Em Busca

1242 Words
Abro os olhos lentamente e sou recebida pelos primeiros raios de sol que invadem o quarto do hostel. Ao meu lado, Anya começa a despertar também, esfregando os olhos com as costas das mãos. — Bom dia, dorminhoca! — digo com um sorriso, empurrando levemente o ombro de Anya. Ela sorri de volta, seus olhos ainda pesados de sono. — Bom dia, Luna. Pronta para enfrentar o dia? Assinto, sentindo-me animada com as possibilidades que o novo dia poderia trazer. — Mais do que nunca. Obrigada por me emprestar essas roupas, Anya. Elas são lindas! Anya pega uma mala que havia preparado antes e a abre, revelando um conjunto de roupas novas para mim, juntamente com alguns produtos de maquiagem, perfumes e itens de higiene pessoal. — Não tem o que agradecer, querida. Estou feliz em poder ajudar. Agora, vamos nos arrumar e sair para conquistar o mundo! Nos dedicamos a nos arrumar, trocando confidências e compartilhando risadas enquanto escolhemos nossas roupas e nos maquiamos. Durante o processo, decido compartilhar um pouco mais sobre minha história com Anya. — Sabe, Anya, eu vim para Dublin fugindo de uma situação difícil no Brasil. Me casei com um homem que não me tratava bem, e precisava sair daquela situação antes que fosse tarde demais. Anya me ouve atentamente, seu olhar transmitindo empatia e compreensão. — Sinto muito que tenha passado por isso, Luna. Mas fico feliz que tenha tido coragem de dar esse passo em direção à sua liberdade. Estou aqui para te apoiar no que precisar. Sorrio, sentindo-me grata por ter encontrado uma amiga tão solidária em um momento tão difícil de minha vida. — Obrigada, Anya. Significa muito para mim ter você aqui. Então, é a vez de Anya compartilhar um pouco mais sobre sua própria vida comigo. — Bem, eu cresci aqui na Irlanda, mas meus pais eram brasileiros. Infelizmente, eles faleceram quando eu era mais nova, e eu acabei me mudando para o Canadá para ficar com minha tia. Ela cuidou de mim como se eu fosse sua própria filha. Quanto a Lipe, ele é meu primo. Nossas mães eram irmãs, e ele sempre foi como um irmão mais velho para mim. Sorrio, sentindo-me grata por ter conhecido Anya e por termos nos encontrado em um momento tão importante de nossas vidas. Após nos arrumarmos e nos prepararmos para o dia, saímos do hostel determinadas a encontrar emprego. Percorremos as ruas de Dublin, visitando bares, lanchonetes e diversos estabelecimentos em busca de oportunidades de trabalho. No entanto, apesar de nossos esforços, não conseguimos encontrar nada. Em cada lugar que entrávamos, éramos recebidas com sorrisos amigáveis, mas logo ficava evidente que não havia vagas disponíveis. Algumas vezes, nos ofereciam para deixar nossos currículos, mas a perspectiva de uma resposta positiva parecia cada vez mais distante. Apesar da frustração inicial, não desistimos. Continuamos nossa busca incansável, conversando com gerentes, distribuindo currículos e mantendo a esperança de encontrar uma oportunidade que nos permitisse recomeçar em Dublin. À medida que o dia avançava e o sol começava a se pôr no horizonte, percebemos que nossos esforços não haviam sido em vão. Mesmo sem sucesso imediato, sabíamos que estávamos um passo mais perto de alcançar nossos objetivos. Ao retornarmos ao hostel, sentimos um misto de frustração e determinação. Apesar de não termos encontrado emprego naquele dia, estávamos determinadas a não deixar que isso nos desanimasse. Decidimos que merecíamos um momento de descontração após tantos esforços, então nos arrumamos para aproveitar a noite de Dublin. Vestimos nossas melhores roupas, caprichamos na maquiagem e nos perfumes, prontas para nos divertir e esquecer temporariamente as preocupações com o futuro. Decidimos que iríamos a uma boate famosa na cidade, onde poderíamos dançar, rir e nos divertir