Comovente

2532 Words
Katherine: Já que até o meu analista resolveu conspirar contra mim, eu precisava espairecer um pouco. E foi aí, que as minhas câmeras entraram em ação. ---- Nossa, esse negócio tá todo empoeirado! - Falei ao tirar as minhas câmeras que estavam guardadas em caixas de papelão em baixo da minha cama. ----- Minhas filhas! Que saudades a mamãe estava! - As abracei, ao ver que continuavam em perfeitas condições. Vesti uma roupa confortável, e quando eu ia saindo de casa com os meus equipamentos, Malu chega em casa feliz da vida. ----- Huum, pelo visto a noite foi boa, não é mesmo? - Perguntei séria. ----- Felipe é um Deus grego, com tanquinho,e músculos perfeitos.. - Suspirou. ---- Me poupe dos detalhes sórdidos! - Virei os olhos. ---- Ai amiga! Pára de querer ser santa! Eu soube que você dormiu na casa do Adrian.. E aí? Rolou? - Perguntou sorridente. ----- Que rolou o quê? Está me estranhando? Eu não fico com homens casados, meu bem! - Bufei. ----- O Adrian.. - Malu ficou boquiaberta. ----- Sim, é casado, e ainda me enxotou da casa dele. Claro que eu não fui pra lá, na intenção de ficar com ele, mas é que de certa forma,ele está enganando a esposa dele, você não acha? Levando outra mulher para dormir na casa dele?! - Respirei fundo. ----- Só acho! Nossa, estranho! Nunca vi o Adrian com mulher nenhuma. - Malu falou. ----- Certamente, ele esconde que é casado! E ainda tem um filho, acredita? Esses homens.. - Bufei. ----- Estou em êxtase, te juro! - Malu estava "passada". ----- Agora vamos esquecer esse assunto,pois eu irei fotografar os parques verdejantes, e os golfinhos celestes. - Pisquei divertida, e ela gargalhou. Como era final de tarde, aproveitei para tirar lindas fotografias no parque. Tanto minhas, quanto de pessoas que me pediram para fotografá-las. Para mim,mais que um simples hobby, fotografar era uma maneira de arte! Sem contar, que eu sempre conseguia um dinheirinho extra. Falando em dinheiro.. Logo eu começaria á receber o seguro desempegro,até que pudesse conseguir outro trabalho. Mas mesmo assim, eu estava preocupada. Não queria ficar nas costas da Malu,jamais! Após muitas fotos, sentei-me um pouco na grama para respirar um ar puro, e meditar um pouco (sim, os loucos também meditam!). Até, que ouço alguém sentar ao meu lado. ----- Adrian? - Falei. ----- Olha, Katherine! Eu queria me desculpar com você,por ontem. - Falou sem graça. ----- Quer se desculpar,por ter me chutado da sua casa? - Arqueei a sobrancelha. ----- Desculpa, fiz por puro impulso, eu juro! - A voz dele estava trêmula. ----- Por quê não me falou, que você é casado? - Perguntei olhando dentro daqueles olhos verdes lindos. ----- É difícil, eu, eu.. Não estou preparado para te falar isso. - Pôs as mãos sobre os olhos. ----- Não está preparado para me falar que é casado? - Perguntei com estranheza. ----- Eu fiz tudo errado! Não era pra mim ter te levado na minha casa,você é apenas uma das minhas pacientes, e .. Eu não sei! - Adrian estava confuso. ----- É, sou apenas uma paciente.. - Falei triste, não sei por qual motivo. ----- Você é especial! - Tirou os meus cabelo de meus olhos,acariciou o meu rosto, e nossas respirações ficaram tão próximas, que eu jurava que iríamos nos beijar. Mas, ele deu um beijo no cantinho da minha boca, e saiu correndo,e se desculpando. ---- Esse daí,é mais louco que eu! - Falei sozinha, e fui embora sorridente. Adrian Marcelo: Merda, Marcelo! O que está acontecendo com você? Que tipo de besteira pensou em fazer, quase beijando a Katherine? A Irma jamais me perdoará por isso! Jamais! Acho que eu estou ficando louco! Estou sim! Eu nunca mais havia me aproximado de mulher nenhuma, e derrepente,fico