Capítulo 2 - A Ligação do Par

1750 Words
Noah "Companheiraaaaa!!!" rugiu meu lobo. Congelei, meu coração parando no momento em que meu lobo soltou aquele rosnado terrível, todos os seus sentidos se ajustando e se concentrando nos olhos verdes enganadores que encontraram os nossos. Foi o contato mais breve, m*l dez segundos antes de ela desabar na nossa frente. Mas foi mais do que suficiente. O estrago estava feito. Agora eu tenho uma companheira. Novamente. Algumas horas atrás... "Por que essa coisa de escrava é problema nosso mesmo?" questionou o Gamma Eli enquanto nos esgueirávamos pela multidão e entrávamos na pequena habitação improvisada no final da floresta, quase ao pé das altas montanhas que nos cercavam. Ficava escondida em uma pequena f***a cercada pelas montanhas enormes e, portanto, a não ser que você realmente conhecesse o caminho, era difícil notar aqueles lobos. Parecia um grupo de nômades renegados, julgando pelo nojento cheiro renegado que nos atingiu imediatamente. "Porque isso é território Gray Crest, e é ilegal.", respondi. "Não é essa área pertencente aos Blue Hounds?" ele franziu o cenho. "Isso deveria ser responsabilidade do alfa Jordan, não é?" "Blue Hounds é uma filial de Gray Crest.", revirei os olhos. "E sim, deveria ser, mas isso é um assunto grave o suficiente para nós intervirmos. Claramente, você não prestou atenção em nada nos últimos quinze dias. Não apenas os Blue Hounds, mas muitos outros grupos relataram casos de jovens ômegas desaparecendo de suas alcateias nos últimos seis meses, e dez desses grupos estão sob o tratado de aliança com Gray Crest. Já estava na hora de intervirmos." "Você vai lutar?" Eli perguntou, não parecendo satisfeito com a ideia. "Somos só nós dois contra esses renegados fedorentos ou seja lá o que esses malditos imundos são." "Você está com medo?" exigi. "Você deveria ser um lobo gama, Eli. E deveria se envergonhar de pedir algo assim ao seu alfa." Os gamas em nossa alcateia, Gray Crest, eram responsáveis por patrulhar e trabalhar como mensageiros, o que significava que, assim como nossos guerreiros da linha de frente, eles também precisavam ser bem treinados em combate. "Desculpe. Mas ainda estou aprendendo.", resmungou. "E eu adoraria viver e encontrar minha companheira." .” Notei como seus olhos se iluminaram ao mencionar as companheiras e apertei minha mandíbula, lutando contra a vontade de estourar a bolha de felicidade dele sobre esse assunto. Para mim, todo o conceito de companheiras era nada além de uma maldição. "Concentre-se..", disse, parecendo um pouco austero enquanto observávamos ao redor. "O que vocês estão fazendo?" piscamos com a voz rude, nos virando para ver um sujeito de aparência desprezível mastigando um palito de dente enquanto nos fitava suspeitosamente. "Estamos aqui para fazer uma oferta pelo nosso alfa.", menti, mantendo meu rosto impassível e olhando fixamente nos olhos dele. Ele me avaliou dos pés à cabeça e depois a Eli antes de nos dar um aceno. "Por ali.", murmurou, apontando para a gigantesca tenda amarela no centro. Assentimos, e eu arrastei Eli em direção à tenda, muito ciente de seus olhares sobre nós. Ao mesmo tempo, observei rapidamente ao redor, registrando tudo. Seria útil investigar mais tarde. "Aja naturalmente.", adverti, novamente interrompido por dois homens com aparência igualmente suja logo na entrada da tenda. Ficamos imóveis enquanto eles nos inspecionavam dos pés à cabeça antes de nos permitir entrar onde muitos outros já haviam se reunido. Havia cadeiras colocadas em círculo ao redor da tenda e havia um palco elevado de madeira no centro. "Vamos.", murmurei, seguindo direto para duas cadeiras vazias na frente. A maioria delas já estava ocupada, e eu me perguntava como essas pessoas sequer descobriram sobre essa coisa. Precisamente dez minutos depois, um homem enorme coberto de tatuagens entrou pisando duro na tenda e, ao observar a multidão, um sorriso presunçoso atravessou seu rosto. "Vamos começar o leilão.", anunciou com voz áspera. "Tragam ela.” Não sei a quem ele deu a ordem, mas um momento depois, o sujeito que encontramos antes arrastou uma garota bem jovem para dentro e fiquei chocado ao ver como ela estava amarrada em correntes. Ambos os pulsos estavam presos juntos e uma corrente de ferro resistente conectava a algema com aquelas em seus tornozelos. "Que p***a é essa?" Eli sibilou ao meu lado. Apertei minha mandíbula, forçando-me a ficar parado conforme ele a empurrava para o palco de madeira e a desacorrentava. Notei que ela estava vestindo um vestido leve parecido com um roupão. "Primeiro lance.", disse o cara tatuado alto. "Sangue de ômega. Ainda com dezoito anos e intocada. O resto está tudo aberto para seus olhos.” Ele acenou para o outro cara e congelei em meu assento enquanto ele desatava o cinturão e o vestido tipo roupão caía aos pés da garota, deixando-a completamente nua aos olhos de cada um de nós. Ela soluçou e tentou se cobrir de alguma forma, mas o sujeito segurou sua mão e lhe lançou um olhar assassino. Minhas mãos tremiam, um rosnado baixo escapando da minha garganta enquanto eu me forçava a desviar o olhar. Isso era nojento, e isso era dizer o mínimo. "Você está chamando a atenção, alfa." Eli sussurrou, e levantei os olhos para ver metade da sala me lançando olhares. Respirando fundo, tentei me controlar e parecer tão indiferente