Capítulo 6
Charlie Carter
Os dias estavam sendo estranhos, era difícil ficar em casa me escondendo para que ninguém visse a situação em que eu estava, mas, o que estava sendo mais difícil era não vê o Renato, me sentia com um vazio enorme por dentro, como explicar algo assim? Como se sentir assim por um garoto? Enquanto eu estava pensando tanto em você tenho certeza que você estava vivendo sem nem ao menos lembrar que eu existia, naquele momento percebi que havia me escondido tanto que tinha me escondido até de mim mesma, estava tentando dormir, mas minha mente estava um pouco confusa, então só o que conseguia era virar de um lado para o outro e nada do sono chegar, minhas costas ainda doíam, doíam muito, meus braços estavam roxos e machucados, como poderia aparecer no colégio daquela forma? Porém não queria perder mais aulas, já não suportava mais ficar apenas em casa, trancada em meu quarto.
Ficava apenas me sentindo cada vez mau, ficar ali trancada naquele quarto só me doía mais e mais, o que me salvava era sempre está lembrando do olhar do belo garoto, o jeito que seus olhos mudavam de cor quando me salvava, o jeito como ele agia perto de mim, o jeito como ele nunca quis ser superior a mim, seus olhos sempre mudam de cor, não sabia o porque mas algo nele me chama atenção, não era algo comum pois garotos são um saco, mas ele, ele era diferente de todas as formas imagináveis.
O inacreditável foi pensar tanto nele ao ponto de conseguir dormir.
De algum jeito sentia saudades dele, como se já nos conhecêssemos mesmo antes do colégio, como se ele sempre estivesse comigo, mesmo tão longe, o problema era que sentir demais sempre era uma tortura miserável.
O dia logo amanheceu, acordei com meu celular tocando era somente o alarme, o dia lá fora estava lindo, abrir as cortinas do meu quarto e fui tomar um bom banho, até a água doía em meu corpo, meus ferimentos ainda não estavam totalmente curados, assim como meu medo do papai voltar pra casa, vestir uma calça preta de couro, uma blusa preta sem manga e um casaco branco por cima.
Até vestir as roupas era dolorido, sentir qualquer coisa em meu corpo fazia doer, estava realmente muito machucada, caminhava devagar e mesmo sentia tudo doer, pisar o pé no chão era como se eu estivesse pisando em cacos de vidros e esses vidros cortassem todo meu corpo, caminhei até minha penteadeira precisava pentear meu cabelo, olhei para minhas maquiagens e decidi colocar ** e base para que conseguisse esconder as manchas roxas.
—A pele perfeita... — Falei assim que terminei de passar, olhava para meu reflexo no espelho e mau sabia o que estava fazendo, não sabia nem como se sentir por esta naquelas condições, era muito difícil para mim, não conseguia nem respirar direito sem sentir dor.
Descia a escada sentindo muitas dores, vi minha mãe fazendo o café na cozinha, respirei fundo antes de descer o último degrau, em todos aqueles dias estava evitando até de olhar para a mamãe, respirei fundo mais uma vez e então ela olhou para mim e acenou com a cabeça, acenei de volta, queria apenas da um sorriso para ela e não conseguia, peguei minha mochila que estava no sofá e fui para o colégio, não queria fazer ela chorar ao me olhar assim como ela fazia todos os dias enquanto eu fingia dormir para não olhar para ela.
Se afastar dela me doía demais, eu sabia que nada daquilo era culpa dela, mas não conseguia nem se quer olhar em seus olhos sem explodir em choro, não conseguia por mais que eu quisesse ser forte por ela, tudo aquilo estava sendo difícil para nós duas, perdida em meus pensamentos logo percebo que em pouco tempo já estava no colégio, mas dessa vez não entrei correndo e nem esbarrei em nada, queria tentar me sentir eu novamente mas estava tão certinha que onde passava as pessoas olhavam, olhavam como se eu tivesse sido possuída por algo, então sentir que por dentro tudo dói mais ainda e esse tudo era eu.