atraído por uma das minhas pacientes? Que tipo de besteira eu estou prestes á fazer, ou fiz,sei lá?! Eu não posso me envolver com mulher nenhuma! Não posso! Eu não posso simplesmente esquecer, que a Irma não existiu, e que eu posso amar outra mulher, tanto quanto a amei. Preciso me distanciar de Katherine! Eu não posso alimentar uma loucura destas! Não! Ela pode ser linda,jovem, espontânea, mas eu não posso! Sou um cara de 32 anos, e não posso me envolver com garotinhas mais novas. Preciso me controlar, e pôr as minhas idéias na ordem de sempre. Katherine: Por quê os homens são sempre tão estranhos? Por quê isso não poderia ser mais simples? Adrian me deixou confusa, mas em momento algum,passou pela minha cabeça ter algum tipo de envolvimento com ele. Eu só quis tomar satisfações,pois não me senti legal em dormir na casa dele, sabendo que ele tem uma esposa e um filho. Senti como se eu estivesse desrespeitando aquela família tão bonita! Mesmo, não tendo acontecido exatamente, nada comprometedor. Aquilo tudo atingiu a minha dignidade, sabe? Eu posso ser louca, gostar de viver intensamente, mas destruir famílias, jamais! Ultimamente, a Malu estava saindo com o Felipe diariamente, e isso me preocupava muito! Esse jeito festeiro, e "pegadora" me causava medo. Mesmo sendo mais nova que ela,eu me preocupava muito com a minha amiga, e tentava dar bons conselhos, mas ela sempre, dizia : "Amiga,está tudo sob controle!". Eu tentava botar essa frase em minha cabeça, mesmo não acreditando muito. Fiz as fotografias em meu "mini estúdio", fui deixar na residência de algumas pessoas, recebi o dinheirinho, e pude comprar a "gasosa" para o meu carro. Á procura de um pouco de diversão, fui para o shopping mais próximo, jogar boliche (outro hobby que eu amava!). Chegando lá, a pista estava vazia, e eu pude me divertir muito (tirando o fato de que eu levei um mega tombo em plena escada rolante,foi ótimo). Aproveitei para fazer um lanche ainda no shopping, e distraída, nem percebi que uma pessoa sentou-se ao meu lado. ----- Oi? - Pegou em meu braço, e eu virei-me rapidamente. ----- Tamara? - Estranhei. Nossa! A menina estava parecendo um zumbi! Ainda mais magra, pálida, com o cabelo sem vida, e cheia de olheiras. ----- Posso conversar com você? - Perguntou, e eu disse que sim. ----- Você quer um lanche? - Perguntei, ao ver que ela olhava para o meu lanche de forma diferente. ---- Eu não queria encomodar.. - Ela estava envergonhada. ----- Não é encômodo! - Pedi um lanche á garçonete para ela, e ela devorou tudo rapidinho. ----- O que você quer, comigo? - Perguntei ao ver que ela havia terminado de comer. ---- Quando você e o Dimitri irão casar?- Perguntou. ----- Nunca! Eu já disse que não quero mais o Dimitri, e você sabe disso. - Fui rígida. ----- Você não pode terminar assim com ele! - Ela disse. ---- Não posso, tanto que já terminei. - Falei com ironia. ----- Não, não termina desse jeito por favor? - Implorou, e eu fiz a pergunta talvez mais esperada por ela. ----- Por quê? - Virei os olhos. ----- Eu não posso ter esse filho! Eu não tenho condições de criá-lo, e eu quero que você case com o Dimitri, e o criem como se ele, fosse filho de vocês dois. - Chorou. Eu estava tomando um milk shake, e de forma involuntária, cuspi tudo. ----- Você tá louca! Só pode! Eu não vou fazer isso! Não mesmo! O Dimitri tem por obrigação, dar toda a assistência que esse bebê precisa! - Revolta me definia. ----- Ele não quer me ajudar! Eu já procurei ele, e ele sempre me diz um monte, e me expulsa! - Debruçou-se sobre a mesa chorando. ----- Por mim, eu não olharia na cara do Dimitri nunca mais! Mas, vou falar com ele,pra você! Caso ele continue á não querer