Maya Narrando Eu não conseguia dormir. Virei de um lado pro outro naquela cama enorme, onde o silêncio gritava mais alto do que qualquer sirene do morro. A brisa da madrugada entrava pela janela entreaberta, e mesmo assim, meu corpo queimava de inquietação. As palavras do Álvaro ainda ecoavam na minha cabeça, misturadas às imagens do Nicolas naquele beco escuro, com sangue no canto da boca e um sorriso debochado, como se não tivesse nada a perder. Eu odeio admitir, mas tem algo nele que me puxa. Que me desafia. Que me fere. E talvez por isso eu queira tanto entender. Peguei o celular e fiquei encarando a tela, o número dele ali, salvo sem nome, só um “N.”. Meus dedos quase discaram, mas parei. Respirei fundo. Eu não ia ser mais uma boba correndo atrás de homem problemático. Ou será qu

