Álvaro Narrando A mesa estava posta. O relógio da sala marcava 20h02. Pontualidade sempre foi uma das primeiras coisas que ensinei à Maya. Quando ela entrou, alguns minutos atrasada, soube na mesma hora: havia algo errado. — Boa noite, pai. Ela tentou disfarçar. Mas eu vi. O olhar fugidio, os dedos inquietos, o tom da voz mais baixo do que o normal. Maya sempre foi transparente demais pra mim. — Sente-se — falei, direto. — Precisamos conversar. Ela obedeceu. Mas não com a mesma postura de antes. Ela estava… diferente. Como se, pela primeira vez, estivesse se permitindo ser dona de si. — Você não me mandou mensagem durante o dia. Nem avisou sobre aquele compromisso no fórum. Estava ocupada com o quê? — Eu estava resolvendo coisas pessoais. Pessoal. Essa palavra martelou nos meus ouv

