♥️6

1326 Words
Lídia Narrando Depois da manhã frenética na casa do Sergio com a Joana, eu sai pra mais um dia de caça ao emprego. Cansada de tanto receber não entrei na igreja pra descansar e buscar resposta, pois agora o desespero bateu. Sentei na sacristia e falei com Deus. Senhor se eu não conseguir um emprego hoje, vou ter que morar na rua. Eu não quero morar na rua mas eu não tô conseguindo ver saída. Deus me ajude por favor! Fiquei sentada por horas ali até que uma sombra me assustou Iolanda: desculpe te assustei? Levei as mãos no peito Eu: sim estava distraída como a senhora vai? Iolanda: vou como Deus quer e você? Está mais magra desde a última vez que nos vimos. Sim eu estava bem mais magra já que eu passei os últimos dias comendo biscoito, frutas e bebendo água e café. Eu: Não tem sido dias fáceis. Iolanda: quer falar sobre isso? Meus olhos se encheram de lágrimas e eu não conseguia mais segurar, eu desabei ali nos braços de Iolanda e aos pés da imagem de Cristo. Iolanda: calma criança calma, só a morte não tem solução ok? Eu pensei que talvez a morte fosse mais branda do que a vida que eu estava levando naquele momento. Iolanda: me conte o que te atormenta Respirei fundo tentando me acalmar e me preparei pra me abrir enfim com alguém. Mas fui interrompida por um senhor que disse estar na hora de fechar a igreja. Ti emos que sair e na porta da igreja do outro lado, lá estava ele parado de braços cruzados. Me encarando com ódio no olhar e pela primeira vez eu senti medo dele, eu estava desamparada, fraca e com fome. Iolanda percebeu o clima entre nós e passou seu braco em meus ombros em sinal de apoio. Iolanda: amanhã eu te encontro aqui as dez da manhã, e acredite por todo carinho que eu tinha por sua mae, eu vou te ajudar. Abracei ela apertado e agradeci, sai dali e caminhei para o ponto de onibus. Sergio veio atras de mim com o carro e me mandou entrar no carro. Eu o ignorei como sempre faço mas diferente de todas as outras vezes, ele abriu a porta e em um movimento rápido me agarrou e me jogou no banco de trás. Ele não se importou com as pessoas olhando nem com o ponto cheio de gente, o motorista arrancou com o carro. Enquanto eu o estapeava,chutava e o xingava ele tentava se defender e né xingava de volta. Eu: tire suas mãos imundas de mim seu nojento, pervertido asqueroso...EU TE ODEIO ODEIO Sergio: pare já com isso macaca insolente, CALE A BOCA n***a MALDITA Ele segurou minhas mãos e tentava me prender na porta do carro, eu aproveitei a aproximação dele e o mordi com força. Ele urrou de dor e deu um soco em meu rosto fiquei tonta com o impacto e sentindo gosto de sangue na boca. Mas aquilo não me abateu pelo contrário me deu mais força, me deixou com mais ódio e com mais vontade de me livrar desse ser das trevas. Aproveitei um momento de distração baixei o vídeo e gritei a plenos pulmões por socorro. Eu: SOCORRO ELE QUER ME MATAR O SERGIO CORTES QUER ME MATAR Não demorou muito pro motorista fechar as janelas mas foi o suficiente pra deixar as pessoas curiosas. Vi algumas pessoas tirando fotos da placa do carro e uns homens até correndo atrás do carro mas o motorista acelerou. Um tempo depois chegamos em casa ele me agarrou pelo braço e me arrastou pra dentro. Me jogou no sofá e andava de um lado para o outro na sala, como um bicho enjaulado. Sergio: O que eu faço com você hein? Eu me mantive calada estava pensando no que fazer. Sergio: EU ESTOU FALANDO COM VOCE n***a, RESPONDE ANDA. O QUE EU FAÇO COM VOCE? Ele gritou demonstrando todo seu descontrole então pensei, essa não é hora de irrita-lo mais. Eu: deixe-me em paz