Rapidamente, o homem contou a Nerone tudo o que ele precisava saber. Nerone já havia informado o irmão e conseguido, com a Fênix, as informações necessárias sobre o local. Tudo estava pronto para a missão de resgate.
— Preciso que devolvam as mercadorias desviadas para a ilha ao lado. Depois, podem retornar para Babilônia — ordenou aos mercenários.
— Sim, senhor — responderam em uníssono.
— E enviem a conta para este senhor — acrescentou, apontando para o homem à sua frente.
Se ele achava que sairia ileso dos prejuízos que causara, estava completamente enganado.
— Será feito como ordenou, senhor Donati.
— Leve-o para a nossa ilha, Calebe, e fique de olho nele. Assim que eu resolver tudo, encontro você lá — disse Nerone.
— Tem certeza de que não vai precisar de mim? — perguntou Calebe.
Ele não duvidava da capacidade de Nerone, mas ainda assim se preocupava. Uma de suas responsabilidades era garantir a segurança do irmão do chefe, e desejava cumprir a risca aquela missão.
— Vou ser mais rápido sozinho. E estarei no radar — respondeu. — Qualquer coisa, você sabe o que fazer.
Todos na organização usavam rastreadores desenvolvidos por Xavier e Alícia. Desaparecer simplesmente não era uma opção. Qualquer oscilação nos seus batimentos cardíacos ou no rastreado um alarme era disparado e uma equipe de resgate mobilizada, ele estaria bem.
— Se cuida, garoto… e lembre-se de que tem alguém esperando por você — disse Calebe, apertando a sua mão.
— Eu sei.
Sem dizer mais nada, Nerone pegou uma mochila e partiu no barco.
Assim que chegou à vila, informou Eloy sobre o ocorrido e seguiu para o pequeno avião. Decidira deixar o piloto para trás — seria mais prático assim.
Agora, sozinho, observava com atenção enquanto o avião cortava os céus rumo ao destino.
Conforme as horas passavam, a rota se tornava mais clara. Nerone analisava o mapa com cuidado. Conhecia aquela região — já havia realizado serviços ali antes — e sabia que era um território onde qualquer descuido podia ser fatal.
Um lugar que poucos ousavam sequer mencionar.
A Toca.
Uma ilha no Pacífico, conhecida apenas por aqueles que transitavam naquele submundo. O governo fingia não ver, ignorava a sua existência, e, assim, a Toca permanecia viva nas sombras — um ninho de todo tipo de negócio ilícito imaginável.
Aquilo não era bom.
Agora Nerone entendia por que o homem havia oferecido tudo o que possuía.
E esperava que valesse a pena.
Com habilidade, pousou em um ponto afastado da ilha. Não podia ser detectado — e, naquele momento, agradeceu por ter levado o kit de Alícia. O bloqueador de sinal seria essencial.
— Senhor Donati, o seu transporte está pronto — disse um homem, aproximando-se.
— Obrigado, Tito. Deixe o avião abastecido e pronto para partir. Volto em poucas horas — respondeu.
— Sim, senhor.
Nerone seguiu até o pequeno cais e embarcou em um barco discreto e silencioso. A travessia foi guiada apenas pelas estrelas e pelo som constante das ondas batendo contra o casco.
A escuridão era quase absoluta.
Nerone não era alguém que sentia medo.
Mas, naquele momento… temeu não voltar para Amália.
Um leve sorriso surgiu em seus lábios ao lembrar da expressão irritada dela. Amália era seu ponto de equilíbrio — aquela que o mantinha firme quando tudo ameaçava ruir.
Por ela, ele atravessaria qualquer inferno. E, se havia alguém capaz de sair daquela missão com vida, era ele.
Parou o barco a alguns metros da ilha, lançou a âncora, vestiu o traje de mergulho e entrou na água gelada. Era a melhor forma de se aproximar sem ser detectado.
Só esperava que a filha do homem soubesse nadar. Caso contrário, teria outro problema.
Ao chegar à costa da Toca, retirou rapidamente o traje e o escondeu na areia. Nenhum rastro podia ser deixado.
Com o localizador em mãos, adentrou a mata em busca do alvo.
Tinha apenas um mapa antigo da ilha. Muita coisa podia ter mudado, mas era o melhor que possuía. O restante… teria que improvisar.
Ao sair da vegetação, encontrou o que procurava: um duto de ventilação que levava ao interior da base.
Um sorriso discreto surgiu ao notar a tranca eletrônica de última geração. Eles eram cuidadosos, mas não o suficiente.
Com a tecnologia que possuía, aquilo não seria um obstáculo. Em poucos segundos, a tranca cedeu. Nerone entrou e a fechou novamente atrás de si.
Guiado pelo rastreador, avançou pelos dutos até encontrar uma a******a mais à frente.
Para sua sorte, as celas ainda seguiam o padrão do mapa.
Espiando pela fresta, observou o estado dos prisioneiros. Era deplorável. O dono da Toca era conhecido por sua crueldade — e, pelo que via, a fama não era exagero.
— A próxima é aquela bonequinha ali — disse um dos guardas, rindo e apontando para uma cela.
— Vai ser divertido quando chegar a vez dela… tenho planos para aquela pele de porcelana — respondeu o outro, com um sorriso repulsivo.
O estômago de Nerone revirou. Se havia algo que ele odiava… eram homens assim. E fazia questão de garantir que não permanecessem vivos por muito tempo.
Seguiu o olhar dos guardas. E então a viu.
Encolhida em um canto da cela, olhos vendados, mãos e pés algemados. Estava pálida, magra… mas viva.
Isso bastava.
Esperou os guardas se afastarem, neutralizou as câmeras de segurança e desceu silenciosamente do duto.
Aproximou-se da cela e abriu a tranca com rapidez.
— Quem está aí? — perguntou a menina, com a voz trêmula.
— Seu pai me mandou — respondeu ele, em tom firme. — Vim te tirar daqui.