Capítulo 5

1327 Words
11 anos depois... — E com isso, encerramos a reunião. – Sua voz grave ecoou pela sala. Enzo sorriu envergonhado quando a ruiva lançou um olhar rápido para ele. – Foi um prazer negociar com os senhores. O grupo de executivos asiáticos se despediu de nós em sua língua nativa. Um dos principais motivos de permitir que Maria assumisse uma negociação tão importante foi o fato de ela ser fluente em diversas línguas, além de possuir uma incrível capacidade de manipulação masculina. Tê-la por perto foi uma das melhores decisões que tomei em relação aos negócios da minha família. Inicialmente, eu a contratei como secretária após os insistentes apelos do meu irmão mais novo, Enzo. Ele não queria sua melhor amiga envolvida em toda a confusão que os negócios obscuros de nossa família traziam. — Belas palavras. – Minha voz preencheu o vazio da sala de reuniões. – Havia me esquecido de como minha cunhadinha era talentosa. Um sorriso bobo se formou involuntariamente em seu rosto. Maria adorava quando mencionávamos sua relação com Enzo; eles realmente eram o casal mais apaixonado que conheci até hoje. Seu relacionamento com meu irmão iniciou-se quando ele ficou sozinho na Itália, longe de nossa família. Como ele precisava de apoio, Maria e ele acabaram se aproximando, apesar da diferença de idade. Quando ele a enviou para me ajudar, sabia que isso era apenas um pretexto para tirá-la do ambiente perigoso em que estavam. Conheço meu irmão e sabia que ele estava apaixonado. Durante os dois anos em que eles estavam em países diferentes, eles se comunicavam apenas virtualmente. Fiquei completamente surpreso quando eles se casaram às escondidas na mesma semana em que ele chegou a Nova Iorque. Após o casamento surpresa, Maria e Enzo pareciam estar vivendo um conto de fadas. A felicidade deles era evidente em cada gesto e olhar trocado. Com o tempo, ela foi se envolvendo cada vez mais nos negócios da família, provando ser uma aliada valiosa, tanto nos assuntos financeiros quanto na resolução de conflitos delicados. A personalidade forte e a sagacidade de Maria eram uma combinação perfeita para lidar com as complexidades do mundo dos negócios obscuros. Ela conquistou o respeito e a admiração de muitos, inclusive dos executivos asiáticos com quem negociávamos. Com seu charme e habilidades linguísticas, Maria se tornou uma figura-chave nas relações internacionais da família. Apesar de suas habilidades serem bem úteis à máfia herdada de meu pai, eu não a envolvia em meus negócios ilegais. Sei que sou o chefe da maior máfia da Europa, mas jamais a colocaria em risco. Para isso, poderia contar com Enzo, meu irmão e braço direito. Os anos passaram, e a máfia prosperou sob a gestão de Enzo. Ele era o meio oficial para se chegar até mim, e tirando eu, ele era a pessoa mais poderosa dentro do mundo ilegal. Expandimos nossos negócios por toda a Europa e América do Norte, tornando-nos as pessoas mais temidas e respeitadas de todo o submundo da lei. Até mesmo as autoridades legais nos temiam, mesmo sem saberem nossa verdadeira identidade e rosto. Nossas empresas também tiveram bons resultados. O império empresarial expandiu-se globalmente, e o nome da família tornou-se sinônimo de sucesso e influência. Apesar dos desafios enfrentados no mundo dos negócios, conseguimos nos manter firmes e unidos, como uma verdadeira família deve ser. — Estou me tornando melhor nisso, graças a sua ajuda, cunhado. – Seu sorriso doce aqueceu meu coração. Maria olhou para o relógio em seu pulso e suspirou. – Como o tempo voa, agora tenho que encontrar a dona Helena para discutir sobre o jantar anual. Um calafrio percorreu toda a extensão da minha coluna. Meu olhar e o de Enzo se encontraram; o silêncio predominou na grande sala de reuniões. Todo ano, minha mãe e Luciana organizam um