MORRO DO MIRIM.
Helena.
Já tem duas semanas que eu estou no Morro do Mirim e estou amando. A maioria das pessoas são legais e as crianças são adoráveis. Várias vezes notei várias mulheres e meninas me olhando torto, mas o Gael explicou que é inveja e recalque.
Nesse tempo eu me aproximei um pouco da Fernanda, ela tem uma amizade colorida com o Falcão. Ela tem 32 anos e veio morar no Morro com 18 anos, depois que os pais dela descobriram que ela tava ficando com traficante (Gael). Sim, ela era patricinha do asfalto e resolveu que seria legal se envolver com bandido.
Estamos no mês de Fevereiro, meu aniversário de 18 anos é em Abril, dia 20. Eu não vejo a hora de ser maior de idade e legalmente capaz de me cuidar sozinha. Bom, eu já me cuido sozinha há muito tempo, já que a Marcela vivia me deixando sozinha pra ir dar os botes dela.
Falcão - Vai ir ao baile comigo hoje? - Perguntou, depois que bagunçou o meu cabelo pra chamar a minha atenção.
Helena - Não, eu tenho um encontro. - Sorri sem mostrar os dentes, com um pouco de medo da sua reação.
Falcão - Um encontro? - Cruzou os braços. - É com alguém aqui do Morro?
Helena - Não. - Me levantei do sofá. - Eu tava conversando com a Fernanda esses dias e ela me encorajou a instalar o Tinder no meu celular. - Ele negou com a cabeça.
Falcão - Fernanda é uma má influência pra ti. - Riu. - Vai sair com quem? Qual é o nome do sujeito? Onde ele mora?
Esse é o Falcão sendo pai? Gostei.
Helena - O nome dele é Pedro, ele mora no asfalto. Mora pertinho do lugar que vamos jantar. Pra falar a verdade, eu tô um pouco nervosa com esse encontro.
Falcão - Nervosa por que? Ele pareceu suspeito em algum momento?
Helena - Não! - Ri. - É que esse é o meu primeiro encontro. Ele me deu match e logo me cumprimentou. A conversa foi fluindo e deu no que deu. - Dei de ombros. - Ele nem parece que é do asfalto, fica falando essas gírias igual você e a Fernanda falam.
Falcão - Me envia tua localização em tempo real, ok? Deixa o meu número na lista de contatos de emergência e leva uma faca. - Ri com todas as coisas que ele falou ao mesmo tempo.
Helena - Eu não vou levar uma faca, Gael. - Neguei com a cabeça.
Falcão - Quantos anos esse cara tem?
Helena - 37 anos. - Mordi o lábio inferior.
Será que ele vai surtar porque o cara é 20 anos mais velho que eu? Depois que eu vi a foto dele e vi como ele parece ser legal, notei que realmente não me importo com a idade.
Falcão - Uau! - Colocou a mão no peito, fazendo uma careta de dor. - Ele é 3 anos mais novo que eu, Helena. Tem certeza que é uma boa ideia sair com um homem dessa idade? Ele é bem mais experiente que tu.
É, eu pensei nisso.
Helena - Eu juro que te ligo se notar más intenções. - Ele aceitou com um pouco de relutância. - E eu aceito levar a faca se tu se sentir mais calmo.
Falcão - Eu tenho a faca perfeita. - Sorriu diabólico. - Vou buscar no meu arsenal.
Ele tem um arsenal? Logo Gael voltou com uma faca média na mão, com o cabo rosa. Ele beijou o cabo da faca e me entregou.
Falcão - É bem afiada. - Sorriu. - Eu deixo tu dizer pra ele que o teu pai é traficante perigoso. - Gargalhei.
Helena - Eu vou acabar com o encontro se falar sobre o meu pai. - Limpei as lágrimas que caíram de tanto que eu ri.
[...]
Terminei de me arrumar e me olhei no espelho uma última vez, gostando do resultado. Eu pensei em colocar salto, mas não trouxe nenhum, então coloquei o único tênis que eu trouxe e agradeci por combinar.
Se eu tivesse lembrado que não trouxe muitas roupas pra cá, não teria aceitado o encontro.
