Episódio 04-1

1365 Words
MORRO DO MIRIM. Helena. Já tem duas semanas que eu estou no Morro do Mirim e estou amando. A maioria das pessoas são legais e as crianças são adoráveis. Várias vezes notei várias mulheres e meninas me olhando torto, mas o Gael explicou que é inveja e recalque. Nesse tempo eu me aproximei um pouco da Fernanda, ela tem uma amizade colorida com o Falcão. Ela tem 32 anos e veio morar no Morro com 18 anos, depois que os pais dela descobriram que ela tava ficando com traficante (Gael). Sim, ela era patricinha do asfalto e resolveu que seria legal se envolver com bandido. Estamos no mês de Fevereiro, meu aniversário de 18 anos é em Abril, dia 20. Eu não vejo a hora de ser maior de idade e legalmente capaz de me cuidar sozinha. Bom, eu já me cuido sozinha há muito tempo, já que a Marcela vivia me deixando sozinha pra ir dar os botes dela. Falcão - Vai ir ao baile comigo hoje? - Perguntou, depois que bagunçou o meu cabelo pra chamar a minha atenção. Helena - Não, eu tenho um encontro. - Sorri sem mostrar os dentes, com um pouco de medo da sua reação. Falcão - Um encontro? - Cruzou os braços. - É com alguém aqui do Morro? Helena - Não. - Me levantei do sofá. - Eu tava conversando com a Fernanda esses dias e ela me encorajou a instalar o Tinder no meu celular. - Ele negou com a cabeça. Falcão - Fernanda é uma má influência pra ti. - Riu. - Vai sair com quem? Qual é o nome do sujeito? Onde ele mora? Esse é o Falcão sendo pai? Gostei. Helena - O nome dele é Pedro, ele mora no asfalto. Mora pertinho do lugar que vamos jantar. Pra falar a verdade, eu tô um pouco nervosa com esse encontro. Falcão - Nervosa por que? Ele pareceu suspeito em algum momento? Helena - Não! - Ri. - É que esse é o meu primeiro encontro. Ele me deu match e logo me cumprimentou. A conversa foi fluindo e deu no que deu. - Dei de ombros. - Ele nem parece que é do asfalto, fica falando essas gírias igual você e a Fernanda falam. Falcão - Me envia tua localização em tempo real, ok? Deixa o meu número na lista de contatos de emergência e leva uma faca. - Ri com todas as coisas que ele falou ao mesmo tempo. Helena - Eu não vou levar uma faca, Gael. - Neguei com a cabeça. Falcão - Quantos anos esse cara tem? Helena - 37 anos. - Mordi o lábio inferior. Será que ele vai surtar porque o cara é 20 anos mais velho que eu? Depois que eu vi a foto dele e vi como ele parece ser legal, notei que realmente não me importo com a idade. Falcão - Uau! - Colocou a mão no peito, fazendo uma careta de dor. - Ele é 3 anos mais novo que eu, Helena. Tem certeza que é uma boa ideia sair com um homem dessa idade? Ele é bem mais experiente que tu. É, eu pensei nisso. Helena - Eu juro que te ligo se notar más intenções. - Ele aceitou com um pouco de relutância. - E eu aceito levar a faca se tu se sentir mais calmo. Falcão - Eu tenho a faca perfeita. - Sorriu diabólico. - Vou buscar no meu arsenal. Ele tem um arsenal? Logo Gael voltou com uma faca média na mão, com o cabo rosa. Ele beijou o cabo da faca e me entregou. Falcão - É bem afiada. - Sorriu. - Eu deixo tu dizer pra ele que o teu pai é traficante perigoso. - Gargalhei. Helena - Eu vou acabar com o encontro se falar sobre o meu pai. - Limpei as lágrimas que caíram de tanto que eu ri. [...] Terminei de me arrumar e me olhei no espelho uma última vez, gostando do resultado. Eu pensei em colocar salto, mas não trouxe nenhum, então coloquei o único tênis que eu trouxe e agradeci por combinar. Se eu tivesse lembrado que não trouxe muitas roupas