CAPÍTULO 8
A Tempestade
Narrado por Caroline
À noite era para ir ter com o Cassius, mas começou uma tempestade b***a.
O clima tem vindo a mudar muito, aqui em Nanubia.
Há mais ou menos um ano, começaram estas tempestades que apareciam do nada, podia estar sol, mas de uma hora para a outra o tempo mudava completamente e os dias de chuva intensa podiam durar dias e noites seguidas.
Liguei para ele, mas estava fora de área, também acontecia isso muitas vezes, as redes ficavam todas trocadas.
Batem na porta do meu quarto.
— Entre.
— Maninha, o jantar está na mesa.
Descemos e vamos nos juntar aos nossos pais.
— Não gosto nada destas tempestades. — oiço o meu pai a resmungar, enquanto se servia de batatas.
A minha mãe olha para ele com ar preocupado e reprovador.
Não sei porquê, mas aquilo despertou algo em mim, parecia que a minha mãe não queria que se falasse à nossa frente e depressa mudou de assunto.
Minha Fada
Narrado por Caroline
— Caroline, Caroline.
Ouço uma voz a sussurrar o meu nome.
Acordo e demoro a perceber onde eu estou.
Percebo então que estou no meu quarto, mas a mobília é completamente diferente.
Os lençóis são diferentes, tudo é diferente.
— Mas… — calo-me de repente. Vejo uma silhueta na minha varanda.
Quem será?
Por incrível que pareça não me sinto assustada. Levanto-me e vou ter com quem ali está.
Percebo que também o meu pijama deu lugar a uma camisa de dormir comprida e branca, com uns folhos na frente.
Mas que p***a é esta?
Ao chegar perto, percebo que é um homem, alto, pra aí 1,80cm, ele está de costas, mas vejo que ele tem costas largas e cabelo curto loiro.
Ele vira-se para mim na mesma altura que vejo as duas luas vermelhas se formarem no céu, no segundo seguinte ele está encostado a mim, não consigo ver o seu rosto, porque ele o tem encostado no meu ouvido e me agarra a nuca com uma das mãos. Nem sei como chegou perto de mim tão rápido.
— Caroline! — a sua voz sensual e rouca juntamente com o calor que ele inala me deixa inebriada. O perfume amadeirado com canela, invade o ar e eu me sinto excitada na hora.
Ele dá um leve beijo no nódulo da minha orelha e vejo as duas luas vermelhas inquietas no céu, parecem até mais vermelhas.
— Encontra a chave, descobre o enigma, minha fada.
Ele fala dentro do meu ouvido, bem baixinho. Sinto o calor da sua boca.
— Mitchell! — falo tão baixo, como se fosse um gemido.
Acordo desnorteada na cama.
Sinto a casa a abanar com o enorme trovão que me acordou.
Olho para todo o lado e estou realmente sentada na minha cama, esta é a minha mobília, estes são os meus lençóis. Olho para a janela e ela não está aberta de par em par. Os estores estão abertos e entra apenas a luz da lua.
Tento acender a luz, mas percebo que não há luz, deve ter sido por causa da tempestade e dos trovões.
Olho para mim e tenho vestido o meu pijama lilás.
— Mas que merda se passa com a minha cabeça de andorinha ao vento, meu deus, estou louca.
Penso no sonho, sim, porque foi apenas mais um sonho estranho a juntar-se a um monte de sonhos estranhos que tenho tido, mas cada vez são mais reais e assustadores. Parece que sinto ainda a presença daquele homem colado a mim, o seu cheiro viciante, a sua mão na minha nuca, os seus lábios no meu ouvido, "Mitchell ".
— Mas quem raio é Mitchell ? E porque o chamei assim? Eu nem o conheço, aliás nem vi a sua cara.
Tento me recordar, o que ele sussurrou no meu ouvido.
Não me lembro, faço um esforço, tento me focar nas suas palavras.
"Encontra a chave, descobre o enigma, minha fada"
Porque é que a voz dele me parece tão familiar?
E onde eu já ouvi me chamarem de "minha fada?"
Porque também essa frase me é familiar?
E que chave eu preciso encontrar? E que enigma eu preciso descobrir?
Tantas perguntas e nenhuma resposta.
Quero me convencer que é apenas um sonho, mas algo dentro de mim me diz que algo vai mudar, muito em breve.