CAPÍTULO 5

2236 Words
Passei a tarde toda com a minha mãe. Ficamos no shopping até tarde. Fizemos compras, lanchamos. Até pegamos um cineminha, coisa que ela adorava e deixou de fazer. Voltamos para casa já era quase dez da noite. Estava cansada, mas adorei passar o dia com minha mãe, adorei ver novamente o brilho nos olhos dela. Espero que ela se apegue aos prazeres da vida para se libertar de vez da solidão que aflige e a afligiu desde que papai saiu de casa. - Filha, estou morta de cansada, mas amei o dia de hoje com você. Ela fala se jogado no sofá. - Que bom mãe. Era isso que queria da Sra. Espero te ver com essa alegria de hoje mais vezes. Ela se levanta e senta perto de mim. - Obrigada por não desistir de mim em nenhum momento. Sei que as vezes não sou fácil. Te cobro demais que fique mais comigo. Isso tudo é medo de te perder. Eu amei e amo tanto seu pai que me doeu demais ele ter pedido o divórcio, e depois ter reconstruído a sua vida. Tenho medo que isso aconteça com você. Eu não quero te perder. Ela fala meio chorosa. - E não vai mamãe. Eu vou continuar sendo sua filha seja onde estiver. Eu vou estar aqui para você. - Você e Henry estão pretendendo casar? Suspiro. - Ele já me pediu para morar com ele, mas eu ainda preciso cuidar de você primeiro. - Eu não quero atrapalhar seus planos, mas também não queria que você se afastasse de mim. - Isso não vai acontecer. Já disse, onde eu estiver eu estarei aqui para você mamãe. Então pare com essa insegurança e vamos jogar essa tristeza fora. - Você tem razão. Passamos o dia tão feliz e animado que não quero estragar isso por nada. Vamos tomar um banho e descansar. Assinto sorrindo. - Isso mesmo. Amanhã temos mais. Digo sorrindo mais. Levantamos e vamos cada uma para seu quarto. Pego meu celular antes de tomar um banho e ligo para Henry. Ele atende no segundo toque. - Achei que iria dormir sem ouvir sua voz. Ele fala e eu sorrio. - Claro que não amor. Acabei de chegar com minha mãe. - Achei que vocês iriam somente na escola de dança. - A princípio sim, mas tive a ideia de irmos para o shopping e fazer uma compras. Depois acabamos vendo um filme. - Ela está mais animada? - Sim. Ficou muito animada. Fiquei feliz por ela. Espero que ela se liberte de vez. - Espero também que ela fique bem. Mas queria te ver amanhã, porém tenho um jantar de negócios. - Que pena, porque iria te chamar para fazer um programa com minha mãe. - A noite? Saímos nós três? - Sim. Você ver algum problema nisso? - Não por mim, Antonella, mas sua mãe não gosta de mim. - Não é verdade. Ela só está com receio que casando com você, eu me afaste dela. - Somos dois egoístas que não quer dividir a pessoa que ama. - Sei como é. - Mas me diz, onde você está pensando em levá-la? Estou com receio de dizer para ele. Henry é inseguro e muito ciumento. Não que não sinta ciúmes dele, mas ele com a sua insegurança consegue colocar mais peso em seus ciúmes. - Queria levá-la em uma encontro as cegas. - Encontro as cegas? Não quero saber de você participando disso. - Henry, eu não iria participar. Eu só iria acompanhá-la. Por isso estou te chamando para ir comigo, porque assim a gente poderia ficar no restaurante e ela ficaria na parte onde rola o encontro as cegas. - Eu não poderei ir. Porque não chama sua prima para acompanhar vocês. Faço uma careta. Alicia está amarga demais para sair. Ela é capaz de colocar peso na nossa alegria. - Vou chamar ela e Wilma, assim fazemos um programa de meninas. - Prefiro. Não quero você sozinha nesses lugares, ainda mais sabendo que tem vários homens ali em busca de alguém. Reviro meus olhos. - Tudo bem Sr. Eu vou chamar as meninas. Não se preocupe. - Ótimo. Nos vemos na quarta? - Claro que sim. Podemos almoçar juntos, porque a noite tenho um evento. - Eu sei. Essa semana será quarta e sexta. Lembre-se que vamos acampar esse final de semana. - Vou começar a fazer minha mala Sr Davies, não se preocupe. Digo empolgada. - Que bom, então nos vemos na quarta na hora do almoço. - Combinado. Te amo. - Também te amo. Desligamos e eu suspirei como uma adolescente. Eu amo esse homem como nunca amei ninguém. Tirei minhas roupas e fui para o banheiro. Tomei meu banho demorado e depois sair enrolada em uma toalha. No outro dia já estava de pé para mais um dia com minha mãe. Assim que cheguei na mesa Alicia e ela junto com Sol estavam na mesa tomando café. - Bom dia família! Digo dando um beijo no rosto da mamãe e de Sol. - Bom dia querida. Já estou até pronta para nosso dia hoje. - Que ótimo mãe. Estou gostando de ver. Vamos tomar um café reforçado para nos arrumar e sair. Digo feliz pela animação dela. - O que vamos fazer hoje. - Academia e mais tarde surpresa. Olho para Alicia que está calada com sua cabeça baixa. Você está bem Alicia? - Sim. Estou. Assinto. - E que tal você vim com a gente para academia e depois para nossa surpresa. Quem sabe você até se empolgue com a nossa surpresa. - Não sei. Não quero atrapalhar seus passeios. - Não vai atrapalhar filha. Você vai se sentir bem. Ontem estava maravilhada, foi muito bom. - Estou vendo Tia. A sua feição mostra isso. - Então vem com a gente? Mamãe insiste. - Vou sim. É bom que eu me distraio. - Isso aí. Acho que nós duas estamos precisando disso. Alicia deu um sorriso forçado e não disse mais nada. Eu gostaria de entender o que há de errado com ela. Sei que perder a mãe, não foi algo que ela esperava, porém ela precisa viver, se libertar, tentar fazer algo que goste. Há, meu advogado já vai mandar providenciar um cartão de crédito para você. Franzo a testa. - Cartão de Crédito? Indaguei olhando para minha mãe. - Sim filha. Alicia estava precisando e eu pedir a nosso advogado para providenciar um para ela. Espero que não seja como dependente da minha mãe, porque Alicia não tem dinheiro para pagar as próprias contas. Sei disso, porque ela não junta dinheiro. Pegava o dinheiro que recebia e gastava tudo no mesmo dia com várias roupas. E eu não estou afim de bancar os gastos de ninguém, nem muito menos vou deixar minha mãe fazer isso. - Algum problema prima? Alicia indaga olhando para mim. - Nenhum. Desde que seja você arcando com os gastos. Ela suspira e abaixa a cabeça. Você já tem um plano para sua vida? Pretende voltar a estudar? - Não. Eu nunca gostei de estudar e nem quero fazer isso. Dou de ombros. Eu ainda não sei o que quero fazer. Mas você me cobra tanto isso. Há algum problema em eu não querer fazer nada? - Por tempo indeterminado? - Sim. Eu não pretendo procurar algo para fazer agora. Quero descansar. Descansar minha mente. Elevo minhas sobrancelhas. - Ok. Recomendo a você procurar um psicólogo. - Pra que? Ela questiona meio irritada. - Alicia, você chegou aqui, transtornada, sentida com a morte da sua mãe. Você não conversa direito sobre isso. Vive dentro do quarto. Não sai para nada. Vejo uma tristeza grande em seu olhar. Seria interessante você se abrir, e já que você não consegue se abrir com a gente, faça isso com um profissional. - Eu não preciso de nada. Eu só quero tempo. - Tudo bem. Você terá seu tempo. Não falarei mais nada. Só espero que você consiga se libertar e ainda espero que você se encontre em algo que goste de fazer. Ela não diz nada e se levanta. - Vou tomar um banho para gente sair. Assinto. Ela sai e minha mãe me olha. - O que foi mãe? - Eu já disse que você pega pesado com ela. Ela precisa de tempo, e nem isso você está dando a ela. Bufo. - Mãe, eu já disse que darei esse tempo a ela. Porém eu não quero que ela fique nas nossas costas sem fazer nada. - Qual é o problema? Temos dinheiro. Somos ricas, não há motivo para cobrar algo dela. - Mãe, Alicia já vivia na "mordomia", nunca trabalhou na vida, e isso mesmo não tendo nada. Dependendo de favores dos outros para ajudar com a mãe doente. Imagina como ela se sente com tudo que temos e oferecemos a ela? Não vai querer fazer mais nada da vida. - Não a julgue. Ela está ainda sentida pela falta da mãe. Como você sentiria no lugar dela? - Do mesmo jeito mãe. Devastada, porém eu nunca deixaria a Sra a mercê da morte. Eu trabalharia, lutaria até o fim da minha vida para ver a Sra bem. E Alicia não fez isso pela mãe dela. - Não coloco a culpa nela. A mãe dela já não estava bem e então era questão de dias que ela morresse. Alicia não poderia evitar. - Se Sra diz. Mas então a Sra pretende sustentá-la? Quero saber os planos da minha mãe. - Porque não damos uma pensão para ela? Elevo minhas sobrancelhas. Ela poderia ter um valor mensal para poder fazer o quiser. - Enquanto isso ela fica aqui em casa pensando na vida. Afirmo o óbvio. - Antonella, não precisamos disso. Temos dinheiro para dar para quem quiser, e neste momento sua prima está precisando. Depois se ela estiver melhor para voltar a trabalhar, ela fará, e nós tiramos a mesada. - Vou deixar isso nas suas mãos mãe. Afinal de contas o dinheiro é da Sra. Eu não posso me intrometer nisso. Ela me olha com certa mágoa. - Eu não quero que você fique chateada comigo. - Não estou e nem vou mãe. Eu só quero que a Sra abra seus olhos quando achar que está demais. - Eu vou. - Tudo bem. Agora vou me arrumar também. Sair da sala. Espero que minha mãe saiba o que está fazendo, porque eu não vou alimentar o comodismo. Não mesmo. Eu liguei para Wilma convidando ela para sairmos mais a noite. Ela aceitou. Também conversamos sobre a as demandas de amanhã a noite e de sexta feira a tarde. Tudo estava já organizado. Amanhã eu daria meu toque final. Liguei também para Henry. Conversamos um pouquinho e ele estava com sua carência de sempre. Eu queria saber o que deixou o mesmo tão frágil. Mas já agradeço por ele ter me contado um pouco do que houve na sua vida. Saímos Alicia, mamãe e eu. Fomos na academia, fizemos exercícios. Minha mãe estava um pouco enferrujada, mas estava se habituando bem aos exercícios mais leve. Fizemos pilates, aeróbica, dentre outros. Almoçamos fora. Fomos novamente nas aulas de dança. Alicia m*l se moveu no salão de dança. Ela estava emburrada. Com se não quisesse estar ali. Eu me pergunto, porque veio. Mas enfim, no final da tarde fomos em casa nos arrumar. Mais uma vez falei com Henry e ele estava indo para casa se arrumar para a reunião. Nos despedimos com palavras de amor e desligamos. Chegamos no restaurante onde tinha uma ala com encontro as cegas. Minha mãe estava achando que iriamos jantar fora. Comecei a rir da cara dela. - Mãe, a Sra não vai ficar aqui. Reservei um lugar para você lá dentro. Ela franze a testa. - Como assim? Não vamos jantar? Dou de ombros. - Se tudo dê certo ali, a Sra vai jantar com um possível amigo. - Não entende Antonella. Sorrio dela. - Vem. Levei ela para o local que já tinha bastante gente. - Que lugar é esse? Ele questiona sem entender. - É um lugar para a Sra conhecer pessoas. - Filha, isso é coisa de jovens da sua idade, e não para uma quarentona que nem eu. Gargalho dela. - Mãe, para conhecer alguém não precisa ter idade. E outra, aqui você vai encontrar pessoas de todos os tipos. Da sua idade também, então se divirta. As meninas e eu estamos ali. Ela leva a mão na boca. - Meu Deus! O que eu faço? - Vai ali senta, que o cronômetro na mesa vai começar a contar. A cada dez minutos um homem vai aparecer para bater um papo. Se a Sra quiser prolongar a conversa modifica o cronômetro para os minutos que desejar. - Antonella, como você sabe disso? Ela pede intrigada. - Andei pesquisando para minha mãe ter novamente uma vida. Para que minha mãe conhecesse pessoas. Então estamos aqui para isso. Sem pressão mãe. Só quero que a Sra se divirta. Vamos? Indago vendo um vestígio de indecisão em seu rosto. - Há, seja o que Deus quiser. Vou lá. Ela vai fazendo o sinal da cruz. Gargalho dela. Espero que ela se divirta muito. Não espero que ela arrume alguém de cara, quero somente que ela se encontre novamente e que veja que tem pessoas que precisam também de uma conversa assim como ela
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