Cheguei na sala, ao chegar vejo todos sentados em seus devidos lugares, realmente somos seres humanos tão frágil, somos seres temporários e mesmo assim prometemos a eternidade, todos eles me olhavam de cima a baixo, talvez eles se perguntam o porque faltei tanto, talvez pensassem que eu teria morrido ou mudado de colégio, caminho até minha carteira e vejo o Renato ali sentado na mesma carteira que no primeiro dia, ele estava ao meu lado, baixo o rosto e coloco o capuz para que ele não visse meu rosto, ele estava muito perto de mim, não queria que ele visse as manchas do meu pescoço e muito menos os machucados em meu rosto, mesmo que a maquiagem cobrisse um pouco de tão perto como ele estava dava para vê e isso me preocupava.
—Você tá bem? — Sua voz soa em meu ouvido de um jeito carinhoso enquanto me fazia uma pergunta olhando para a professora.
—Sim! — Respondi secamente enquanto olhava para a lousa.
Enquanto as aulas passavam eu pensava demais no que tinha acontecido, precisava destruir a minha mente ou ela iria me m***r, não conseguia me deixar livre de tudo aquilo, era h******l lembrar dos momentos bons com a pessoa que quase te matou, em minha cabeça conseguia lembrar apenas das melhores lembrança com meu pai, mas, a dor me forçava a não esquecer aquele maldito dia.
Renato Smith
O incrível é saber que eu me avisei que precisava ficar longe da Charlie, mas eu mesmo não me ouvir e já era a hora de ir para casa, eu deveria ir direto para a minha casa, mas queria saber, na verdade precisava saber o que houve com a Charlie para ela está assim tão esquisita, ela não era a garota que conheci, ela estava distante, triste, seus olhos e ações demonstravam tristeza e dor.
Pela primeira vez assim que o sinal tocou ela foi a primeira a sair, então eu a acompanhei.
—Charlie você não parece está bem! — Falava enquanto caminhava atrás dela, queria poder conversar com ela, mas ela não queria e então não me ouviu e continuou caminhando.
Não aceitava vê ela assim e não consegui ajudar, precisava vê ela com os olhinhos brilhando outra vez, então peguei em seu braço e há puxei em direção a mim, quando isso aconteceu o capuz do casaco dela caiu.
—O que foi isso Charlie? Esse é o motivo pelo qual você está estranha? — Perguntava enquanto sentia seu coração bater mais forte, seu coração indicava que ela estava com medo, então Charlie virou o rosto, sem contestar baixei um pouco o ombro do casaco dela e então vi mais manchas iguais a do pescoço.
Nesse momento percebi que as lágrimas estavam tomando de conta de todo seu rosto, me sentia triste vendo ela chorar, me sentia inútil, um monstro imortal não conseguia salvar uma simples humana frágil.
— Quem fez isso? — Pergunto ainda segurando seus braços.
—Não importa! — Ela respondeu se afastando de mim e colocando o ombro do casaco no lugar. — Não importa mais! — Respondeu sem olhar para mim, sua voz estava trêmula, sua respiração estava alterada assim como seus batimentos cardíacos por conta do choro.
— Quem fez isso Charlie? Me fala por favor, me deixa te ajudar! — Falei colocando minha mão em seu ombro.
— Eu apenas cair da escada da minha casa, só isso! — Me respondeu tirando minha mão do ombro dela.
—Não acredito em você, não menti para mim por favor! — Tento olhar em seus olhos, mas ela desvia.
—Sou apenas um i****a desastrada! — Charlie fala tentando se afastar de mim.
—Mas nem tanto, isso é estranho, você está com medo de me falar? Não somos amigos? — Perguntei segurando em seus braços outra vez, mas ela se soltou das minhas mãos e continuo caminhando. —Charlie eu só quero o seu bem. — Falei por fim e então ela parou.
—Então me deixe em paz! — Depois de falar isso com raiva no tom de voz continuou caminhando e assim indo embora.
Charlie Carter estava em todo canto da minha cabeça e nos meus pensamentos, porém o único lugar que não estava era ao meu lado e isso de algum jeito me fazia ficar triste e preocupado.