Capítulo 17 HELEN NARRANDO Eu acordei com a sensação ridícula de estar esperando alguém. A primeira coisa que eu senti foi o frio. Não o frio do quarto, porque esse quarto era quente demais, grande demais, confortável demais pra ser chamado de prisão. Foi outro tipo de frio. O tipo que bate quando a gente percebe uma ausência antes mesmo de abrir os olhos. Abri devagar. O teto escuro. A cortina pesada. A luz da manhã entrando por uma fresta estreita. E o lado da cama vazio. Meu estômago afundou na mesma hora. Passei a mão no lençol. Frio. Ele não tinha dormido aqui. Filho da putä. Virei de costas e fechei os olhos de novo, como se isso fosse mudar alguma coisa. Não mudou. A cama continuou grande demais. O silêncio continuou irritante. E a constatação continuou aqui, bate

