A convivência sob o mesmo teto era uma montanha-russa imprevisível. Helena e Rafael estavam aprendendo, da maneira mais caótica possível, como compartilhar o mesmo espaço sem se matarem — ou pelo menos tentavam. Entre o estilo extravagante dele e a rotina organizada dela, os atritos se tornavam inevitáveis e, muitas vezes, hilários. Era sábado de manhã, e Rafael estava sentado na bancada da cozinha, ainda de pijama, comendo cereal diretamente da caixa. Helena entrou na cozinha, impecavelmente vestida para o dia, e parou ao vê-lo. — Você não sabe usar uma tigela? — perguntou, cruzando os braços. — Claro que sei. Mas assim economizo tempo e louça. — Ele piscou para ela, que suspirou. — Não consigo acreditar que vou me casar com você. — Bem, eu também não consigo acreditar que vou me cas

