Capítulo 74

1072 Words
Amália olhava para a cama à sua frente com uma carranca no rosto. Nerone tinha um pequeno sorriso nos lábios ao ver o desconforto dela, mas ele não abriria mão de mais uma noite com Amália; aquele tinha sido um dos motivos para que ele a fizesse vir com ele para a Itália. — Não me olhe assim, Tampinha. — diz Nerone ao ver o bico no rosto dela. Amália ficava fofa quando estava zangada; as suas bochechas se inflavam e ela avermelhava o rosto, deixando as suas sardas ainda mais aparentes. Nerone tinha vontade de mordê-la. — Pensei que estivesse brincando quando disse que eu dormiria com você. — diz ela, constrangida. Amália sentia o seu controle indo para o espaço; Nerone era demais para ela. O perfume dele a inebriava, e, quando dormia ao lado dele, não controlava as próprias ações, sempre terminando agarrada a ele como a um bote salva-vidas. — Eu não brinco, Tampinha, e gosto de sentir as suas mãos no meu corpo. — diz, dando um passo em direção a ela. — Nerone! — ralha, virando-se de costas, com as mãos no rosto. Ela se perguntava quando eles tinham mudado a dinâmica de convivência. Antes, tudo o que faziam era brigar; agora, havia uma paz entre os dois que ela jamais imaginou que teria. — Não quero ficar longe de você, e isso inclui dormirmos juntos. — diz ele. — Não podemos, você sabe. — diz ela, corando até a raiz dos cabelos. Amália não sabia por que tinha que falar sobre aquilo; era constrangedor. — Não vamos fazer nada que tire a sua honra, ao menos não agora. — diz ele, fechando o espaço entre eles e enlaçando a cintura dela. — Por falar em honra, alguém me deve respostas. — diz ela com um sorriso no rosto, os olhos brilhando de curiosidade. Nerone suspira, soltando-a. Não teria como fugir das perguntas dela, e também não o faria. — Me deixe tomar banho primeiro, depois eu posso fazer até mais que falar. — diz, dando um beijo rápido nos lábios dela. Amália apenas fica lá, em pé, olhando-o arrancar a camisa e entrar no banheiro. Ela observa com atenção a forma como os músculos dele marcavam a pele, mas o que chama a sua atenção era a marca de nascença que ele tinha mais abaixo nas costas, perto da cintura. Com um suspiro, Amália se joga na cama, os olhos fixos nas vigas do teto, uma verdadeira obra-prima. Até aquele momento, tudo o que ela tinha visto na mansão dos Donati era envolto em riqueza, até mesmo o mais simples arranjo de mesa. Aquilo, para ela, mostrava o tamanho do abismo que havia entre ela e Nerone. Mas Amália não podia ser injusta; ela tinha visto o quanto aquilo não significava muito para eles. Eles eram ricos, muito mais do que ela imaginava, mas agiam como qualquer outra pessoa menos afortunada. Não se gabavam do que tinham, nem viviam de aparências para impressionar, e apenas ver aquilo já deixava Amália mais tranquila em fazer parte daquela família. Alguns minutos depois, Nerone sai do banheiro usando um pijama azul simples. Ele tinha uma toalha nas mãos enquanto tentava secar os cabelos. — Deixa que eu faço. — diz ela, em um impulso, aproximando-se dele e retirando a toalha de suas mãos. Amália começa a secar os cabelos de Nerone com cuidado. Era gostoso sentir o cabelo dele em suas mãos. Nerone se inclina e permite que ela seque o seu cabelo. Nerone tinha os olhos fixos no rosto dela. Ele podia ver aquela ruga de concentração que se formava na testa dela quando estava ocupada com algo, e, para ele, aquilo era fascinante. Sem conseguir se conter, ele ergue a mão e massageia o meio da testa dela, desfazendo a pequena ruga. — Você sempre cria uma ruga aqui quando está concentrada em algo. — diz ele. Amália leva um susto, deixando a toalha cair. Então, com um suspiro, pega-a de volta, voltando a secar os cabelos dele. — É de família, meu pai também faz isso. — diz com um sorriso de contentamento. Nerone observa com uma pitada de inveja. Ele jamais saberia como era aquele sentimento, como era ter afinidade com a pessoa que o pôs no mundo. — Está bom. — diz, pegando a toalha da mão dela. — Melhor você ir tomar banho. Amália não discute, apenas corre para o banheiro. Quando entra, fica impressionada com a organização de Nerone; as coisas dele estavam organizadas de forma meticulosa, e ela podia ver alguns produtos femininos que tinham sido adicionados à bancada, todos ainda lacrados. Ela sorri ao pensar que ele tinha sido cuidadoso com ela. Com um sorriso no rosto, Amália entra no banho. Ao ver a banheira enorme, seus olhos brilham, mas aquilo teria que ficar para outro dia. Ela estava com pressa e duvidava que conseguisse ficar acordada tempo suficiente para aproveitar a água. Amália sai do banheiro com um sorriso satisfeito no rosto. Ela se sentia limpa e revigorada, então apenas se aproxima da cama e se joga nela sem fazer cerimônia. — Pelo que vejo, você está cansada. — diz ele antes de apagar as luzes e se deitar ao lado de Amália. — Culpa sua. Se não tivesse insistido para que eu viesse... — diz ela, dando um tapa no braço dele. Nerone segura o braço de Amália, puxando-a para o seu peito. — Sei que gostou de ter vindo, Tampinha. — diz ele, deslizando a mão pela perna dela. — Você sabe que não pode mentir para mim. Amália ofega, praguejando por ter escolhido aquele baby doll. — Pare de me distrair. Me diga por que nunca esteve com outras mulheres. — Nerone não a distrairia do seu objetivo; ela queria respostas, e ele não poderia fugir. — Você quer que eu esteja com outras mulheres? — pergunta ele. — Não! — diz ela de forma audível, antes de tapar a boca com a mão. A risada de Nerone enche a penumbra do quarto, clara como cristal. — É bom saber que você não deseja me compartilhar com ninguém. Porque eu sinto o mesmo, Amália; apenas eu posso tocar em você. Amália sente o corpo de Nerone se pressionar mais contra o seu. Ele puxa a perna dela para cima da dele, encaixando-se entre as suas. Amália ofega; não havia como fugir dele, e nem queria.
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