até altas horas. Ao chegarmos à boate, somos recebidas pelo pulsante ritmo da música e pelas luzes coloridas que iluminam a pista de dança. De imediato, somos envolvidas pelo clima festivo e pela energia contagiante do lugar. Dançamos até nossos pés doerem, rimos até nossas barrigas doerem e nos permitimos desfrutar da companhia uma da outra, celebrando a amizade que havíamos encontrado em meio às adversidades. Por algumas horas, esquecemos os problemas e as incertezas do amanhã, entregando-nos completamente ao momento presente. Era uma noite de risos, de dança, de amizade e de esperança. Uma noite que nos lembrava que, mesmo nos momentos mais difíceis, ainda havia espaço para alegria e para sonhos. Ao nos prepararmos para sair da boate, somos surpreendidas por um homem alto e de cabelos grisalhos que se aproxima de nós. Seu olhar é penetrante, e seu sorriso transmite confiança. — Boa noite, senhoritas. Meu nome é Sergei Volkov. Percebi vocês na pista de dança e gostaria de oferecer uma oportunidade interessante. Trabalho em uma agência de modelos e fiquei impressionado com a presença e o carisma de vocês. Aqui está meu cartão. Se estiverem interessadas, entrem em contato comigo. Ele nos entrega um cartão com o nome da agência e seus contatos, e seus olhos brilham com uma mistura de curiosidade e expectativa. Ficamos surpresas com o convite inesperado, mas também animadas com a possibilidade de uma nova oportunidade. Agradecemos a Sergei pelo gesto e prometemos considerar sua proposta. — Muito obrigada, Sergei. Vamos analisar com cuidado e entrar em contato em breve. — digo com um sorriso sincero. Ele assente com um aceno de cabeça, parecendo satisfeito com nossa resposta. — Fico no aguardo. Tenham uma ótima noite, senhoritas. Assim que Sergei se afasta, trocamos olhares cheios de surpresa e excitação. A ideia de ingressar no mundo da moda parece empolgante e cheia de possibilidades. — O que você acha, Luna? — pergunta Anya, segurando o cartão nas mãos. Eu sorrio, sentindo uma pontada de entusiasmo borbulhar dentro de mim. — Acho que vale a pena considerarmos essa oportunidade, Anya. Quem sabe o que o futuro nos reserva? Ao sairmos da boate e nos encontrarmos do lado de fora, uma sensação de excitação misturada com apreensão nos envolve. A noite havia sido repleta de surpresas e possibilidades, mas agora, diante da escuridão da rua, uma tensão sutil paira no ar. É então que vejo Sergei Volkov parado próximo a um carro estacionado, acompanhado por outro homem com tatuagens visíveis. Seus olhares se encontram com o meu, e por um momento, parece que o mundo ao nosso redor desaparece, deixando apenas nós dois em meio à noite silenciosa. O homem com as tatuagens me encara intensamente, e sinto um arrepio percorrer minha espinha. Há algo naquele olhar que me faz sentir desconfortável, como se ele pudesse ler meus pensamentos mais íntimos com apenas um olhar. Anya percebe minha expressão tensa e me chama, quebrando o transe momentâneo. — Luna, está tudo bem? — ela pergunta, preocupada. Sacudi a cabeça rapidamente, tentando afastar os pensamentos perturbadores que me assaltam. — Sim, está tudo bem. Vamos embora. Deixamos Sergei e seu acompanhante para trás, mas não consigo evitar a sensação de que algo está errado. Guardo o cartão de Sergei no bolso, prometendo a mim mesma analisar a proposta com mais calma em outro momento. Enquanto caminhamos de volta para o hostel, não consigo evitar a sensação de que estamos sendo observadas, como se o olhar penetrante do homem com as tatuagens ainda estivesse sobre nós, mesmo quando estamos longe. Mas por enquanto, escolho não deixar que isso me perturbe. A noite foi longa e cheia de emoções, e preciso descansar para enfrentar o que quer que o amanhã traga.
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