CAPÍTULO 17 - MELISSA Acordei ainda queimando daquele sonho. O cheiro dele tava impregnado no quarto. — Não foi sonho... — sussurrei. — Foi o calor de novo. Levantei, pernas tremendo. Precisava de água. Desci. Cozinha escura. Ele tava lá. De costas, só de calça de moletom, tomando água. Como se não conseguisse dormir também. Ele me ouviu. Virou devagar. Os olhos dele dourados de novo. — Melissa. — Andrei... Ficamos nos olhando. O ar ficou pesado, aquele cheiro de almíscar mais forte que nunca. Meu corpo começou a queimar de novo, mas dessa vez eu não corri. — Você sentiu também? — perguntei, com vergonha. Ele fechou os olhos com força, se segurando na pia. — Senti. A casa inteira sentiu. Você tá... você tá me chamando, Mel. — Eu não tô fazendo de propósito! — Eu sei. É o laço.

