Melissa on
Acordei mais uma vez com o som irritante do celular tocando, eu sabia que era a Emma ligando para perguntar quando eu iria chegar para darmos a notícia a aquele favelado, sinceramente, eu adoraria deixar o celular tocando e fingir que não ouvir, mas sabia que ela não desistiria até que eu atendesse, me sento tirando o soninho do rosto e pego o smartphone respirando fundo.
- Sabe... Sinto muita falta dos dias em que você me deixava terminar meu sono de beleza, eu poderia mandar te prender por uma tragédia dessas.
Digo levemente irritada recebendo uma risada da morena ao outro lado da linha, calço minhas pantufas e vou para o closet.
- Desculpa amiga, é que o T.H já chegou faz meia hora e eu não faço a minha ideia de como contar para ele.
Não preciso está do lado pra ter a noção do quanto ela está nervosa, até por que, não se pode esperar nada de um traficante, respiro fundo.
- Por que não: Oi TH, então, ontem eu descobrir que tinha uma plantinha dentro da minha barriga e como você é o único Favelado que eu durmo nós últimos 3 meses... Adivinha de quem é a plantinha? Só toma cuidado pra ele não pensar que é maconha.
Digo rindo passando a mão pelo cabelo enquanto passeio pelo meu closet, a mesma bufa.
- Não fala assim dele, ele é gente boa.
- Ata, Desculpa.
Me desculpo como se realmente me sentisse m*l por ferir os sentimentos daquele favelado.
- Olha... Eu vou me arrumar, fazer a minha oração pra nenhum favelado chegar perto de mim e já já mando David ou Sebastian me levar até aí, ok?
- Ok!
Desligo assim que recebo a resposta da mesma, só você Emma Magalhães Pedrito pra me fazer pisar em uma favela por três dias seguidos, jogo meu celular no puff e começo a procurar a roupa perfeita para ir até aquele lugar, optei por um uma saia azul claro cintura alta, que média até um pouco acima da metade da coxa, um cropped tomara que caia branco, uma havaianas azul bem clarinho.
Deixo a roupa em cima do puff e vou até o banheiro, retirei toda a minha roupa e entrei na banheira, ficando lá por uns 20 minutos, aproveitando o ar puro da Zona Sul, já que daqui a pouco estarei expirando o ar sujo e pesado daquela favela, me levantei e me enrolei na toalha indo direto pro Closet.
Visto a roupa, deixo meus cabelos soltos, com uma pequena trança no meio da divisão jogada para o lado da franja, faço uma make basica do dia a dia, coloco um óculos escuro e pego uma bolsinha lateral com as alças parecendo uma pequena corrente dourada, coloco meu celular e 150,00, assim que saiu do quarto desço as escadas me encontrando com Sebastian assim que chego na sala.
_ Prepare o carro.
Digo sem olhar pra ele, ouço o mesmo coçar a garganta.
_ Bom dia Senhorita, seu pai ordenou para que a senhora não saísse de casa.
Diz me fazendo dar uma risada irónica, então agora Augustos deu pra me prender em casa, nem nos sonhos dele.
_ Acontece, sebastian, que meu pai não esta aqui e se você quiser continuar nesse seu empregozinho ao qual tem tanto temor em perder - Pausei como se estivesse procurando as palavras certas - Vá preparar a merda do carro.
Digo em um tom frio e ele só afirma com a cabeça começando a caminhar em direção a saída da casa, dou de ombros e vou pra cozinha vendo a mesa já posta, apenas me sentei e comecei a degustar do meu café ignorando a presença da cozinheira e dos outros funcionários que estavam ali.
_ Está tudo pronto, senhorita.
Diz o mesmo me fazendo acena que sim com a cabeça, quando termino meu café eu me levanto indo em direção a saída de casa, um vento me atingiu, trazendo consigo uma certa sensação de leveza, era como se o clima solitário daquela casa estivesse sento arrancado de minhas costas, vou em direção ao carro parando próximo ao mesmo para que Sebastian abrisse a porta para que eu pudesse entrar, assim é feito.
