Capítulo 50

917 Words
A mão de Amália ainda presa atrás das costas, o corpo colado ao dele, e o olhar de Nerone… frio. Muito diferente do homem que costumava suportar as suas provocações e devolvê-las na mesma moeda. — Você precisa aprender a me respeitar, Amália — diz ele, a voz baixa, mas carregada de firmeza. — Eu tolerei as suas brincadeiras infantis até agora… mas isso acaba aqui. Ela engole em seco, o coração batendo descompassado. A pessoa à sua frente não era o Nerone que conhecia. Era alguém diferente — mais intenso, mais forte e, de alguma forma, ainda mais atraente do que jamais imaginara. — Você testa os meus limites, provoca, desafia… como se isso fosse um jogo — continua ele, aproximando o rosto do dela. — Não é. O aperto em seu pulso afrouxa por um segundo, apenas o suficiente para que ela perceba a mudança no tom. Não havia mais provocação ali. Apenas imposição. — Você é minha — diz ele, sem elevar a voz, mas com um peso que parece preencher todo o ambiente. — E precisa começar a agir como tal. Os olhos de Amália se arregalam, o choque atravessando as suas feições. — Eu não vou aceitar continuar lidando com uma menina mimada que não sabe o que quer da vida. As palavras a atingem como um golpe. Amália cambaleia para trás, como se a suas pernas tivessem perdido a força, até encontrar o sofá. Ela se deixa cair, o olhar ainda preso no homem à sua frente. Mas… aquele não era o Nerone que conhecia. E, se fosse, era um lado dele que jamais tinha visto. O silêncio volta a dominar o espaço, agora mais denso, mais sufocante. Amália respira fundo, tentando organizar os pensamentos que se atropelam em sua mente. Os seus dedos apertam o tecido do vestido, como se buscassem algum tipo de apoio. — Eu… — a sua voz falha, mais baixa do que gostaria. — Eu não achei que… Ela para, incapaz de terminar a frase. — Que eu colocaria limites? — ele corta, avançando um passo. — Cresceu tendo tudo o que queria… e acha que comigo vai ser igual. Ele se inclina sobre ela, apoiando as mãos no sofá, aprisionando-a sem tocá-la de verdade. — Não vai. Amália ergue o olhar, desafiadora, mesmo com o peito subindo rápido demais. — Isso não é verdade. — Você sabe que não estou errado, Amália — diz ele, dando um passo em direção a ela. — Cresceu sendo amada, tendo tudo o que queria, e de alguma forma acredita que vai me dobrar às suas vontades. Nerone se inclina sobre ela, apoiando os braços nas laterais do sofá. — Isso… isso não é verdade — rebate ela, com os lábios trêmulos, recusando-se a aceitar aquelas palavras. — Então estou mentindo? Não pense por um segundo que vai me transformar em um p*u-mandado, Amália. Ele se inclina ainda mais, os lábios roçando levemente o pescoço dela, fazendo-a estremecer. A língua desliza por sua pele até alcançar a sua orelha. — Você precisa aprender, tampinha — sussurra ao seu ouvido — que quem dá as cartas sou eu. Nerone morde a sua orelha antes de se sentar ao lado dela e puxá-la para o colo. Amália se assusta, tentando se soltar, mas ele a mantém firme contra si. — Me solta, você… você… — Diga — provoca ele, sabendo exatamente ao que ela se referia. — O que tem eu? — Você está… está… Amália não consegue terminar, o rosto vermelho como um pimentão. A posição era constrangedora demais. — Estou e******o? Pode usar a palavra que quiser — diz ele, envolvendo a mão em seu pescoço e puxando-a mais para perto. — Está gostando de me sentir, Amália? As mãos dele deslizam até a cintura dela, pressionando-a contra si. Ele observa quando os olhos dela se fecham e os seus lábios se entreabrem em um suspiro involuntário. — Está gostando? As palavras o tiram daquele estado de torpor, e Amália tenta se afastar, mas ele a mantém firme. — Me solta, Nerone! — exige, irritada. Ele se move, derrubando-a no sofá e pressionando o corpo contra o dela. Ajusta a própria posição, fazendo com que ela sinta a sua presença de forma ainda mais intensa. — Está sentindo, Amália? Quero que sinta o que você faz comigo… como me enlouquece com essa sua boca travessa. Os olhos dela se arregalam, o corpo reagindo contra a própria vontade. O calor se espalha por sua pele, e, por mais que lute contra, não consegue negar o que sente. Ela o encara. A suas mãos sobem até o rosto dele, puxando-o para si. Os lábios se encontram em um beijo intenso, carregado de um desejo que ela ainda não compreendia completamente, mas que crescia a cada segundo. Nerone paralisa por um instante, surpreso, antes de corresponder. Morde o lábio dela, arrancando um gemido, e aprofunda o beijo, explorando a sua boca com intensidade. As mãos dele descem pela perna de Amália, puxando-a ainda mais contra si. Ele sente quando ela o envolve com as pernas, aproximando-o ainda mais. O beijo se torna caótico, urgente. As mãos percorrem corpos com pressa, como se tentassem memorizar cada detalhe. Quando finalmente se afasta, Nerone observa Amália com atenção. O rosto corado, os lábios levemente inchados, a respiração irregular… ela estava linda. — Ainda quer fugir de mim? — pergunta, a voz mais baixa. — Não — responde ela, antes de puxá-lo novamente para outro beijo.
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