pra cá, não teria aceitado o encontro. Meu celular vibrou e eu peguei, vendo uma mensagem do Pedro no meu w******p. Pedro: Me manda a tua chave pix pra eu te enviar o dinheiro do Uber. Helena: Tá doido? Não precisa. Pedro: Tu não aceitou que eu fosse te buscar, pelo menos deixa eu pagar o Uber, morena. Adoro quando ele me chama de morena. Helena: Não sei não, hein. Não quero que cê pense que sou interesseira. Pedro: Se eu pensasse isso, nem teria continuado falando contigo, muito menos te convidaria pra um encontro, mina. Helena: Tudo bem, eu vou enviar. - Enviei a chave pix e logo a notificação chegou. - Eu já estou pronta. Pedro: Eu ia pedir foto, mas seria muito escroto da minha parte. Ansioso pra te ver pessoalmente. Helena: Tem certeza que tu não é um serial killer? Pedro: Não sei, morena, Vai ter que confiar na minha humilde palavra. - Ri. O aplicativo do Uber notificou que o motorista já está na entrada do Morro. Helena: Boa sorte pra mim. O Uber chegou, até. Pedro: Até. Depois me envia a placa do carro, por segurança. Helena: Não precisa, meu pai está com a minha localização em tempo real. - Não acredito que eu falei isso. Resolvi enfiar o celular dentro da bolsa que a Fernanda me emprestou e sai do quarto rápido. Encontrei o Falcão na sala e pedi pra ele me dar uma carona até a saída do Morro. Falcão - Tá com a faca? - Aceitei. - O cara veio te buscar? Helena - Eu chamei um Uber. Falcão - Quer dinheiro pra pagar? Helena - Não precisa, ele pagou. - Arrumei a alça da bolsa no ombro. - Podemos ir antes que o Uber pense que é trote e vá embora? Ele aceitou e nós saímos da casa, indo na direção da garagem. [...] Paguei o Uber e sai do carro desejando uma boa noite. Subi na calçada e olhei em volta, vendo algumas pessoas caminhando do outro lado da rua. Peguei meu celular na bolsa e abri minha conversa com o Pedro. Helena: Cheguei. E esqueci a minha jaqueta na casa do Gael. Pedro: Eu sei, tô te vendo. Olhei em volta e não vi ele. Helena: Aparece logo, tô começando a ficar assustada. - Ri nervosa. Ele apenas visualizou e não respondeu. Desliguei a tela do celular e cruzei os braços. Vi um cara alto atravessando a rua e logo ele foi se aproximando. Caralho! É ainda mais bonito pessoalmente. Pedro - E aí, morena. - Sorriu de canto. Helena - Oi. - Sorri tímida. Vai bancar a tímida agora? Sério? Pedro - Eu não ia falar nada logo de cara, mas eu vou ter que falar... - me avaliou da cabeça aos pés e voltou a olhar para o meu rosto. Será que eu tô f**a? Será que o tênis não combinou p***a nenhuma com essa roupa? Helena - Eu tô f**a, né? Ai, céus! Que vergonha. - Passei as mãos no rosto. Fiquei estática quando ele riu. Por que ele tá rindo? Pedro - Cê tá muito gata, morena. - Ele segurou minha mão e fez eu dar uma voltinha. - Eu adorei o tênis, combinou bastante contigo. Nunca fiquei tão aliviada em toda a minha vida. Notei ele olhando para o lugar que o menino me deu um tiro e coloquei a mão no lugar pra tampar. Pedro - Isso é uma cicatriz de tiro? - Chegou mais perto e eu automaticamente me afastei. Helena - Sim, bala perdida. - Expliquei. Pedro - Eu também já levei um tiro. - Ele falou, me pegando totalmente de surpresa. Helena - Acontece com mais frequência do que eu pensei. - Nós dois rimos. Pedro - Partiu? - Enfiou as mãos nos bolsos frontais da calça jeans preta. - Eu vou te levar pra comer hambúrguer com batata frita, já que cê falou que adora. Senti água na boca só de imaginar. Helena - Partiu.
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