Os carros atravessaram o portão principal pouco depois das dez. O som dos pneus sobre as pedras ecoou pela mansão como um aviso antigo — daqueles que não precisam ser anunciados. Isabella estava ao meu lado quando desci os últimos degraus da escada. Ela mantinha a postura ereta, o olhar atento, as mãos relaxadas demais para alguém nervosa. Não perguntou nada. Não precisou. A presença da minha família sempre se impunha sozinha. O primeiro carro parou. Minha mãe foi a primeira a descer. Giulia De Luca nunca perdeu a elegância. O tempo suavizou algumas linhas do rosto, mas não diminuiu a autoridade silenciosa que ela carregava. Quando me viu, o olhar endurecido cedeu espaço a algo mais raro. — Matteo, querido… Ela se aproximou sem hesitar, tocando meu rosto com as duas mãos, avaliando-

