Quando Nerone chegou, todos estavam à mesa tomando café da manhã. Devido à sua brincadeira com Amália, ele teve que cancelar a sua missão, mas ao menos poderia marcar a data do casamento; então, na sua opinião, aquilo era lucro.
Todos observam enquanto ele entra de mãos dadas com Amália e caminha até a mesa. Nerone puxa uma cadeira para ela e se senta ao seu lado.
— O que foi? — pergunta ele, vendo que todos os observavam.
— Vocês ficam tão fofos juntos. — diz Alicia, animada.
— Meu cunhado é um lord, Alicia. — diz Oksana, sorrindo.
— Se saiu bem, irmão! — diz Félix, dando um joinha para ele na ponta da mesa.
— O que está fazendo aqui? — pergunta Nerone, surpreso com a sua presença.
— Seu chefe me convidou, e viemos — diz ele, sorrindo ao cutucar Tess ao lado dele.
Nerone segura o riso ao ver as marcas no corpo de Tess; ao que parecia, ela tinha encontrado o que procurava quando Félix a levou.
— E o padrinho?
— Voltou para casa, me pediu para representá-lo hoje.
Nerone arqueia a sobrancelha; talvez as ideias de Félix fossem demais para o seu casamento, mas ele não podia fazer nada.
— Para quando querem o casamento? — pergunta Ricardo, enquanto servia um pouco de suco a Estela.
— Para a próxima semana. — diz Nerone, fazendo Amália arregalar os olhos.
— Ficou louco! — diz ela, brava.
— Não, mas não tem como eu continuar indo e vindo como estou fazendo. Tenho negócios a cuidar, Amália. — diz ele, de forma sugestiva.
— Ele está certo, Amália, não temos mais motivos para enrolar esse casamento. — responde Ricardo.
Amália não queria que aquilo acontecesse tão rápido, mas ela tinha visto o quanto Nerone estava se desgastando nas suas idas e vindas até ela.
Por mais que Amália quisesse negar, eles estavam certos, e, quando procura os olhos da mãe, que estava à mesa, ela confirma a sua escolha: estaria bem ao lado dele.
— Tudo bem.
— Vou cuidar bem de você. — diz Nerone, apertando de leve a mão dela debaixo da mesa.
— Incentivo é o que não vai faltar. — diz Charles, rindo.
— Então vou marcar nossa viagem de caça para daqui a uns quinze dias. — diz Ricardo.
— Vocês caçam? — pergunta Félix, largando os talheres, com os olhos brilhando.
— É tradição da Fênix, rapaz. — diz Ricardo, piscando para ele.
— Me leva com vocês? Quero caçar também. — diz ele, animado.
Ricardo olha para Félix e então se volta para Aurélio, que cortava um pãozinho para Oksana.
— Tem certeza que seu pai não andou pulando a cerca mais vezes quando você era pequeno, Aurélio? — pergunta ele, com um sorriso de canto.
Aurélio bufa com a pergunta de Ricardo, os seus olhos pousando em Félix.
— Tenho certeza, esse daí não é do meu pai. — diz, apontando para Félix.
Félix olhava para Aurélio com profunda admiração. Ele era um fã dos métodos do italiano e esperava com animação o dia em que poderia aprender mais com ele.
— Mas podia me adotar como irmão. Adoraria aprender umas coisas com você. — diz Félix, com os olhos brilhando em animação.
— Quem sabe um dia, garoto. — diz Aurélio, com um sorriso de canto.
— Você está ficando mole, Aurélio. Se fosse em outras épocas, você já o teria arremessado pela janela. — diz Nico, segurando o riso.
— Vai se ferrar, Nico. — diz ele, mostrando o dedo do meio para ele.
— Bem, já que vocês marcaram o casamento, podemos marcar a despedida de solteiro. — diz Alicia, com os olhos brilhando em empolgação.
— Eu aprovo essa ideia, e já sei o que vamos fazer. — diz Síria, com um sorriso de canto.
— Esqueça, baixinha, não vai ver nenhum homem seminu. — diz Klaus, puxando a cadeira dela para mais perto da dele.
— Não se preocupe, Brandão, o único que gosto de ver sem nada é você. — responde ela, se inclinando e dando uma mordida no pescoço dele.
— Pequena... — ele a encara com os olhos nublados de desejo.
— Fala sério, vocês dois. — diz Nico, estremecendo em seu lugar. — Vou ficar traumatizado.
— Sabemos o quanto você é inocente, Nico. — diz Charles, rindo do amigo.
— Então a despedida de solteiro está confirmada? — pergunta Raira.
— Com certeza, desta vez vai ser épico. — diz Oksana, piscando para elas.
— Esqueça, loira, já vou deixar a ordem: não vai conseguir usar nenhum dos jatos dessa vez — diz ele com um sorriso de canto —, e digo nenhum mesmo.
— E quem disse que preciso de um jato? — pergunta ela, com um sorriso de canto.
— Eu não gosto dessa cara. — diz Charles.
— Controle a sua mulher, Aurélio, ou vamos descontar em você o que ela aprontar. — diz Nico, bravo.
Aurélio se volta para eles e ergue o dedo do meio.
— Vão se f***r! E por que eu tenho que pagar pelo que ela fizer?
— Ela é mulher, não vamos tocar nela, mas em você é outra história. — diz Xavier, que tinha permanecido em silêncio até aquele momento.
— Vai ser apenas um momento entre mulheres, querido. — diz Mel.
— Com você nunca é apenas um encontro, pimentinha. — responde ele, com um olhar sugestivo. Mel apenas ri das palavras do marido.
Amália observava a conversa com um sorriso no rosto. Ela podia ver a forma como aqueles homens eram possessivos; a proteção deles ia além do que ela considerava adequada, mas não podia negar que havia algo de muito atraente na forma como agiam. Ao se virar, ela encontra o olhar sério de Nerone sobre si.
— O que foi? — pergunta, sem entender.
Nerone se inclina para perto dela, até seus lábios tocarem sua orelha.
— Não vai gostar de saber o que vai te acontecer se colocar esses olhos em outro homem, Amália. — diz, deslizando a mão pela perna dela debaixo da mesa. — Não sou tão paciente quanto eles.
Amália se afasta e encontra o olhar dele. Parte dela queria desafiá-lo, mas a outra parte, mais lógica de seu cérebro, lhe dizia que não era uma boa ideia irritá-lo.