quanto os outros ao meu redor. "Vamos começar com um lance de dez mil dólares.", murmurou o cara tatuado. "Dez mil dólares pela jovem beleza?" "Dez mil.", alguém disse do outro lado. "Dez mil! Temos quinze? Quinze mil dólares, alguém?" Eu não podia deixar de olhar para a menina e meu coração doeu por ela. Eu queria tanto poder ajudá-la a escapar de alguma forma. Ela não merecia aquilo. Ninguém nunca merecia aquilo. Mas eu estava indefeso. Por enquanto, eu estava aqui apenas para investigar, mas quando eu pegar esses desgraçados... Vou garantir que paguem. "Cem mil dólares! Dou-lhe uma… Dou-lhe duas e vendida!" "Cem mil?" Eli sibilou, parecendo chocado. "Começou com dez!" "Mais dinheiro para as garotas jovens e intocadas.", respondi. O cara assentiu e o outro cobriu a menina novamente e a puxou para baixo. "O próximo lance é..." Antes que ele pudesse completar, de repente um dos guardas tropeçou para dentro, parecendo que tinha se dado m*l. Eu observei enquanto ele sussurrava algo em seu ouvido e devia ser algo r**m porque o cara tatuado empalideceu, seus olhos ficaram vermelhos de fúria. "O quê?" ele rugiu, agarrando-o pela gola. "Fugiu? Bem, então a encontrem! Mandem os caçadores atrás dela." Eu franzi a testa, curioso para saber o que de repente aconteceu para deixá-lo tão irritado assim. "O leilão está encerrado por hoje!" assobiou o cara tatuado. "O primeiro licitante, pegue seu lance dele." Murmúrios insatisfeitos e raivosos se espalharam, mas ignorando isso, o cara tatuado saiu seguido pelo parceiro. "Graças a Deus!", Eli fez uma careta enquanto seguíamos a multidão do lado de fora. "Eu não poderia suportar isso mais. Então, para onde estamos indo agora? De volta para a alcateia?" "Você volta.", eu disse. "E avise o alfa Jordon o que aconteceu aqui. Vou dar uma corrida. Voltamos para casa amanhã. Vi o que precisava ver." "Mas?" "Vá.", ordenei e, dando-lhe um aceno de cabeça, disparei na direção oposta, mais profundamente na floresta. Não sei se foi por testemunhar essa monstruosidade ou o quê, mas de repente havia um estranho m*l-estar dentro de mim. Como se algo estivesse prestes a acontecer, ou melhor, alguém me chamando. A inquietação estava realmente se arrastando nos últimos dias, mas de repente parecia ter se intensificado. "Noel, é você?" Eu fiz uma careta para o meu lobo, finalmente encontrando um local seguro mais profundo na floresta para me despir. "Ia te perguntar a mesma coisa.", resmungou ele. "Está me irritando agora." "Bem, não sou eu.", rolei os olhos antes de fechá-los. Respirando fundo, rapidamente me transformei. E parecia uma ideia terrível, já que a inquietação se intensificou. Noel parecia irritado e com raiva por algum motivo, correndo pela floresta em alta velocidade. O vento frio nos atingindo geralmente me ajuda a me acalmar, mas não hoje. "O que está acontecendo com o clima, de repente?" Noel resmungou, quando finalmente paramos em frente a uma pequena nascente, perdendo eficientemente a noção do tempo. De repente, tinha escurecido muito. "Parece que uma tempestade está chegando.", fiz uma careta e olhei para cima para ver nuvens escuras rolando no céu. Não só isso, mas de repente, do nada, um vento muito forte começou a soprar. Foi assustador, porque até poucos minutos atrás, o clima estava ótimo. "Isso é assustador.", eu disse, piscando para as ondulações na superfície clara da nascente. "Algo não está certo.", sussurrou Noel, e eu tive que concordar. Na escala de um a dez, a inquietação que nos incomodava subiu para cem. Era um sentimento realmente difícil de explicar. Como se algo nos puxasse e arrastasse. Alguém nos chamando. Antes que eu pudesse responder, um grito aterrorizante ecoou pela floresta. Era uma voz feminina. E logo depois veio um uivo feroz que quase fez as árvores tremerem. E não foi um, mas vários que o seguiram. O vento se intensificou, quase tornando difícil enxergar, e abruptamente, sem nenhum aviso, Noel correu na direção dos uivos. Que p***a era essa? "Noel, o que diabos você está fazendo!" Exclamei. "Eu não quero me envolver na confusão de ninguém. Pare!" Ele soltou um rosnado aterrorizante, me ignorando completamente, e não demorou muito para eu perceber que tinha perdido o controle sobre ele. Ele corria pela floresta como uma b***a enlouquecida, e quanto mais perto chegávamos desses sons, mais forte a inquietação se tornava. Eu podia sentir aquele mesmo cheiro nojento de rogues de antes, além do cheiro usual da floresta. Mas também havia um cheiro que se destacava. Era tão forte que sobrepujava todos os outros. Os rogues, as árvores, o solo da floresta... ele dominava tudo. De repente, Noel parou, e eu pisquei enquanto uma figura pequena tombava aos nossos pés. Eu fiquei em branco quando meus olhos pousaram nela. O cheiro... o cheiro avassalador. Era dela. Meu lobo de repente ficou enlouquecido, soltando um grito alto e agonizante. Levei um momento para entender por que ele estava se comportando dessa maneira. Parecia que a história estava se repetindo, porque o momento em que meus olhos pousaram nela e se encontraram com um olhar verde atormentado, tudo dentro de mim mudou. A inquietação desapareceu, substituída por um sentimento há muito perdido. Um sentimento que eu temia mais do que a morte, mais do que qualquer coisa. A ligação de companheiro.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD