Hoje era o dia de mais um evento, porém não era só um evento, era o evento. Mais exatamente o casamento de Desirée Davies. Minha amiga que conhece na faculdade se casará com Oliver Walker. Eu juro que não entendia o que ela viu nele, mas ela está toda apaixonada. Diz ela que foi amor a primeira vista. Não que eu não acredite nisso, porém o cara era um zero a esquerda. Fazia piadas de mau gosto e estava sempre tentando ser melhor do que os outros, sendo que ele não tem nada. Fora um emprego bom de gerente de um banco. Emprego esse arrumado pelo pai de Jacob, que é meu amigo. Fora isso o cara não tem nada para contar vantagens, porém eu estou aqui para apoiar minha amiga e cunhada. E também fazer com que esse evento seja lindo, pois afinal de contas é o casamento dela.
Ela preferiu que toda cerimônia fosse na praia, então estava eu aqui com minha equipe arrumando tudo. Seria uma espécie de luau. Desirée era toda simples. Mesmo rica não queria nada extravagante e nem muito chique. Queria algo mais simples e que todos os duzentos e cinquenta convidados se divertissem ao luau. Oliver já queria que seu casamento fosse a sensação do momento. Ele queria que todos os jornais de fofocas noticiassem o evento do ano, mas Desirée barrou tudo. No máximo um repórter estará aqui para cobrir a cerimônia e nada mais que isso. Apesar do que eu penso de Oliver, que ele não fará minha amiga feliz, ela não se deixa levar pelas coisas que ele fala e quer. Ela não deixa ele decidir a vida dela ou deles por capricho ou luxúria dele. Minha cunhada é toda centrada, e isso é bom, porque ela não sofrerá caso ele apronte algo.
Estava colocando as velas no lugar. Elas seriam acesas durante a festa que seria na praia também. Desirée quis um ambiente todo decorado a velas e tochas de fogo. Estava deixando tudo no jeito para meu pessoal aceder quando fosse a hora.
- Nem almoçar hoje com a minha namorada eu pude. Henry chega atrás de mim vestido todo despojado, de uma bermuda escura e uma camisa polo da mesma cor. Ele estava lindo como sempre. Abro um enorme sorriso para ele.
- Você sabia que eu iria ficar agarrada aqui hoje. Digo passando os braços pelo pescoço dele.
- Sim, mas poderia ter fugido para almoçar comigo. Ele me dar um beijo gostoso. Correspondo com gosto, buscando sua língua com a mesma intensidade que ele busca a minha.
- Desculpe interromper, Antonella, mas eu preciso de você. Escuto Alícia falando do meu lado. Henry e eu cessamos o beijo e olhamos para minha prima estraga prazer.
- O que houve? Indaguei ainda grudada no meu namorado.
- Alguns vasos de flores vieram quebrados. Sorrio disso. Alícia é nova nisso. Ela não sabe ainda lidar com os pequenos contratempos que temos nesse trabalho.
- Não tem com que se preocupar. Eu trouxe a mais. Pode ir no meu carro e pegar. Falo dando a chave do meu carro para ela.
- Eu tenho que ver algumas coisas lá ainda. Você não pode pegar? Olho para Henry sabendo que Alícia está parada do nosso lado.
- Isso não vai te atrasar, então faça o favor de pegar. Falo olhando para ela que me olha ainda sem acreditar. Alguma dúvida Alícia? Indago.
- Não. Ela sai e eu suspiro.
- Ela não gostou muito.
- Não importa. Alícia tem que entender que aqui ela está trabalhando como qualquer um dos meus contratados. Não é porque ela é minha prima, que vou deixar ela fazer o que quer.
- Boa garota. Mas agora posso ter um pouco da sua atenção para mim?
- Nem pensar Sr. Sua irmã me mata. E outra daqui a pouco preciso ir me arrumar. Há não ser que você queira que seu par deixe você sozinho no altar ao lado do noivo.
- Nem pensar. Quero passar a noite com você do meu lado.
- Então Sr Davies, vai se arrumar, porque daqui a pouco eu irei.
