A cidade parece igual. Mas não está. Nada está. O movimento nas ruas continua, as pessoas seguem suas rotinas, o som dos carros, das conversas, dos passos — tudo permanece exatamente como sempre foi. E isso… é o que mais incomoda. Porque só eu sei. Só eu sinto. Ele está aqui. Caminhando pelas mesmas ruas, respirando o mesmo ar, ocupando o espaço como se ainda tivesse direito a isso. Como se nunca tivesse sido arrancado daqui. Eu observo de dentro do carro, parado em uma rua discreta, com visão suficiente para acompanhar sem chamar atenção. Rocco está ao volante. Quieto. Atento. — Ele subiu do porto há pouco — diz, baixo. Eu não respondo. Meu olhar percorre a rua lentamente, analisando cada detalhe. — Está andando pelo centro. Claro. Vittorio nunca entra direto. Ele gost

