Guilherme Alcântara aguardou Melaine Antunes desaparecer de sua visão e foi para o escritório da sua casa, pegou toda a documentação da jovem que tinha cheiro oriental e surpreso descobriu que ela tinha apenas 21 anos. Ligou imediatamente para seu advogado que furioso providenciou uma ficha completa da vida Melaine, vinda do interior, registrada somente pela mãe, boas notas, reconhecida como a melhor aluna em todas as escolas que passou , QI acima da média, agora atual estudante de universidade federal. Guilherme tinha certeza que a mulher que para ele era apenas uma garota escondia mais, o que ela tinha que o pertubou tanto, não era só incômodo, era medo.
Naquela noite, Guilherme observou atentamente o horário que Melanie chegou, percebeu que a luz do seu quarto ficou até madrugada acesa e assustou-se quando percebeu que a função de preparar o seu café agora era da jovem de cabelos longos e castanhos, observou atentamente que ela era organizada, perfeccionista e minuciosa em pequenos detalhes, sorriu ao pensar que quase parabenizou Dorotéia por finalmente aprender fazer o café do jeito que ele
apreciava.
_ Bom dia senhorita Melaine!
Melanie cantarolava e surpresa quase deixou a garrafa cair no chão. Com a mão no coração sem perceber resmungou.
_Céus você quase me matou!_ sem graça ficou quando percebeu que o patrão poderia interpretar sua fala como uma falta de respeito, apressou -se em tentar corrigir-se.
_Perdão senhor, eu...
_Eu que me desculpo, juro que não foi minha intenção assusta-la.
Bebericando o café fumegante em suas mãos, elogiou.
_Está ótimo o café, suponho que o bolo seria ótimo para acompanhar.
_Ah desculpe, eu...
_Percebi que você tem mania em pedir desculpas
_Eu, não..Nam, na verdade.
Guilherme se divertia com o embaraço de Melaine.
_O bolo é de milho, aceita uma fatia senhor?
_Aceito se me prometer que não me chamará mais de senhor, não precisa ficar me lembrando que é mais nova 15 anos que eu.
Melaine piscou atônita até entender do que Guilherme falará.
_Ô não, essa não foi minha intenção, desculpe....
_Também precisa parar de se desculpar o tempo todo, a propósito o bolo está tão bom quanto o café, pensei que Dorotéia fosse ciumenta com a cozinha que chama dela.
_Eu insisti que ela me deixasse fazer o café da manhã, combinamos que caso o senhor não reclamasse do meu café, ela poderia chegar um pouquinho mais tarde e eu sair um pouquinho mais cedo, se não se importa é claro.
Com atenção Guilherme ouvia cada palavra que Melaine falava e percebeu em choque que gostava do som daquela voz, aliás pensou que conversará com Melaine o que não conversou em um mês, ele era considerado conciso. Mas o histórico de Melaine o fez ver que ela era sozinha e queria que ela sentisse confiança e segura onde estava.
Os meses seguiram normalmente, Guilherme confrontou sua funcionária Dorotéia por ter contratado alguém tão jovem como Melaine, mas a senhora lhes deu motivos plausíveis pela escolha da jovem e no fundo ele reconhecia que a Mel como Doroty a chamava, era de fato eficiente e vinha desempenhando um bom trabalho na casa.
Melaine era demasiadamente esperta e não querendo contato com o patrão, passou a acordar mais cedo para preparar o café da manhã, Guilherme sentia o cheiro do Oriente deixado na cozinha e por onde a garota passava, observava a luz do quarto acesa, mas não encontrava com Melaine durante o dia e quando chegava do trabalho ela já tinha saído para faculdade, ele suspeitava que ela fugia dele e agradecia mentalmente por isso, o seu cheiro já era perturbador demais e ele temia que pudesse despertar desejos que não seria correspondidos.
Em uma madrugada quando Guilherme com insônia foi até a cozinha beber água, encontrou -se com Melaine dormindo e debruçada na mesa repleta de livros, com um notbook ligado, temeu em acorda-lá mas não poderia deixá-la ali, afinal já se passava das 3 da manhã.
_Senhorita Melaine_com cuidado ele tocou na garota que dormirá serena_ Acorde senhorita.
_O trabalho já está quase pronto, entregarei no prazo_ Disse Melaine ainda dormindo.
_Por favor acorde!
Assustada e quase derrubando o notebook, olhos arregalados Melaine acordou, Guilherme notou estranhamente incomodado com o cansaço que se fazia presente no rosto da jovem com o cheiro perturbante.
_Senhor! Mil desculpas, eu...
_ Só Guilherme Melaine, porque está aqui?
_Precisava enviar um trabalho pela manhã e meu quarto ficou sem luz.
_Deveria ter me falado
_Não quis incomoda-lo, desculpe pela bagunça na mesa, juro que não vai mais se repetir.
Melaine desviou o olhar de Guilherme e deixou que uma lágrima solitária caísse.
_Ei? Está tudo bem, vem..vou te ajudar levar seus matérias para o quarto e ver o que ouve com a lâmpada.
_Não precisa, eu..
_Precisa sim, a propósito você comeu alguma coisa?
_Estou sem fome
_Não quero que fique doente e todos falem que foi o pão duro do seu chefe que te negava comida_ Guilherme disse de forma descontraída e arrancou um sorriso tímido de Melaine.
Após organizar e guardar todo o material escolar e de trabalho, Guilherme pediu licença a Melaine para entrar em seu quarto, o cheiro dela empreginado em todo o ambiente o dominou, deixando-o sem ar, varreu os olhos rapidamente pelo pequeno quarto organizado e uma foto de Mel e duas mulheres sorrindo o chamou atenção.
percebendo a observação Melaine comentou.
_São minha avó e minha mãe
_Você não se parece com nenhuma delas, deve ser parecida com seu pai
_Talvez, embora nunca tive um..
Guilherme sabia que Melaine carregava somente o nome da mãe, mas queria se certificar que a mesma não possuía nenhum contato com seu genitor, mas percebeu os olhos de Mel vagarem para longe.
_Não o vê a muito tempo?_ era uma pergunta invasiva para quem era tão conciso como ele, mas ele queria saber mais sobre ela.
_Na verdade nunca o vi, ele foi embora quando minha mãe ainda estava gestante, sempre foi somente eu, ela e a Iaiá.
_Suponho que Iaiá seja sua avó?!
_Já eu suponho ou melhor tenho certeza que você não sabe trocar a lâmpada e está me enrolando_ Melaine disse isso em tom brincalhão e com uma sobrancelha arqueada.
E Guilherme gargalhou, ele pensou que não se lembrava quanto tempo fazia que não sorria tão espontaneamente.
Com tremenda agilidade, Melaine pegou a lâmpada que estava nas mãos de Guilherme, subiu na pequena escada e trocou-a como se fizesse aquilo uma vida inteira.
_Você é boa nisso
Orgulhosa Melaine disse
_Reformulando minha colocação, não conheci o progenitor, mas sempre tive um pai_com afeto passou as mãos pelas foto que tinha tanto carinho.