- Eu te amo. Sorrio dando um selinho nele.
- Eu também te amo.
- Te pego na casa de praia daqui a pouco. Ele me beija com saudade e desejo.
- Te espero. Falo quando cessamos o beijo. Ele assentiu me dando outro selinho e se foi. Fico olhando ele entrar no seu carro e depois volto a minha atenção aos preparativos.
Henry e eu começamos a namorar quando sair da faculdade. Na verdade nos conhecemos na formatura. Não nós conhecemos antes, pois Desirée veio transferida de outro país. E por mais que passamos dois anos ligadas, criando um laço de amizade, eu não tinha tempo para sair. Mas sabia que ela tinha um irmão, e quando ele apareceu na formatura e Desirée me apresentou a ele, foi amor a primeira vista. Porém nada é perfeito, porque Henry é cheio de traumas, de insegurança. Ele não me diz o que houve para ele ser tão fechado. Neste tempo que estamos juntos eu conseguir um pouco dele, mas não o suficiente para ele se libertar de vez.
Eu queria entendê-lo, mas é difícil quando ele não dar a******a. E no começo era pior, pois eu cometi a burrada de fazer uma aposta com minhas amigas no dia da formatura. Disse que eu conseguiria ficar com ele naquela noite. Grande erro meu, porque ele se sentiu um lixo, e eu não pude tirar essa sensação dele por meses. Na verdade nem sei se conseguir, porque as vezes o pego me olhando e tenho a impressão que ele se sente ainda ofendido pelo que eu fiz. Porém eu já expliquei a ele que foi uma brincadeira de meninas bobas. Nunca achei que ele olharia para mim. Não por me considerar feia, ou mais ou menos para ele, porém Henry é um Deus Grego, um homão da p***a, e super amável. Seu único defeito que vejo é sua insegurança, e consequentemente ele é fechado demais.
- Já deixei tudo pronto. O que mais você quer que eu faça? Alícia pede chegando atrás de mim. Olho para ela e sua cara não é das melhores. Bufo.
- Alícia, eu entendo que você ainda está chateada por sua vida mudar tanto. Por perder sua mãe, mas você precisa dar a volta por cima. Precisa crescer e começar a ter prioridades na vida. Você parece uma pessoa amarga.
- Desculpe se eu não sou tão descolada como você. Elevo minhas sobrancelhas.
- Eu não quero que você se pareça comigo. Cada um tem sua essência, sua personalidade. Eu só estou dizendo que você precisa se abrir mais. Sorrir mais. Não descontar as suas frustrações nas pessoas. Você não está feliz aqui?
- O que você acha? Ser empregada da minha prima não é o que queria para minha vida. Fico chocada com que ela diz.
- Bem, isso eu não posso fazer nada. Só você tem o poder para mudar isso. Quando disse que era para você vir trabalhar comigo, eu queria que você se distraísse, que não ficasse em casa remoendo as coisas. Que tivesse um pouco de experiência em algo, já que nunca trabalhou e nem mesmo concluiu seus estudos. Alícia eu quero te ajudar, somente isso, mas se você acha que isso aqui não é para você, eu estou super tranquila quanto a isso. Pode seguir o seu caminho. Ela abaixa a cabeça.
- Desculpa. Eu hoje não estou legal. Ela fala pegando na minha mão e me olhando. Eu só estou tentando ter um pouco de mim de volta.
- Pois busque isso. Mas eu falo sério. Se quiser sair e procurar alguma outra coisa para você, se sinta a vontade. Não vou te prender aqui, porém se continuar comigo quero que entre de cabeça aqui. Esse é um trabalho que lidamos com as pessoas diariamente. O sorriso é a alma do negócio. Eu não posso ter uma pessoa sempre de m*l humor, de cara fechada, com raiva do mundo aqui.
- Eu vou melhorar. Eu prometo que vou dar a volta por cima. Ela me abraça e eu retribuo. Me desculpe mais uma vez. Ela fala e dar um beijo em meu rosto.