Vou o caminho todo lendo uma FanFiction qualquer no w*****d, depois de ler vários capítulos, eu tirei uma foto pra postar no i********:, que em menos de alguns minutos já tinha 350 curtidas e 200 comentários, depois de responder os importantes fiquei com tédio então coloquei o celular na bolsa, esperando até a hora em que eu teria o desgosto de presentear aquela favela com a minha presença.
_ Chegamos.
Diz o motorista, sair do carro e fui em direção a porta do passageiro me inclinando para que eu pudesse encara-lo.
_ Quando eu terminar ligarei pra você vim me buscar.
O mesmo afirma com a cabeça e eu me afasto do carro vendo o mesmo começando a seguir sua rota de volta a mansão, começo a subir o morro, tendo sobre os olhares de varias pessoas sobre mim, alguns homem tatuados cochicha ao me verem e um deles pega o celular e começa a digitar uma mensagem pra alguém, eu apenas ignoro e continuo a minha caminhada, e mesmo chegando na casa de Emma, os olhares não cessaram, toquei a campainha.
_ Por que demorou tanto?
Diz a mesma assim que abre a porta e eu entro.
_ Pensa que é fácil pra mim está nessa favela de novo? - faço um pergunta retórica, ouço a mesma fechar a porta e me viro pra ela animada - Então, cadê o Favelado?
Eu realmente estava disposta em acabar com tudo aquilo e levar Emma pra minha cara para fazer uma maratona de qualquer série enquanto comemos qualquer lanche.
_ Então... Você demorou muito e eu acabei dando a notícia sozinha
Ela responde mechendo uma mão na outra, enquanto eu olhava pra cara dela como uma criança que tinha acabo de descobrir que fadas do dente não existe.
_ E que diabos eu vim fazer nessa porcaria de favela? - Outra pergunta retórica, eu respiro fundo e passo a mão pelo cabelo os jogando pra trás. - Ele vai assumir a criança pelo menos?
Pergunto e a mesma afirma com a cabeça sorrindo.
_ Eu disse que ele era uma pessoa de caráter.
Diz orgulhosa enquanto eu reviro os olhos.
_ Eu vou embora.
Afirmo me virando pra ir embora mais a mesma se jiga em minha frente.
_ Vai ter um baile aqui no morro, por que não fica?
Ela pergunta me fazendo levantar a sobrancelha.
_ Emma, eu só vim naquele por que era o seu aniversário.
Afirmo como se fosse o óbvio, ela leva suas mãos até o colo da sua barriga.
_ Então por que não fica? Considerando esse como a descoberta do seu afilhado.
Diz com aquela cara de cachorro sem dono que só ela sabia fazer, eu respirei fundo e revirei os olhos me dando como vencida, quase não acreditando quando o "Tá" saiu de minha boca, a mesma pulou em mim me envolvendo em um abraço apertado, eu sabia que Emma arrumaria outra maneira de conseguir o que queria, e como eu não tinha quase nenhuma opção, resolvi aceitar, depois de alguns minutos eu liguei para Sebastian vim me buscar, porém o mesmo não atendia nenhuma das minhas ligações, o que me fez ligar pra cozinha e mandar que a cozinheira dissesse para alguém vim me buscar, recebi uma mensagem dizendo que o carro já tinha chegado, e fui surpreendida ao vê que não era Sebastian, mas sim um homem completamente desconhecido, ele dá a volta no carro parando em minha frente e olhando para mim.
_ Boa tarde Senhorita Stuart, meu nome é Nicolas e eu sou o seu novo motorista.
Diz me mostrando o seu crachá, eu dou de ombro e entro no carro assim que a porta é aberta, o mesmo corre dando a volta até o banco de motorista e então liga o carro começando a dirigir, o caminho todo foi silêncio, mas não o silêncio confortável de quando David ou Sebastian (que eram meus motoristas desde que minha mãe faleceu) dirigia, era um silêncio estranho e desconfortável, eu sabia que tinha dedo do meu pai nessa história. Quando chegamos na casa, eu não esperei o motorista abrir a porta, quando me dei conta já estava subindo os degraus com passos firmes, e quando a porta da mansão é aperta, eu me deparo com meu pai, vestido em seus termos formais, lendo um jornal na sua incrível postura de homem perfeito e bem sucedido.
