A casa despertou antes de mim. Não houve barulho repentino, nem correria. Apenas movimento. Passos firmes no corredor, portas sendo abertas com cuidado, vozes baixas que nunca se elevavam. Aquele lugar não acordava — entrava em funcionamento. Abri os olhos devagar, encarando o teto claro por alguns segundos, tentando organizar os pensamentos antes que eles me alcançassem. Não consegui. A noite anterior ainda estava inteira dentro de mim. Não como lembrança confusa, mas como algo presente demais. A cozinha quase às escuras. O silêncio pesado. Matteo parado à minha frente, frio, atento… contido. Fechei os olhos com força por um instante. Não foi o toque que me tirou o sono. Foi tudo o que veio antes dele — e o que ficou depois. A sensação de proximidade sem i********e. O cuidado rígido