- Tudo bem. Já está tudo pronto aqui. Vai se arrumar, porque daqui a pouco a festa começa. Digo e ela assentiu saindo. Sinto muito o que ela passou, mas também vejo que Alícia não buscou nada na vida enquanto teve seus pais. Ela só quis viver a mordomia de uma vida que eles ofereciam e mais nada. E agora está pagando cara para aprender a sobreviver aqui fora.
Ela precisa crescer, precisa aprender uma profissão e se ela quiser ir para a faculdade, eu estarei mais que disposta em ajudá-la. O que não posso fazer é deixar ela na minha casa sendo sustentada pela minha mãe e não fazer nada. Isso ela não precisa esperar de mim.
O altar está pronto. Ficou simples e perfeito como Desirée queria. Olho o espaço da festa, também está maravilhoso. Agora era hora de me arrumar, pois eu seria uma das madrinhas. Eu iria me arrumar na casa de Praia de Desirée. Eu e todos os funcionários que cuidaria do bufê iríamos ficar por aqui mesmo. Desirée fez questão de ceder o espaço em sua casa para nós e ainda mandou uma cabeleireira e um maquiador para mim.
Tomei um banho e deixei a mágica por conta do maquiador e da cabeleireira. Eu só iria colocar a roupa após eles concluírem seus trabalhos. Enquanto isso estava olhando no meu celular algumas mensagens e logo tinha duas de Henry dizendo que estava me esperando já na sala. Sorrio disso. Ele sempre desesperado.
Me arrumei com o vestido de madrinha que Desirée havia escolhido. Ele é lindo. Neutro e curto. Como será na praia, Desirée achou melhor não colocar longo nas madrinhas e nem nela mesma, porque seu vestido de noiva é curto também. Nada extravagante, todos desenhados e costurados a mão pela babá dela. Ela não quis nenhum estilista, nada muito sofisticado como Oliver queria. Ele disse que sua mãe não queria que ela casasse com um vestido qualquer, mas Desirée bateu o martelo e deixou sua babá fazer os vestidos.
Estou pronta. Desço e vou direto para a sala. Logo vejo Alícia rindo de algo junto com Henry. Vou até eles.
- Oi amor. Digo e sua atenção vem direto para mim.
- Você está uma tentação. Ele fala. Não sei se gosto dessas pernas de fora para os olhos dos convidados, mas eu aceito só hoje. Pela minha irmã. Sorrio dele.
- Não se preocupe, você sabe que sou toda sua. Pisco para ele e ele me puxa para um selinho. Alícia ainda estava parada nos olhando. Alícia vai indo para fora que já vou lá dar instruções para todos. Ela fica me olhando e depois sai. Olho para o Deus Grego na minha frente que está lindo vestido com uma camisa social azul e uma bermuda branca. Look escolhido por Desirée.
- O que há com sua prima? Henry pede e eu não entendo a pergunta.
- Porque? Ela te disse algo? Pedir abraçando seu pescoço.
- Não. Por isso mesmo que estou perguntando. As vezes ela parece tão estranha. Ainda mais quando você chega perto. Sorrio dele.
- Um estranho falando do outro. Ele fecha cara, mas depois sorriu para mim. Ela ainda não se libertou de tudo que passou, mas eu espero que ela se liberte, assim como você.
- Não quero falar sobre isso. Suspiro olhando para ele.
- Namoramos tanto tempo e você ainda não se abre totalmente para mim. Alícia eu conheço a história, mas você não.
- Você me conhece melhor do que qualquer pessoa, e como disse eu não quero falar sobre isso.
- Tudo bem. Eu tenho que falar com meu pessoal. Depois a gente se ver.
- Eu não quero ficar abandonado na festa, Antonella. Ele me puxa pelo braço e fala me olhando.
- Além de madrinha eu também sou organizadora dessa festa, mas não se preocupe. Eu vou está com você. Dou um selinho nele e vou saindo.
Lá fora vou para onde meu time está aguardando. Dou instruções para os garçons e depois para os cozinheiros e assistente de cozinha. Volto atenção para todos os pratos que irão ser servidos. Tudo está como minha cunhada queria. Espero que tudo dê certo o resto da tarde e noite.