Sem pensar duas vezes, me aproximo dele, tento o olhar dele pousado sobre a minha pessoa.
_ Cade o Sebastian?
Pergunto nervosa fazendo o mesmo fechar o seu jornal em um gesto calmo e colocando ele sobre a mesa cantoneira a seu lado.
_ O Motorista? Mandei embora.
Diz bebendo um gole de seu café e eu engulo em seco.
_ Ele era meu motorista, você não tinha esse direito.
Digo alterando um pouco a voz, ele rir.
_ Quando algo sai do meu bolso, isso me da o direito de fazer o que eu quiser.
Ele diz fazendo uma lágrima rolar em meu rosto.
_ Mas ele era MEU motorista
Digo irritada alterando um pouco o tom de voz fazendo com que o mesmo se levante e venha até mim.
_ Acho melhor você abaixar esse seu tom de voz mocinha...
_ Senão o que? Vai me bater? A não, Augustus Stuart é impecável demais para cometer um desatino como esse, mas já sei, por que não me manda embora como fez com o motorista? Afinal, tudo o que eu tenho saiu do seu bolso, não é? Juro que nem vá fazer muita diferença já que você só liga pra sua maldita empresa.
Quando eu percebi que já estava no chão, o lado esquerdo do meu rosto ardia e as lágrimas começaram a escorrer, ele tinha me batido, pela primeira vez na minha vida eu tinha apanhado de alguém, eu me levanto com a mão no rosto, mas não era ali onde mais doía.
_ Não ouse falar comigo dessa maneira, eu sou seu pai.
Argumenta me fazendo rir pelas marinas.
_ Pai? Você me trata da maneira que trata e ainda quer ser considerado meu pai? Desde que minha mãe morreu, você só liga pra si mesmo, nunca foi a uma apresentação de ballet, nem festa de dias dos pais e só manda mensagem nos últimos minutos de todos os meus aniversários me mandando mais dinheiro e si desculpando por não está presente - Eu paro um pouco pra respirar e dou sorriso fraco - Eu só queria atenção, só queria que você reconhecesse todo o esforço que eu faço pra me tornar alguém impecável como você, mas...
Ele me interrompe.
— Melissa eu já mandei você parar, não queira que eu te bata de novo.
Lágrimas escorrem mais ainda e eu as enxugo com a outra mão.
— Não vai ser necessário, eu nunca mais quero olhar pra você, VOCÊ NUNCA FOI UM PAI.
Largo tudo o que eu segurava no peito a muito tempo, e dei as costas para ele correndo para o meu quarto, pego uma mala grande, coloco varias roupas, sapatos, notebook e celular, pego minha maleta e coloco vários produtos de maquiagem lá dentro, coloco 600 reais que estava no criado mudo no bolso e ligo pra Emma.
_ Emma por favor, vem me buscar, eu briguei com meu pai, não quero mais ficar aqui.
Digo assim que a chamada é atendida, ela apenas escuta tudo calada e desliga o telefone, o que me fez chorar ainda mais, eu passo a mão pelo lugar onde foi atribuído o tapa, ainda ardia, pego minha maleta e minha mala e saiu do quarto.
_ Pra onde você pensa que vai?
Diz meu pai assim que termino de descer as escadas.
_ Pra bem longe dessa casa.
Ele rir e agarra meus braços com brutalidade.
_ Você não vai pra lugar nenhum.
Agora é minha vez de rir.
_ Isso é o que vamos ver.
Digo em um tom desafiador e retiro meu braço da suas garras com forças, indo em direção a porta.
_ Melissa Gama Stuart, passe por essa porta e esqueça que um dia já fez parte dessa família.
Sem excitação, eu passo pela porta, sorrindo ao ver Emma a minha espera, eu sabia que ela viria, ela sempre vem.