Não passe dos limites

879 Words
NARRAÇÃO DE JHONNY... Depois que fiz aquela ligação e ouvi a versão do meu pai, fiquei mais aliviado. Pois, se ele tivesse feito isso... Eu não consigo imaginar o que iria fazer! Iria matar meu próprio pai aos prantos. Eu o amo mais do que tudo, mas a justiça prevalece dentro de mim. Voltei para o escritório mais calmo. Nicolás estava em pé ao lado de Gabriel, que mexia em seu notebook. — Não é o meu pai. — Afirmei aliviado. — Eu sabia... Olha aqui! Deve ser esse! — Gabriel virou o notebook e mostrou a foto de um velho pequeno e magro. — Por que acha que é ele? — Perguntei. Nicolás riu antes mesmo da resposta de Gabriel. — Só olhar pra cara dele! Cara de tarado! — E tarado tem cara? — Perguntei incomodado. — Sim. Só olhar pra ele, olha! — Gabriel insistiu. — Não viaja, Gabriel! — Nicolás falou irritado. A porta abriu, nos interrompendo. Nem preciso dizer que é Alexander invadindo o escritório sem bater na porta. — E aí?! Qual é a próxima missão?! — Alexander perguntou animado. — Alimentar os cavalos, Alexander. Dá licença! — Gabriel tentou enxotá-lo, saiu da cadeira e abriu mais a porta. — Não! Eu sou Dom. — E daí? — Eu também participo! — Quando for algo sério, eu te chamo. — Vai chamar porrä nenhuma, tio Gabriel! — Alexander... TCHAU! — Gabriel o empurrou para fora, fechando a porta e trancando-a. Ele suspirou irritado, virando-se para nós. — Chato pra carälho! Maxine já não quer que seja vazado sobre o que aconteceu com ela, e Alexander fica em cima! Pedindo pra falar, pra participar. Porrassô! — Gabriel esbravejou, sentando em sua poltrona. Olhei as sombras dos pés de Alexander debaixo da porta. — Ele está escutando. — Afirmei cruzando os braços. — ALEXANDER, SOME!! — Gabriel gritou. — Beleza! Se precisar de reforços com seguranças, me esquece!! Pede ajuda para outro! — Alexander falou irritado pelo corredor. — Você é obrigado a mandar reforços quando eu quiser!! Você tem uma imensa dívida comigo, Alexander... Você infernizou a minha vida!!! — Gabriel gritou. Nicolás segurou a risada. — Posso pelo menos saber do que se trata? — Maxine. — Olhei para Gabriel sentindo raiva. Boca aberta... — Ah... Então tô fora! Lilly é ciumenta. Mas boa sorte aí... — Alexander finalmente foi embora. — Se eu soubesse, já teria falado o nome da Maxine desde o começo... — Gabriel falou usando ironia na voz. — Bom, eu não quero ficar perdendo tempo querendo deduzir o possível abusador. Quero provas e nomes... Com licença. Saí do escritório. Infelizmente continuamos com as mãos atadas. Saindo do casarão, percebi um capanga conversando com minha mulher. Trinquei os dentes. Todos sabem que não aceito que nenhum capanga se aproxime da minha mulher e filha. Maldito é o homem que confia nos homens. Jade estava na varanda, de cabelos trançados, e sorria escutando aquele capanga, com nosso neto em seus braços. Apressei meus passos tentando controlar a raiva e a impulsividade. Jade notou minha aproximação e parou de sorrir. — O que está acontecendo aqui? — Perguntei irritado. — Sr. Jhonny. — O capanga tirou o chapéu e abaixou a cabeça. — Eu estava com nosso neto. Ele viu o capanga e começou a brincar, ficava gargalhando e se esticando querendo mexer com ele. O rapaz parou para ver nosso neto e brincou de longe. Olhei aquele capanga. Seus pés estavam próximos da varanda. — Não ultrapasse seu limite. — O encarei. Ele olhou em meus olhos completamente amedrontado. — Me perdoe, senhor. Eu não queria... — Saia daqui. — Mandei. Ele colocou o chapéu e se afastou assustado. Jade me encarou incomodada. — Jhonny, não é pra tanto! — Ela falou abraçando nosso neto. — Não? Aproximei lentamente, ficando cara a cara com ela. — Estou trabalhando, resolvendo problemas. Não posso te vigiar o tempo todo. E não porque não confio em você, mas porque não confio neles. Já fomos traídos muitas vezes. Não é pra tanto? E se for um louco que aproveita a oportunidade e entra na casa te tocando à força? Não é pra tanto, Jade? Ela desviou o olhar, compreendendo minha atitude. — Entendo, Jhonny. — Se sou rigoroso é porque quero te proteger. Não responderei por mim se alguém ousar tocar em seus cabelos. Você é minha Jade, foi tocada apenas por mim e quero que permaneça assim. Agora leve nosso neto para Árya e volte. Quero fazer amor com você. Ela riu, corando. Passou por mim. Sorri olhando-a seguir para a casa de Árya. Entrei em casa tirando minha blusa. Caminhei para o quarto abrindo meu cinto. Sorri admirando minha mulher dormindo peladä. Antes de sair, a cobri, deixei a chave reserva ao lado do abajur e uma carta. "Estou com Gabriel e Nicolás. Eu te amo. Amei nossa tarde." Saí trancando a porta de casa. Estava seguindo para o pub até ver Thiago saindo irritado de lá. O parei, pois nunca o vi daquela forma. — Ei, ei, ei. O que foi? — Essa garota é um demônio! — Ele falou irritado e passou por mim. De longe percebi Maxine no telhado do casarão fumando. O que foi que essa garota aprontou?
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