ajudar, nós resolveremos isso na polícia! - Fui firme. ----- Ai, obrigada! Você é um anjo! - Ela tentou me abraçar, e eu me esquivei. ----- Eu não estou fazendo isso por você ,Tamara! Pois se eu fosse outra, já teria te metido á mão na cara. Estou fazendo isso, pelo inocente que está na sua barriga. Passar bem! - Levantei-me da mesa, e saí andando em direção ao estacionamento do shopping,e ela me seguiu. ----- Escuta, Katherine! O Dimitri nunca me amou! Ele ama á você! Ele só queria se divertir comigo! - Falou. ----- O seu depoimento, não será útil! - Entrei no carro. ----- Eu sou g****************a! - Ela berrou, chorando ainda mais. ----- Como é? Mesmo depois de grávida, você está? - Fiquei paralisada. ---- Sim, eu preciso viver! Eu moro em um cômodo com um amigo, não consegui mais emprego, e estou me obrigando á me prostituir. - Ela estava ainda mais pálida. ----- Olha, você não vai mais precisar disso! Eu te proíbo, á fazer isso com essa criança! Proíbo! Toma aqui, vou tentar resolver isso o quanto antes! - Falei,dei um dinheiro para ela, e saí em busca do Dimitri. Com certeza,esse dia serviu para testar até onde o meu lado humano, e a minha compaixão pelo próximo iriam. Eu tinha todos os motivos do mundo para odiar Tamara, e querer que ela se danasse, mas.. Não! A presença de um bebê nessa história, mudava tudo. Katherine: Assim que entrei no apartamento do Dimitri, ele selou os meus lábios com um beijo. ----- Você está louco? Eu não te dei o direito de fazer isso! - O empurrei. ----- E o que veio fazer aqui, á não ser,voltar para mim? - Perguntou com as mãos na cabeça. ----- Eu vim conversar com você sobre a Tamara, e o seu filho. - Respondi,e o semblante dele mudou. ----- O que aquela falsa foi te falar? Eu não aceito essa criança que ela diz estar esperando! - Falou com irritação. ----- A questão aqui,não é você aceitar ou não! A questão, é que essa criança existe, e você não pode simplesmente ignorar este fato! Não seja desumano! - Falei com franqueza. ----- Eu não quero ter um filho com ela! Não quero! Eu sei que esse filho é meu, pois nas últimas vezes que me relacionei com a Tamara, agente não se preveniu,mas eu não suporto essa criança! Não suporto pensar,que eu vou ter um filho, e esse bebê não sairá da mulher que eu amo! Não sairá de você- Bufou. ----- Essa criança é inocente! Ela não tem culpa de nada, Dimitri! Olha, a Tamara está com um alto grau de desnutrição, e ela está morando em condições precárias! O que custa você proporcionar um nascimento digno para essa criança? Hã?- O interroguei, e ele ficou pensativo. ---- Se você realmente me ama, faz o que eu estou pedindo? Procura a Tamara, e dar uma melhor condição de vida para ela? Eu sei que você tem condições financeiras para isso! - O abracei. ----- Tudo bem! Vou fazer isso, mas só por quê está me pedindo! - Suspirou. Eu sorri de forma amigável,e fui embora, antes que Dimitri confundisse as coisas novamente, e tentasse me beijar,ou começasse á chorar, me pedindo pra voltar. Feita a minha boa ação do dia, fui até a oficina do Ricardo para ele ver um probleminha no meu carro, e quando cheguei lá, Ricardo s****o como sempre, me recebeu com um beijo no rosto, eu expliquei o que estava acontecendo com o carro, e me sentei em um puff feito de pneus. --- Katherine? --- Marcelo? - Sim! O analista sem barba estava na oficina. ---- Oi! Tudo bem? - Estendi a mão sem graça. --- Tudo, eu só vim trocar os bancos para do meu carro,então os bancos ainda não chegaram, mas o Ricardo falou que chegará daqui á meia hora. - Ele disse com um sorriso estranho. --- Hum. - Sorri de volta. O Ricardo resolveu o probleminha no meu carro, eu o paguei,e quando eu ia embora.. --- Katherine! - O analista sem barba me chamou. --- Oi? - Falei. --- Nós precisamos conversar! - Ele disse. --- Precisamos é? - Perguntei sem graça. -- Sim, podemos ir até o meu apartamento enquanto o meu carro não fica pronto? - Ele perguntou. --- No seu apartamento? E a sua esposa? - Cochichei. ---- Te explico tudo lá. - Sorriu de leve. ---- Entra aí! - Abri a porta do meu carro, ele falou com o Rick rapidamente, e entrou. Fui me despedir do Ricardo, ele deu um beijo em meu pescoço, e eu saí quase correndo. --- Mas que cara s****o! - Adrian reclamou. --- Ele é assim mesmo! Já até acostumei! - Falei sorrindo, saindo da oficina. ---- Eu hein?! Ficar beijando o pescoço das moças por aí.. - Resmungou, e fomos o restante do caminho em silêncio. Ao chegarmos no apartamento dele, nós entramos,ele me pediu que eu sentasse no sofá, e logo ele sentou-se ao meu lado. ---- Então, como está a relação com o tal Dimitri? - Perguntou sério. ---- Na verdade, não está! Eu resolvi seguir a minha vida, e mesmo ainda sofrendo um pouco,eu estou tentando controlar as minhas emoções. Não pretendo mais dar uma nova chance para ele, pois não quero me magoar ainda mais. ----- E isto é muito bom! Não precisou nem você ter que seguir aquelas lições que te passei! Você é uma mulher de fibra! - Me olhou, e eu corei automaticamente. ---- E a sua esposa? Onde ela está?- Perguntei olhando para os lados. ---- Ela não está mais aqui. - Ele baixou a cabeça. ---- Por quê? Vocês se separaram? - Perguntei assustada. ---- Não! Eu,eu..a matei! - Ele começou um pranto. ---- Você, o quê? - Arregalei os olhos. ---- Tudo aconteceu em uma madrugada qualquer. Eu, ela,e o nosso filho, havíamos acabado de voltar das férias que passamos em Orlando, e a mãe dela com saudades, queria ver o neto, então quando chegamos em São Paulo, Irma queria á qualquer custo ir para o Rio ver a mãe dela, mas eu não queria ir por quê estava muito cansado. Então, ao chegarmos aqui, ela trancou-se em nosso quarto, passou o dia isolada,e quando finalmente saiu ás 22:00 horas, nós discutimos, ela disse que eu nunca fazia o que ela pedia, que eu só pensava em mim, então eu pedi que ela arrumasse as nossas malas, pois iríamos passar o fim de semana com a mãe dela,e viajaríamos imediatamente. Rapidamente, ele arrumou tudo, e nós saímos daqui exatamente ás 23:30 da noite. A viagem seria longa, mas eu faria qualquer coisa para vê-la sorrir. Seguimos viagem eu, ela e o nosso garotinho, e por puro azar, quando estávamos quase chegando á casa dos pais de Irma,um caminhão baú de grande porte invadiu a contra mão desgovernado, e nos atingiu! O nosso carro desceu uma ribanceira, e o acidente foi fatal! Eu estava cansado, mas em momento algum dormi no volante! Eu estava lúcido o tempo todo, e eu me culpo muito por isso! Eu me culpo por não ter conseguido fazer nada, me culpo por ter ficado vivo. - Ele chorava muito, e eu também. ---- Mas se você está aqui, é por quê Deus te permitiu! Ele tem um plano na tua vida! - Falei chorando muito. --- Deus? Eu não tenho motivos para acreditar nesse Deus! Eu perdi as duas razões da minha vida, a família da Irma me culpa por isso até hoje, e você vem me falar de Deus? Eu não creio em Deus! Eu sou psicológo,psicanalista, e não faz sentindo algum,eu crer em Deus! - Agora, ele estava exaltado. ----- Calma! Eu te entendo! - O abracei, e ele chorou. Para mim, foi um grande choque ouvir a história do Adrian. Eu me enganei totalmente! Ele era um homem sofrido, angustiado, sem força para viver. Eu fiquei muito comovida,e me senti na obrigação, de fazer alguma coisa por ele! Eu precisava ajudá-lo de alguma maneira.
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