A luz baixa do abajur desenhava sombras longas pela sala quando fechei a porta atrás de mim. O silêncio da casa me recebeu como um velho conhecido — não acolhedor, apenas constante. Eu já estava pronto para subir, ignorar tudo, fingir que aquela noite tinha terminado no bar, no galpão, nos corpos deixados para trás. Então a vi. Isabella estava sentada no sofá, as pernas recolhidas de lado, um livro apoiado no colo. A postura não era relaxada demais, nem defensiva. Apenas… presente. Como se aquela sala fosse um espaço neutro, e não território minado. Meu olhar desceu imediatamente para o objeto em suas mãos. O mundo pareceu dar um passo em falso. Reconheci aquele livro no mesmo instante. — Onde você conseguiu isso? — perguntei. Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava. Não calma.

