Algumas semanas se passaram…
E Aline seguiu a vida.
Entre crochê, contas e a rotina com Alicia…
tentando não pensar demais.
Mas, às vezes…
a solidão batia.
E naquela noite…
ela resolveu tentar.
Marcou um encontro.
Um cara de aplicativo.
Nada demais.
Só… ver no que dava.
Ela deixou Alicia na casa da mãe, se arrumou simples — como sempre — e foi até o barzinho onde tinham combinado.
Ele já estava lá.
Conversaram.
Riram… um pouco.
Beberam.
Mas…
não encaixava.
A conversa não fluía.
Não tinha química.
Não tinha verdade.
Era vazio.
Aline já sabia:
não ia ter segunda vez.
Mesmo assim, ficou até o final.
Educação.
Costume.
Ele pagou a conta.
E quando levantaram…
veio.
— Vamos pra outro lugar? — ele disse, com um olhar diferente.
Aline já entendeu.
— Não… deixa pra uma próxima.
Simples.
Direta.
Sem jogo.
Mas ele mudou na hora.
O rosto fechou.
— Ué… a gente saiu, comeu, bebeu… agora tem que completar a noite, né?
Aquilo gelou ela por dentro.
— Eu nunca disse isso pra você.
A voz dela saiu firme.
— E eu não vou.
Ela virou as costas.
E saiu.
Sem discutir.
Sem prolongar.
Mas quando colocou o pé na calçada…
sentiu.
Algo errado.
Ela começou a andar rápido.
Depois…
mais rápido.
E então ouviu.
O som do carro.
Atrás dela.
Virou o rosto.
Era ele.
Seguindo.
Devagar.
Depois acelerando.
O coração disparou.
Ela começou a correr.
Sem pensar.
Sem olhar.
Só correr.
O carro vinha atrás.
Insistente.
Pressionando.
Até que—
FREADA BRUSCA.
Um carro quase atingiu ela.
Aline parou no meio da rua, assustada, sem ar.
O outro carro também parou.
E quando a porta abriu…
ela reconheceu.
O homem.
O mesmo.
O de semanas atrás.
O homem de terno.
Ele saiu rápido do carro, olhando pra ela.
— Você tá bem?
Mas antes que ela respondesse…
o outro cara desceu também.
Tentando disfarçar.
— Foi m*l, cara… minha namorada discutiu comigo e saiu do carro…
Aline arregalou os olhos.
Namorada?
Ela nem conseguiu reagir.
O homem de terno olhou de um pro outro.
Frio.
Atento.
— Você precisa de ajuda? — ele perguntou, agora olhando só pra ela.
E, pela primeira vez naquela noite…
ela se sentiu segura.
Mesmo sem conhecer.
— Eu… posso ir com você? — a voz dela falhou.
— Claro.
Simples assim.
O outro tentou intervir:
— Você vai entrar no carro com ele?
Mas ela nem respondeu.
Abriu a porta.
Entrou.
E fechou.
Como quem escolhe… sobreviver.
O carro arrancou.
O silêncio tomou conta por alguns segundos.
Aline estava tremendo.
— Tá tudo bem… — ele disse, com a voz calma. — Eu não vou te machucar.
Aquilo desmontou ela.
— Eu só… preciso ir pra casa…
— Eu vou te levar.
Seguro.
Sem pressa.
Sem perguntas invasivas.
Só presença.
Depois de alguns minutos…
ele falou:
— Namorado?
Ela respirou fundo.
— Não… só… um cara que eu conheci.
E então…
ela contou.
Tudo.
Sobre o encontro.
Sobre o desconforto.
Sobre a proposta.
Sobre a recusa.
Sobre a perseguição.
Enquanto ela falava…
a mão dele apertava o volante.
Forte.
Controlado.
Mas dava pra sentir.
Aquilo tinha mexido com ele.
Quando ela terminou…
o carro seguiu em silêncio.
Mas não era um silêncio r**m.
Era um silêncio…
de proteção.
E, pela primeira vez em muito tempo…
Aline não se sentia sozinha.