A casa parecia maior pela manhã. Talvez fosse o jeito como tudo ali parecia existir sem precisar de mim — corredores longos demais, móveis caros demais, uma vida que continuava mesmo sem a minha presença ser levada em consideração. Acordei antes de Giulia. Antes de qualquer barulho. O quarto estava frio, e por alguns segundos fiquei olhando para o teto, tentando lembrar onde eu estava. Não era difícil. A sensação de não pertencimento fazia questão de me lembrar. Levantei devagar, lavei o rosto, prendi o cabelo sem cuidado algum. Não havia motivo para me arrumar. Não para um café da manhã onde eu era apenas… a noiva. Desci as escadas com passos contidos. O cheiro de café já estava no ar. Giulia estava na cozinha, vestida de forma simples, mas impecável, como sempre. Ela sorriu ao me ver

