Quando entrei na cozinha, a primeira coisa que senti foi o cheiro de chá. A segunda foi a presença dela. Isabella estava apoiada no balcão, mangas do moletom dobradas até os cotovelos, a chaleira ainda soltando um fio de vapor. O cansaço nela era visível — não delicado, não frágil. Um cansaço duro, que não pedia cuidado. Ela ergueu o olhar quando me viu. Sem surpresa. Sem curiosidade. — Achei que você não voltaria hoje. Não havia cobrança ali. Só constatação. — Demorou mais do que o previsto — respondi, largando o paletó na cadeira mais próxima. Havia sangue na manga da camisa. Seco. Escuro. Notei quando o olhar dela pousou ali por um segundo a mais do que deveria. — Imagino — disse, voltando-se para a chaleira. — Quer chá? — Não. Fiquei parado perto da porta. Não por educação. P

