dando de ombros na maior cara de p*u. Os olhos de Lorel se voltam para Kalil, que observava em silêncio. — Você dizer isso é a prova de que fez. Tem noção do quanto foi difícil conseguir um convite para aquele evento? E você vai lá e quase acaba com o noivado do garoto! — diz, dando um forte tapa na mesa. Tess dá um pequeno pulo de susto. Lorel nunca tinha falado com ela daquele jeito, muito menos ficado tão nervoso com algo que ela fizesse. Normalmente, quando ela aprontava, ele apenas a repreendia de forma leve e deixava para lá, mas, desde que o assunto tinha passado a ser Nerone, seu chefe andava se comportando de forma anormal, e ela não era a única que tinha percebido aquilo. — Você devia ter ficado de olho nela, Kalil. Não cumpriu com a sua obrigação. — Me desculpe, tio. Enquanto eu pegava o presente no carro, ela saiu sem mim. Quando vi, tudo já tinha acontecido. — diz ele com a cabeça baixa. Kalil sentia tanta vergonha do que tinha acontecido que se recusava a encarar o tio. Mas ele acertaria as contas com Tess, disso não tinha a menor dúvida. Ela pagaria por aquele caos que tinha causado. — E eu confiei que você se comportaria, Tess! E você me envergonha! Tess se encolhe novamente diante do olhar sombrio de Lorel. — Lorel, eu... — A única coisa que me impede de te estrangular neste momento é essa maldita carta do filho do Cobra! — diz ele, jogando um envelope sobre a mesa. Tess fica curiosa e pega o envelope. Quando lê o que estava escrito, seus olhos quase saltam da cara. Félix só podia estar louco. — Aquele i****a! — diz, levantando-se rapidamente enquanto apertava a carta nas mãos. — Agora é i****a? Mas, quando você passou a noite com ele, não disse isso. — solta Kalil, fuzilando-a com o olhar. — Cala a boca, Kalil! Isso não é da sua conta! — Me lembrar disso só me faz pensar na vergonha que passamos. — diz Lorel, com a mão no rosto, tentando se controlar. Ele tinha se tornado motivo de piada pelo que Tess havia feito, e agora estava em uma situação complicada. — Eu vou consertar isso, Lorel, eu... — Você vai mesmo, Tess. — diz ele, dando um passo em direção a ela. Tess engole em seco ao ver a forma como Lorel a encarava. Aquilo não podia ser bom, nunca era. Ela já tinha visto aqueles olhos muitas vezes, e nunca terminava em algo bom, mas agora o alvo era ela, o que só piorava as coisas. — Arrume suas coisas, Tess. Você vai deixar esta casa ainda hoje. Aquelas palavras caem como uma bomba nos ouvidos de Tess. Ela dá um pulo da cadeira, derrubando-a no chão, o peito arfando com o que tinha ouvido. — O quê!? — Foi isso mesmo que você ouviu. Não me faça repetir. — diz de forma sombria. — Tio, não pode dar mais uma chance a ela. A Tess... — Fique fora disso, Kalil. Não estou falando com você. — diz Lorel, fuzilando-o com o olhar. — Não pode me expulsar! Eu faço parte desta família! — diz de forma desesperada. — Quando eu disse que estaria te expulsando daqui? — pergunta Lorel. Tess o encara confusa. Ela tinha ouvido muito bem as palavras que saíram da boca dele, não estava enganada. — Mas você disse... — Que era para fazer as malas e deixar a casa. — diz ele com mais calma. — Você vai se mudar para a mansão do Cobra. Félix vai passar um tempo com você. Tess cambaleia para trás sem acreditar no que estava ouvindo. Aquilo só podia ser uma piada, não podia ser real. — Não! Não, não, não! — diz em desespero. — Chefe, não pode fazer isso. Lorel olha para a mulher à sua frente sem nenhuma expressão. Ele não podia fazer nada. Félix já a tinha escolhido, e ele não tinha força o suficiente para protegê-la. Ela precisava ir. — Ele te escolheu, Tess. Não posso impedir que ele te leve. — diz ele com a voz mais calma. Lorel podia ver o desespero nos olhos de Tess, e aquilo o quebrava. Ela fazia parte de sua família e, por mais zangado que estivesse com ela, não desejava o seu m*l. Naquele momento, ele se sentia impotente diante daquela situação. — Não vou! — diz ela, batendo o pé. — Você não tem escolha. O helicóptero dele já deve estar chegando, melhor arrumar as suas coisas. — insiste Lorel. Kalil olha para Tess com pesar. Ele gostava dela, bem mais do que como apenas um amigo, mas, depois daquelas palavras de Lorel, sabia que Tess estava fora de seu alcance. Só lhe restava se conformar e torcer para que Félix cuidasse dela. — Venha, Tess, vou te ajudar. — diz Kalil, pegando na mão dela e a arrastando para fora do escritório.
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