Capítulo 12

1035 Words
Amália estava no quarto. Os seus dedos deslizavam pelo tecido macio do vestido de noivado enquanto o nome de uma marca famosa reluzia na etiqueta. Aquele vestido havia sido caro, muito mais do que ela imaginara que o noivo gastaria. No fundo, porém, Amália não se surpreendia. O seu noivo era rico — muito rico — e dinheiro nunca fora um problema para ele. — Você deveria estar animada hoje, não com esse rostinho triste — disse Oksana ao entrar no quarto onde Amália estava. — Não tenho nada para comemorar, Oksana. Então a felicidade é algo relativo para mim — respondeu, virando-se para a russa. Oksana observou Amália com pesar. Ela conseguia ver as engrenagens da mente da menina girando na direção errada, e aquilo não lhe agradava. — Não pense assim. Você sabe que Ricardo jamais teria feito esse acordo se duvidasse de que você seria feliz com esse homem. Oksana não revelaria nada antes da hora, mas desejava tranquilizar Amália. Aquele seria o dia em que tudo se revelaria. — Eu sei — respondeu ela, com um suspiro. Amália não podia reclamar. Nos anos que haviam se passado, o noivo lhe dera todo o espaço de que precisava. Nunca a prendia, sempre lhe concedia liberdade — isso desde que os seus seguranças estivessem por perto, algo a que ela se acostumara com o tempo. Aproveitara bem aqueles anos de liberdade e, ao pensar no que Oksana dissera, sentiu-se ingrata naquele momento. — Querendo fugir do casamento antes mesmo de entrar na igreja? — perguntou Mel, com um sorriso no rosto, ao entrar no quarto. — Talvez — respondeu Amália, brincando. — Então vai perder aquele gato do seu noivo — disse Mel, abanando-se teatralmente. — Pense em um homem sexy, Amália. As palavras de Mel despertaram a curiosidade de Amália. Os seus olhos brilharam. — Você o conhece? — Todos o conhecem por aqui, até mesmo você — respondeu Mel. Ela sabia que não podia revelar demais, então aquilo era tudo o que Amália saberia por enquanto. — Me diga quem é ele — pediu Amália, com os olhos brilhando de esperança. — Você vai descobrir daqui a algumas horas — disse Mel, piscando. — Isso não tem graça — retrucou Amália, fazendo um bico. — Tem, sim. Você é que não acha. Mas apenas espere; tenho certeza de que vai gostar dele — respondeu Mel, rindo. — Você é impossível — disse Amália. — Já posso ver Dom Xavier enfartando — comentou Oksana, rindo ao imaginar a reação dele às conversas da esposa. Mel apenas riu. Ela e Xavier tinham um relacionamento único e se respeitavam acima de tudo — e essa era a base da relação deles. — Esse vestido é lindo, querida — disse a mãe de Amália ao entrar no quarto. — o seu noivo não poupou despesas. — Ele deve estar tentando me comprar — respondeu Amália, distraída, passando a mão pelo vestido à sua frente. — Acho que não. Se ele realmente quisesse comprá-la, teria revelado quem era desde o começo, para que você soubesse o tamanho do poder que ele tem. Mas não fez isso. Sempre permaneceu nas sombras, permitindo que você vivesse a sua vida normalmente. Oksana não conseguiu se conter diante das palavras de Amália. Não podia permitir que a jovem tirasse conclusões erradas sobre o seu cunhado, que, apesar do humor peculiar, ela sabia ser uma das pessoas mais doces que conhecia. — Não quis deixá-la chateada, Oksana — respondeu Amália ao perceber a reação da russa. — Não estou chateada. Mas acho que você deveria conhecer melhor as pessoas antes de tirar conclusões precipitadas — disse ela, levantando-se e saindo do quarto. Amália observou Oksana se afastar, sem entender o que havia acontecido. A saída abrupta da russa a deixara surpresa. — Eu disse algo errado? — perguntou à mãe e a Mel. — Não, Amália. Mas Oksana está certa. Conheça o seu noivo primeiro. Tenho certeza de que vocês vão se entender — disse Mel, piscando para ela antes de sair. — Eu exagerei, mamãe? — perguntou Amália, com os olhos preocupados. — Seu comportamento é natural, querida. Mas, enquanto você continuar pensando dessa forma, o seu casamento estará em risco — disse a mãe, tocando o rosto da filha. — Dê uma chance a ele. Não jogue a sua felicidade fora por um preconceito bobo. Os olhos de Amália encontraram os da mãe, e tudo o que ela via era a tranquilidade que brilhava neles. Sua mãe não estava preocupada, o que significava que confiava na pessoa que havia sido escolhida para ela. Amália suspirou. Mesmo ainda reticente, cederia daquela vez. Não podia julgar alguém que ainda não conhecia. — Vou tentar, mãe — disse por fim. — Ótimo, querida. Quero que você seja feliz — respondeu ela, animada. — Hora de arrumar a noiva! — anunciou Alícia, entrando no quarto com várias pessoas e um largo sorriso no rosto. — O que é tudo isso? — perguntou Amália ao ver o grupo atrás dela. — Maquiadores, manicure, essas coisas. Hoje você precisa estar perfeita, e me encarregaram de supervisionar tudo — respondeu Alícia, animada. — Não está exagerando? É apenas um noivado — perguntou Amália, arqueando a sobrancelha. — Nem um pouco. Haverá várias pessoas de outras organizações neste evento. O seu noivo é alguém muito cobiçado, meu amor, e esta cerimônia servirá para deixar bem claro que ele não está mais disponível. Amália nunca havia pensado nisso. Sabia que o seu futuro marido era rico e importante, mas não imaginara que pudesse ser disputado por outras pessoas. Naquele momento, não sabia como reagir àquela informação. — Não faça essa cara. Aquele lá só tem olhos para você — disse Alícia, rindo ao ver a expressão dela. — Não é isso… — tentou se justificar. — Já entendi, Amália. Não precisa explicar. Agora fique quieta enquanto o pessoal a transforma na pessoa mais linda deste mundo — respondeu Alícia, animada. Amália desistiu de argumentar e permitiu que as pessoas que Alícia trouxera a arrumassem. O seu coração batia mais forte que um tambor em desfile, e a ansiedade corria por suas veias. Quem seria, afinal, seu misterioso noivo?
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