jantar na data do assassinato de meu pai, e toda a família e amigos mais íntimos comparecem. Apesar de já terem se passado 19 anos desde a morte de meu pai, ainda é um assunto muito delicado para nós dois, especialmente para mim, que o vi à beira da morte. Nunca irei superar sua morte, nem me conformar em saber que jamais o verei novamente. Sinto meu sangue ferver só de pensar que seu assassino está andando livremente pelas ruas sem que eu sequer saiba de sua existência. — Desculpe, Donatello... Eu não... – Maria gaguejou enquanto gesticulava agitada. – Droga, é melhor eu me retirar. Ergui uma sobrancelha, fazendo com que ela fechasse sua boca. Esse é um sinal universal; qualquer um que me conhecesse minimamente saberia que eu odeio falatórios, desculpas e pessoas agitadas. Para o meu azar, minha cunhada é a pessoa mais irritante da face da terra quando se trata desses aspectos. — Donatello, eu... Maria voltou a falar após alguns segundos de silêncio, mas a interrompi. — Pelo amor de Deus, você é sempre tão irritante. – Massageei minhas têmporas. – Não tinha algo para fazer? Apenas vá! Maria ficou completamente vermelha e seus olhos ficaram marejados; a ruiva saiu da sala de reuniões sem emitir mais nenhuma palavra. — Merda, Donatello! – Enzo gritou e socou a mesa. – Acha que pode falar assim com a minha mulher? Você sempre é rude com ela! Passei minha língua lentamente em meus dentes e a estalei no céu da boca. — Abaixe seu tom de voz comigo. Moleque. – Cruzei minhas pernas e acendi meu charuto. – Ou já se esqueceu com quem você está falando? Meu tom de voz sombrio e pouco interessado o fez se encolher. Não que Enzo fosse um homem medroso, pelo contrário, sua valentia e coragem já foram provadas em diversas ocasiões, ele apenas sabia o seu lugar e o que aconteceria caso não respeitasse a ordem natural das coisas. — Peço desculpas, irmão. – Ele suspirou, sentando-se ao meu lado. – Mas não vejo necessidade de tamanha hostilidade. Maria sempre foi uma pessoa tão doce e gentil. Soltei a fumaça, sentindo meus músculos relaxarem. Apenas os cubanos para produzirem um charuto tão perfeito. — Não preciso que alguém me lembre que se passou mais um ano sem que eu vingasse a morte de meu pai. – Afrouxei minha gravata. – 19 anos, p***a! passaram-se 19 anos e nenhum inútil me trouxe uma pista sequer do desgraçado que acabou com a vida do meu pai. — Nosso pai. – Ele falou calmo. – Não se esqueça que também sofri com a ausência dele. Agora sou seu braço direito, eu aguardo informações assim como você. — Braço direito? – Me inclinei em sua direção. – Então faça jus ao nome e vá atrás de alguma informação. Não quero saber de nada, só quero que traga alguma pista até a semana desse bendito jantar. Minha voz ameaçadora o fez arregalar os olhos. — Você não era assim, irmão. – Ele falou se levantando. – É como se todo o amor em seu coração tivesse morrido. — Não me venha com esse papo i****a. – Dei uma tragada em meu charuto. – Que se dane esse seu papo furado de amor, isso é só uma ilusão pra idiotas e fracos! Enzo se apoiou na mesa e riu, negando com a cabeça. — Não seja hipócrita, irmão. – Ele apontou para mim. – Sei que lá dentro ainda existe o homem que amou Mariana com todo o seu coração. Passei a mão em meu queixo. Ele sabia que esse nome deveria ser evitado, eu a desprezava. — Que seja! – Disse me levantando. – Não importa se terei que ir para outro país ou até outro planeta, só traga notícias! Antes de sair da sala, o olhei por cima do ombro e vi sua expressão neutra. Seu jeito me irritava completamente às vezes, sua passividade e calmaria diante de uma situação tão complexa como essa. A morte de nosso pai era inaceitável. — Não volte aqui sem alguma informação ou não serei tão bondoso como das outras vezes.
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