CAPÍTULO 6
A Caixa de Madeira
Narrado por Caroline
Subo ao meu quarto mas antes de entrar, vejo no fundo do corredor umas asas brancas.
Mas que p***a.
Decido ir até lá e ao virar o corredor, vejo as mesmas asas, perto da porta que dá acesso ao sótão e desaparecem.
Apresso o meu passo e abro a porta, olho para o cimo das escadas, mas não vejo nada, decido subir.
Os meus pais não gostam que ninguém vá lá acima, mas nós sempre fomos sem nos importar muito.
O sótão é um lugar lindo, não é nada daqueles sótão escuros que só tem tralha e porcarias que já não servem para nada, não, o nosso sótão tem tudo o que era dos nossos antepassados, foi ficando ali mas sempre tudo limpo e arrumado.
É um lugar enorme, bem ventilado e cheio de claridade. O melhor lugar para se ver toda a cidade, o lado das casas e o lado da imensa floresta.
Fico ali um bom bocado, apenas a admirar a bonita vista da floresta.
Durante o dia não parece assim tão assustadora, mas ela possui algo mágico.
A floresta tem o nome de "Floresta Vermelha", diz a lenda que no passado, há uns mil anos, ali foi concebido o primeiro híbrido, filho de uma mãe loba e um pai vampiro, mas há também quem diga que foi nas Montanhas de Gelo, vai-se lá saber uma coisa que foi à séculos, enfim, continuando. A mãe que era uma lobisomem, era solteira mas apaixonou-se por um vampiro e mesmo contra os seus clãs eles se juntaram, estavam apaixonados, loucos de amor e ela acabou por engravidar e nasceu então esse híbrido. Que dizem as lendas era poderoso e todos o receavam, porque ele ainda por cima era imortal, nada o mataria.
Os nomes ninguém sabe, ninguém ousa falar nisso.
E o resto da história também ninguém conta.
Já ouvi também murmúrios de que ali fazem bruxarias e feitiços, ainda nos dias de hoje.
Balelas é o que eu acho.
Bruxas e isso não existe.
E a lenda, não sei, foi há mil anos, deus pai do Céu, já passou uma eternidade e acho mais ser uma história para assustar as crianças e o povo do que outra coisa.
Sinto um forte arrepio, e um vento passa pelos meus cabelos, mas todas as janelas estão fechadas.
Decido ir embora, mas antes de sair, uma coisa brilhante me chama a atenção, num canto de um dos armários.
Vou para lá e vejo que é uma caixa, uma caixa de madeira antiga, mas é maravilhosamente bela.
Tem várias figuras desenhadas na própria madeira, olho com atenção para perceber o que são as figuras.
Então vejo uma fogueira no meio da caixa, e disperso pela caixa tem homens e mulheres que na imagem ao lado já não são homens nem mulheres, mas sim vampiros e lobisomens, vejo também figuras que me parecem as tão faladas bruxas, porque elas colocam o que me parece ser pozinhos no ar e outras com as mãos no ar em frente à fogueira.
E por fim, vejo o que me parece ser uma figura feminina a ser sugada para dentro de algo, que não consigo perceber o que é.
Tento abrir a caixa que tem uma pequena fechadura, mas ela não abre, está fechada à chave e por muita força que faça ela não move um único centímetro.
Raios, abano-a a tentar perceber se tem algo dentro, mas nada se move lá dentro.
Será que está vazia??
Mas se estivesse vazia porque estaria fechada à chave??
Hum, preciso de descobrir o que tem dentro.
Procuro por alguma chave, mas não encontro nada.
Estou intrigada, porque a fechadura me parece frágil mas não é, por muita força que eu faça ela não se mexe.
Que estranho.
Decido ir embora, escondo a caixa dentro de uma das gavetas e coloco roupas por cima.
Não sei porque faço isto, mas o meu íntimo o diz para fazer.