Maya Narrando Subir aquele morro foi como atravessar um portal invisível. Lá embaixo, a cidade dormia. Silenciosa. Cheia de prédios espelhados, cercas elétricas e regras. Aqui em cima... era outra realidade. Colorida. Viva. Crua. Eu senti o chão sob os meus pés tremer diferente. Não por medo. Mas porque algo dentro de mim se despedia da zona de conforto. — Anda perto de mim — Nicolas disse, com o tom protetor que não pedi, mas que me aqueceu por dentro. A viela era apertada, cheirava a fritura, perfume forte e música alta. As pessoas se olhavam. Me olhavam. Eu sabia que não era dali. Sabia que eu chamava atenção. Branca demais. Arrumada demais. Olhar perdido demais. Mas ele... ele me fazia invisível. Ou pelo menos me fazia sentir segura. E isso, pra mim, já era tudo. — Essa é a quebr

