Guilherme O dia do meu casamento com Jing, aquela figura de porcelana, amanheceu como um prenúncio sombrio. Não havia em mim sequer uma faísca de alegria, apenas a resignação fria diante de mais uma obrigação imposta, um laço apertando ainda mais o nó que me prendia a esta pantomima de vida. A mera ideia de dividir o mesmo espaço com Tiago e Luisa durante a cerimônia já era o suficiente para inflamar uma raiva silenciosa, um fogo lento que consumia minhas entranhas. Uma das empregadas se aproximou, interrompendo o turbilhão amargo que me assaltava: Senhor Petrov, deixaram um presente de casamento para o senhor. Deixe sobre a mesa. - Respondi, a voz monocórdica, sem sequer dignificar o objeto com um olhar. O desinteresse era a máscara perfeita para a fúria que fervia sob a superfície. A

