Nerone tinha os olhos escurecidos ao encerrar a ligação com Bernardo. Sentia uma veia saltar no seu pescoço — tamanha era a sua raiva naquele momento. Agora, ninguém poderia acusá-lo de ser c***l; não depois de tantas oportunidades que havia dado ao desgraçado que insistia em perseguir o que não lhe pertencia.
Ele não compreendia qual a dificuldade de Silas em seguir uma ordem básica, mas ele se arrependeria amargamente de o provocar daquela forma.
— Se acalme, ou vai enfartar — disse Calebe, observando a forma como o garoto lutava para se controlar.
— Eu vou matar aquele filho da p**a — disse ele, deixando as palavras passarem com dificuldade por entre os dentes.
Calebe se surpreendeu ao ouvir Nerone falar um palavrão. Ele sempre fora um garoto centrado e, mesmo diante de situações estressantes, controlava-se ao máximo. Aquilo era novidade — e uma novidade nada boa para quem o havia irritado.
— Melhor se acalmar, Nerone. Não podemos resolver nada de cabeça quente — disse Calebe.
Nerone não respondeu. Apenas pisou fundo no acelerador, disparando pelas ruas em direção à mansão. Assim que chegaram, saiu do carro batendo a porta com força e entrou sem dar explicações, subindo direto para o quarto.
— Onde é o incêndio? — perguntou Oksana.
— Problemas. Alguém está procurando a morte e acabou de encontrá-la — respondeu Calebe apontando para Nerone que já desaparecia escada a cima.
— Amália — disse Oksana, compreendendo imediatamente.
— Sim. Ele não disse o que houve, mas, para ele falar um palavrão, deve ser algo sério.
— Espera! Ele falou um palavrão? — perguntou ela, tão surpresa quanto Calebe estivera.
— Para a senhora entender o que houve.
Oksana se virou e correu para o quarto do cunhado. Nerone podia ser paciente, mas tudo tinha limites — e, ao que parecia, alguém havia ultrapassado o dele.
— Nerone, estou entrando — avisou Oksana, abrindo a porta.
Ela o encontrou jogando algumas roupas dentro de uma mala enquanto praguejava. Aproximou-se e o deteve.
— Ei, me diga o que houve — pediu, sentando-se na beirada da cama.
Nerone parou o que fazia e olhou fixamente para a cunhada. Ela não tinha culpa dos seus problemas e não merecia o seu mau humor. Respirou fundo, conteve-se e se sentou ao lado dela.
— Alguém… — começou ele, respirando fundo antes de voltar a praguejar — está mexendo com a Amália e acha que, porque eu não estou lá, vai sair ileso. Eu o quero morto.
O lado “bom” de fazer parte de uma família fora da lei era que Nerone não precisava medir palavras. Ninguém se importava — a vida deles girava em torno disso.
— Não acha que está agindo de forma precipitada? — perguntou Oksana.
— Está me dizendo para deixar o que ele fez para trás? — retrucou ele, levantando-se rapidamente, frustrado.
— Não. Estou dizendo para brincar com ele — respondeu, com um sorriso de canto. — Mostre a ele que você é o caçador e ele é a presa. Faça com que saiba que você está chegando… e que, quando isso acontecer, ele estará morto. Brinque com a mente dele. Vai ser mais divertido do que simplesmente lhe dar uma surra antes de matá-lo.
Nerone se virou para Oksana, surpreso com as suas palavras. Ele havia gostado da ideia — até demais. Oksana fazia jus ao título de russa que carregava.
— Sei que você tem meios de cuidar disso sem precisar estar lá. Faça com que ele se borre de medo só com a possibilidade de você aparecer na porta dele.
— Você está certa. Vai ser mais divertido — disse ele, com um sorriso de canto.
— Esse é o meu garoto — respondeu ela, dando um tapinha na suas costas antes de sair do quarto.
Assim que Oksana saiu, Nerone pegou o telefone e o sintetizador de voz. Era hora de colocar Iago para trabalhar — da forma que ele mais gostava.
— Fala, chefinho. Como tem passado? — disse Iago ao telefone. O homem não se cansava de provocá-lo, e Nerone já havia se acostumado com aquilo.
— Tenho trabalho para você — disse, prendendo a atenção dele.
— Até que enfim, chefe. Ficar apenas coordenando os outros é muito chato. Preciso de um pouco de diversão.
Todos sabiam o tipo de diversão que atraía Iago — e era exatamente isso que Nerone lhe daria.
— Vou enviar os detalhes para o seu telefone. Quero que brinque bastante com essa pessoa, do jeito que você sabe fazer melhor… mas se lembre de deixá-lo vivo — advertiu.
— Essa é a maior demonstração de amor que o senhor me dá, chefe — disse ele, fingindo chorar ao telefone.
— Apenas faça o que pedi — respondeu Nerone, desligando antes que Iago dissesse mais alguma coisa.
Rapidamente, enviou as informações sobre Silas, explicando o que queria. Agora caberia ao subchefe de Babilônia se divertir à vontade.
— Olha a cara dela. Aposto que mamãe andou aprontando — disse Massimo, parado ao pé da escada com os irmãos, observando a mãe descer.
— Ela é a mamãe, pode aprontar o quanto quiser — respondeu Lorenzo.
Oksana lançou um olhar carrancudo para os filhos. Eles não deveriam estar em casa naquele dia.
— O que estão fazendo aqui? Deviam ter ido para a escola hoje — disse, aproximando-se.
— A escola estava chata, e já terminamos as atividades, mamãe — respondeu Nikolai, com um sorriso.
— Já que seus professores estão pegando leve com vocês, vou ter que contratar mais alguns — retrucou ela, sorrindo.
Os pequenos se entreolharam, assustados. As ideias da mãe raramente terminavam bem para eles.
— Eu vou levá-los, senhora — disse Zion, aproximando-se e posicionando-se à frente dos meninos.
Oksana o encarou, claramente irritada.
— É “mãe” para você, mocinho — corrigiu, dando um passo em sua direção.
Zion vacilou diante daquele olhar. Ele o conhecia bem demais para saber que estava encrencado.