Por mais que ele estivesse louco eu não sentia medo, eu estava com raiva e estava nervosa mas medo não..isso eu não sentia. Ele ria de nervoso Sergio: deixa-la em paz? Kkk isso nunca NUNCA OUVIU BEM? Ele me encarava tentando encontrar um ponto fraco mas o que ele não sabe é que eu não tenho mais nenhum. Perdi minha mãe perdi minha liberdade, perdi meu curso e até o direito de comer de forma saudável ele me tirou. Mas tudo isso está só me fortalecendo quanto mais ele me ameaça mais resistente eu fico. Ele avançou pra cima de mim e pensando nisso tudo que eu fui forte e me defendi. Usei as pernas pra chutar sua região frágil, quando ele se abaixou eu corri pro banheiro,já que a porta do meu quarto não tranca mais. Ele tentou correr atrás de mim mas fui mais rápida, ele ficou lá fora esmurrando a porta na tentativa de derrubá-la. Mas como ele sempre presou pela qualidade em tudo naquela casa a madeira da porta era boa. Ele passou a noite batendo na porta, vi o dia clarear ao som dos seus murros, já de manhã fez se um silêncio do lado de fora. Demorei um pouco para abrir pois ainda tinha receio de encontra-lo ali. E pra minha surpresa quando eu abri não só o encontrei, como também em encontrei Ana a governanta da casa como também Joana e o motorista. Ao lado dele no chão reconheci minhas malas estavam cheias, por um momento fiquei atordoada. O que ele estava armando agora? Sergio: Vejam vocês mesmos que ela passou a noite trancada no banheiro social, para não ir embora. Eu: o que? Joana: Eu não esperava isso de você Lídia, sua mãe te tratava com tanto zelo e amor... como voce pode? Eu: pude o que? Ana se mantinha o tempo todo de cabeça baixa ela sabia toda a verdade,afinal ela morava ali. Presenciou diversas vezes minha luta contra o monstro e viu todos os bilhetes e cadeados. O motorista é outro que sabe toda a verdade mas pelo seu olhar nenhum dos dois, irá comprar essa briga contra o todo poderoso. Sergio: Acabou Lídia todos aqui são testemunhas que eu tentei, tentei por Marta, por você que eu sempre criei como minha própria filha. Eu: Não diga o nome da minha mãe seu imundo. Joana: Mae essa que você não respeitou...como pode se oferecer para seu padrasto? Eu arregalei meus olhos, como ele teve a coragem de inverter os papéis? Eu: Foi isso que ele te contou? Rsrss Sergio Sergio você me enoja. Cuspi na sua face Eu: eu prefiro morrer a ter algo com um lixo como você, eu NUNCA NUNCA NUNCA vou permitir que você me toque,ouviu bem? NUNCA. Ele agarrou meus cabelos e saiu me arrastando porta a fora, aos gritos. Sergio: SAI DA MINHA CASA SUA n***a INSOLENTE, ATREVIDA, EU CRIEI UMA COBRA ESSE TEMPO TODO? SERPENTE VENENOSA, EU JAMAIS TRAIRIA A MEMORIA DE SUA MAE. Eu me debatia tentando me soltar eu gritava e chorava ao mesmo tempo. Eu: SEU MONSTRO NOJENTO, TODOS VAO SABER QUEM É VOCE, EU NUNCA SEREI SUA AMANTE, DESGRAÇADO VOCE VAI ARDER NO INFERNO. MALDITO,SUJO,SEU PORCO NOJENTO,ASQUEROSO EU TENHO NOJO DE VOCE. Ele me jogou na rua e o motorista trouxe minhas malas e colocou no chão na calçada. Entre dentes ele me disse. Bruce: eu sinto muito menina Lidia. Ana chorava enquanto fechava o portão lentamente. Ana: me perdoe senhorita Lídia eu não posso fazer nada. Sergio: ANDA ANA TRANQUE O PORTÃO AGORA. Ouvi o barulho do portão fechando peguei minhas malas, enchuguei meus olhos e comecei a caminhar. Eu não tinha pra onde ir, eu não tinha dinheiro e nem meu celular peguei. O caminho até o centro da cidade era longo. E eu não tive escolha a não ser ir andando. Deus oh meu Deus porque me abandonaste?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD