CAPÍTULO 8 A Tempestade

729 Words
CAPÍTULO 8 A Tempestade Narrado por Caroline À noite era para ir ter com o Cassius, mas começou uma tempestade b***a. O clima tem vindo a mudar muito, aqui em Nanubia. Há mais ou menos um ano, começaram estas tempestades que apareciam do nada, podia estar sol, mas de uma hora para a outra o tempo mudava completamente e os dias de chuva intensa podiam durar dias e noites seguidas. Liguei para ele, mas estava fora de área, também acontecia isso muitas vezes, as redes ficavam todas trocadas. Batem na porta do meu quarto. — Entre. — Maninha, o jantar está na mesa. Descemos e vamos nos juntar aos nossos pais. — Não gosto nada destas tempestades. — oiço o meu pai a resmungar, enquanto se servia de batatas. A minha mãe olha para ele com ar preocupado e reprovador. Não sei porquê, mas aquilo despertou algo em mim, parecia que a minha mãe não queria que se falasse à nossa frente e depressa mudou de assunto. Minha Fada Narrado por Caroline — Caroline, Caroline. Ouço uma voz a sussurrar o meu nome. Acordo e demoro a perceber onde eu estou. Percebo então que estou no meu quarto, mas a mobília é completamente diferente. Os lençóis são diferentes, tudo é diferente. — Mas… — calo-me de repente. Vejo uma silhueta na minha varanda. Quem será? Por incrível que pareça não me sinto assustada. Levanto-me e vou ter com quem ali está. Percebo que também o meu pijama deu lugar a uma camisa de dormir comprida e branca, com uns folhos na frente. Mas que p***a é esta? Ao chegar perto, percebo que é um homem, alto, pra aí 1,80cm, ele está de costas, mas vejo que ele tem costas largas e cabelo curto loiro. Ele vira-se para mim na mesma altura que vejo as duas luas vermelhas se formarem no céu, no segundo seguinte ele está encostado a mim, não consigo ver o seu rosto, porque ele o tem encostado no meu ouvido e me agarra a nuca com uma das mãos. Nem sei como chegou perto de mim tão rápido. — Caroline! — a sua voz sensual e rouca juntamente com o calor que ele inala me deixa inebriada. O perfume amadeirado com canela, invade o ar e eu me sinto excitada na hora. Ele dá um leve beijo no nódulo da minha orelha e vejo as duas luas vermelhas inquietas no céu, parecem até mais vermelhas. — Encontra a chave, descobre o enigma, minha fada. Ele fala dentro do meu ouvido, bem baixinho. Sinto o calor da sua boca. — Mitchell! — falo tão baixo, como se fosse um gemido. Acordo desnorteada na cama. Sinto a casa a abanar com o enorme trovão que me acordou. Olho para todo o lado e estou realmente sentada na minha cama, esta é a minha mobília, estes são os meus lençóis. Olho para a janela e ela não está aberta de par em par. Os estores estão abertos e entra apenas a luz da lua. Tento acender a luz, mas percebo que não há luz, deve ter sido por causa da tempestade e dos trovões. Olho para mim e tenho vestido o meu pijama lilás. — Mas que merda se passa com a minha cabeça de andorinha ao vento, meu deus, estou louca. Penso no sonho, sim, porque foi apenas mais um sonho estranho a juntar-se a um monte de sonhos estranhos que tenho tido, mas cada vez são mais reais e assustadores. Parece que sinto ainda a presença daquele homem colado a mim, o seu cheiro viciante, a sua mão na minha nuca, os seus lábios no meu ouvido, "Mitchell ". — Mas quem raio é Mitchell ? E porque o chamei assim? Eu nem o conheço, aliás nem vi a sua cara. Tento me recordar, o que ele sussurrou no meu ouvido. Não me lembro, faço um esforço, tento me focar nas suas palavras. "Encontra a chave, descobre o enigma, minha fada" Porque é que a voz dele me parece tão familiar? E onde eu já ouvi me chamarem de "minha fada?" Porque também essa frase me é familiar? E que chave eu preciso encontrar? E que enigma eu preciso descobrir? Tantas perguntas e nenhuma resposta. Quero me convencer que é apenas um sonho, mas algo dentro de mim me diz que algo vai mudar, muito em breve.
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