Nerone gostava daqueles raros momentos de paz entre ele e Amália, quando não precisava criar uma barreira à sua volta e podia ser ele mesmo. O alívio enchia o seu peito ao pensar naquilo, e que em breve estaria livre das máscaras que o cobriam.
— Preciso ir. — disse ele, depois de um silêncio confortável.
Nerone tinha muito a resolver, e quanto mais rápido cuidasse disso, melhor seria para ele.
— Para onde vai? — perguntou ela, erguendo a cabeça para olhar em seu rosto.
Ele arqueou uma sobrancelha ao encará-la. Aquela era a pergunta que nunca se fazia naquele ramo de trabalho. Quanto menos Amália soubesse, mais segura estaria.
Nerone se virou, prendendo-a com o próprio corpo, seus olhos fixos nos dela.
— Essa é a pergunta que você nunca terá resposta, Tampinha. — disse ele, abaixando-se lentamente e dando um beijo casto nos seus lábios.
Amália queria rebater as palavras dele, mas Nerone tinha um poder sobre ela que nem ela mesma compreendia. Sempre que estava com ele, sentia-se tranquila, viva de uma forma inesperada — e queria mais. Nada do que ele lhe dava era suficiente. Precisava de mais. Mais do seu cheiro e calor, mais daquela forma hipnótica com que ele a olhava, como se sondasse a sua alma, desnudando os seus segredos mais profundos.
Olhando nos seus olhos, Amália tocou o seu rosto, maravilhando-se com a sua pele — aquele tom moreno que a encantava. Não era um tom forte, mas um pouco mais claro do que ela já tinha visto, ainda assim fascinante.
Para ela, Nerone era uma caixinha de surpresas que desejava abrir lentamente. A suas mãos envolveram os cabelos dele, sentindo a maciez — tão negros e lisos que lhe despertavam uma pontada de inveja. Nerone podia lidar com coisas diversas, mas se cuidava. Amália via isso na forma como ele se vestia, nas unhas aparadas e limpas, no cabelo bem cortado e, sobretudo, na ausência de barba — a sua pele mais lisa do que a de qualquer outro homem que ela conhecera.
Olhando-o nos olhos, ela o puxou lentamente para mais perto, sem jamais quebrar o contato visual, perdendo-se naquele mar azul intenso que a inundava de sentimentos avassaladores.
Os lábios dele tocaram os dela devagar, num roçar suave, como se ainda estivessem se descobrindo. Era lento, gentil — e fez Amália suspirar, tomada por uma satisfação crescente. A cada dia, ela percebia que a atração que sentia por Nerone era maior que a sua raiva, e que não conseguia permanecer chateada com ele — não quando ele era tão doce.
Aquele beijo era lento e envolvente. Amália se viu correspondendo com desejo, querendo mais do que aquele simples contato. Ela sempre queria mais. A sua língua roçou os lábios dele, explorando, aprendendo, e a sensação era maravilhosa.
Amália não percebia o quanto custava a Nerone não tê-la da forma que desejava. Ele queria apertá-la ainda mais contra si, invadir a sua boca com urgência, arrancando aqueles suspiros doces que ela sempre soltava ao ser beijada. Mas entendia que ela estava em fase de descoberta — e ele gostava daquele papel de cobaia.
Quando pressionou a pélvis contra a dela, sentiu Amália enrijecer em seus braços.
— Tem medo que eu faça algo que não devo? — perguntou ele, deslizando os lábios pelo rosto dela até alcançar a sua orelha.
Amália queria responder, mas a forma despreocupada com que ele explorava o seu pescoço roubava os seus pensamentos. Sentia o desejo crescer em seu corpo — uma necessidade que compreendia, mas que sabia não poder saciar naquele momento.
— Eu... — começou ela, mas ele mordiscou levemente a sua orelha, fazendo-a se perder outra vez.
— O que foi? — insistiu ele, sem conseguir esconder o sorriso na voz.
Amália sentia a mão de Nerone deslizando por sua pele, descendo por sua perna. Aquele contato era quente, intenso — fazia-a arfar. Sentiu quando ele encontrou a barra do vestido e deslizou a mão por baixo. O seu corpo tremeu — não de medo, mas de antecipação.
— Ainda não me respondeu, Amália. — disse ele, com a voz rouca junto ao seu ouvido.
Ela se perguntava como ainda havia algum pelo em seu corpo que pudesse se arrepiar — mas havia, e todos estavam eriçados. A mão de Nerone alcançou o seu traseiro, e ela se pressionou contra ele involuntariamente, entregando-se à sensação.
— Você tem uma pele macia. — disse ele, afastando-se para olhar o seu rosto.
Amália estava linda — o rosto corado, os lábios entreabertos. O seu peito subia e descia descompassado, o que apenas intensificava o desejo de Nerone.
Olhando-a nos olhos, ele deslizou a mão até encontrar a sua calcinha. Um meio sorriso surgiu em seu rosto. Ele viu os olhos de Amália se arregalarem com o contato — mas ela não o impediu. Nerone jamais faria algo que ela não quisesse. Sabia respeitar um “não”. Mas não era isso que a sua noiva demonstrava — ele via isso claramente nos seus olhos.
— Basta dizer que eu paro, Amália. — disse ele em voz baixa, naquele mesmo tom rouco de desejo.
Amália o encarou fixamente. Ela tinha entendido perfeitamente. A questão era: ela realmente queria que ele parasse?
E a resposta era não.
Amália ansiava por sentir o toque dele de verdade — por descobrir sensações que nunca tinha experimentado antes de saber que ele era seu noivo. Estava cansada de imaginar, de ter sonhos intensos e acordar frustrada, sem o alívio que o seu corpo implorava.
Então não… ela não queria que ele parasse.