Meu celular vibrou e eu peguei, vendo uma mensagem do Pedro no meu w******p.
Pedro: Me manda a tua chave pix pra eu te enviar o dinheiro do Uber.
Helena: Tá doido? Não precisa.
Pedro: Tu não aceitou que eu fosse te buscar, pelo menos deixa eu pagar o Uber, morena.
Adoro quando ele me chama de morena.
Helena: Não sei não, hein. Não quero que cê pense que sou interesseira.
Pedro: Se eu pensasse isso, nem teria continuado falando contigo, muito menos te convidaria pra um encontro, mina.
Helena: Tudo bem, eu vou enviar. - Enviei a chave pix e logo a notificação chegou. - Eu já estou pronta.
Pedro: Eu ia pedir foto, mas seria muito escroto da minha parte. Ansioso pra te ver pessoalmente.
Helena: Tem certeza que tu não é um serial killer?
Pedro: Não sei, morena, Vai ter que confiar na minha humilde palavra. - Ri.
O aplicativo do Uber notificou que o motorista já está na entrada do Morro.
Helena: Boa sorte pra mim. O Uber chegou, até.
Pedro: Até. Depois me envia a placa do carro, por segurança.
Helena: Não precisa, meu pai está com a minha localização em tempo real. - Não acredito que eu falei isso.
Resolvi enfiar o celular dentro da bolsa que a Fernanda me emprestou e sai do quarto rápido. Encontrei o Falcão na sala e pedi pra ele me dar uma carona até a saída do Morro.
Falcão - Tá com a faca? - Aceitei. - O cara veio te buscar?
Helena - Eu chamei um Uber.
Falcão - Quer dinheiro pra pagar?
Helena - Não precisa, ele pagou. - Arrumei a alça da bolsa no ombro. - Podemos ir antes que o Uber pense que é trote e vá embora?
Ele aceitou e nós saímos da casa, indo na direção da garagem.
[...]
Paguei o Uber e sai do carro desejando uma boa noite. Subi na calçada e olhei em volta, vendo algumas pessoas caminhando do outro lado da rua. Peguei meu celular na bolsa e abri minha conversa com o Pedro.
Helena: Cheguei.
E esqueci a minha jaqueta na casa do Gael.
Pedro: Eu sei, tô te vendo.
Olhei em volta e não vi ele.
Helena: Aparece logo, tô começando a ficar assustada. - Ri nervosa.
Ele apenas visualizou e não respondeu. Desliguei a tela do celular e cruzei os braços. Vi um cara alto atravessando a rua e logo ele foi se aproximando.
Caralho! É ainda mais bonito pessoalmente.
Pedro - E aí, morena. - Sorriu de canto.
Helena - Oi. - Sorri tímida.
Vai bancar a tímida agora? Sério?
Pedro - Eu não ia falar nada logo de cara, mas eu vou ter que falar... - me avaliou da cabeça aos pés e voltou a olhar para o meu rosto.
Será que eu tô f**a? Será que o tênis não combinou p***a nenhuma com essa roupa?
Helena - Eu tô f**a, né? Ai, céus! Que vergonha. - Passei as mãos no rosto.
Fiquei estática quando ele riu. Por que ele tá rindo?
Pedro - Cê tá muito gata, morena. - Ele segurou minha mão e fez eu dar uma voltinha. - Eu adorei o tênis, combinou bastante contigo.
Nunca fiquei tão aliviada em toda a minha vida. Notei ele olhando para o lugar que o menino me deu um tiro e coloquei a mão no lugar pra tampar.
Pedro - Isso é uma cicatriz de tiro? - Chegou mais perto e eu automaticamente me afastei.
Helena - Sim, bala perdida. - Expliquei.
Pedro - Eu também já levei um tiro. - Ele falou, me pegando totalmente de surpresa.
Helena - Acontece com mais frequência do que eu pensei. - Nós dois rimos.
Pedro - Partiu? - Enfiou as mãos nos bolsos frontais da calça jeans preta. - Eu vou te levar pra comer hambúrguer com batata frita, já que cê falou que adora.
Senti água na boca só de imaginar.
Helena - Partiu.