cap 04 eu vou fazer isso pelo meu pai

1542 Words
Naiara . . . Perlla: Tu tá ligada que eu sei das paradas aqui do morro! Sei a lei, vivo a lei, aliás, sou um dos pentes fixos do Nem. - Assenti. Naiara: Sei sim prima, mas não entendo onde quer chegar. Perlla: Olha Nai, eu juro que não quero por você nesse caminho, a escolha vai ser totalmente sua. Pausou. - Mas essa seria a única forma que tu conseguiria ajudar seu pai. Tu receberia uma grana boa, ia fortalecer muito! Naiara: Fala logo Perlla, tô curiosa. Perlla: Você poderia se entregar para um traficante. Meu coração acelerou quase saindo pela boca. Automaticamente, meus olhos se arregalaram e minhas mãos ficaram trêmulas. Nunca havia pensado nessa hipótese, nunca. Aliás, eu sempre julgava Perlla por se envolver com marginais, sabia que aquilo acabava como futuro de qualquer uma. Querendo ou não, a partir do momento que você se envolve com um bandido, você come do mesmo prato que ele, sofre e é julgada. Independente de você ser Somente a mulher e não ter nada a ver, sempre irão te julgar negativamente, sempre irá sobrar para você. Não tem lado bom, não tem prós e isso é o que me deixa mais preocupada. Naiara: Prima, eu não sirvo para isso. Você sabe bem.. - Gagueijei. - Isso acabaria com tudo. Com os meus sonhos, com minha reputação e com minha vida pessoal com Deus. Tu sabe 0 quanto zelo por isso, seria meu fim. Perlla: Acontece prima, que se você não fizer isso, não tem jeito de ajudar seu pai. O tratamento é caro, os remédios são caros. - Suspirou. - Pensa nisso, se mudar de idéia me chama. - Assenti, ela me deu um beijo na testa e foi embora. As palavras da minha prima caíram como peso sobre mim. Eu tentava considerar a idéia, nas hipóteses, tentava imaginar como seria. Mas eu não conseguia imaginar, aliás, só de pensar nisso já me dá um certo arrepio na espinha. E pelo papai, para salvar ele.. Essa frase ecoava na minha mente. E difícil para caramba saber que não vai existir mais futuro, não vai existir minha reputação e muito menos os respeitos das pessoas para comigo. Imagino os olhares a minha volta, os julgamentos, tudo. Mas era pelo meu pai, por sua melhora. Sei que tudo iria de m*l a pior, porém se for para salvar a vida do meu herói, eu faço qualquer coisa. Eu me humilho, me torno quem eu menos queria só para ver ele exalando vida. Sim. Eu, Naiara, vou mne entregar para um traficante. Vou sofrer, vou sentir na pele. Vou chorar, me sentir humilhada e pisada mas irei cumprir com minha palavra. Tudo para ver meu pai bem, ver a alegria surgindo em seu rosto novamente. Famlia é tudo nessa vida, é base, é apoio e eu não aceitaria que essa doença do papai destruísse o nosso laço. Não sou boba. Sei muito bem que se meu pai viesse a falecer, iria desestruturar tudo. Minha mãe iria entrar em uma depressão profunda e meu irmão iria se entregar para esse mundo do tráfico. Não quero ver minha família sofrer e não irei ver. Se for preciso que eu me entregue para um traficante para nada disso acontecer, assim irei fazer. ** Limpei as lágrimas que insistiam emn descer. Encarei meu celular, pensei duas, três, quatro vezes até ligar para Perlla. Engoli o choro e finalmente apertei em seu número. Perlla: Oi prima Naiara: 0i. Pensei em tudo o que me disse... Vou me entregar mesmo prima, queria que me ajudasse com isso tudo. Sabe que eu não levo o menor jeito para essas coisas, aliás, ninguém leva né! Perlla: Ah.. claro que eu te ajudo meu amor, saiba que estou muito orgulhosa de você, não por isso, porque sei que se fosse por vontade própria, não estaria nem fazendo... Mas sim pelo seu pai! Naiara: Uhum... Quando você pode vir me ajudar? Quero o quanto antes! Papai tem que começar o tratamento logo. Perlla: Amanhã to brotando aí. Naiara: Tá bom, beijo, te amo. Perla: Te amo. Desliguei a chamada e me joguei na cama. Não quis jantar, nem nada, estava sem fome. Não parava de pensar um minuto em tudo o que está acontecendo e em tudo que vou passar. Tento me acOstumar com a idėia mas simplesmente não dá. Em meio a pensamentos, acabei me deitando e peguei em um sono profundo. *** Acordei de manhã cedo. Perlla disse que apareceria aqui pela manhã. Tomei meu banho e vesti uma roupa confortável. Fui para a sala e beijei o rosto do meu irmão que tomava café. Naiara: Faz tempo que não te vejo irmão, á uns dois dias! Nem parece que moramos na mesa casa. Ruan: Faculdade Nana... Muito trabalho, muita prova, pressão de conseguir terminar os períodos..- Assenti. Ruan cursava administração em uma faculdade boa do Rio De Janeiro. Ele ganhou maior pontuação do Enem do ano passado. Era o orgulho da nossa família, o primeiro que conseguiu chegar na faculdade. Naiara: Ea Ingrid? Como ela está? - Perguntei e ele deu um sorriso bobo. Meu irmão estava apaixonado mesmo, essa menina fisgou ele de vez. Ruan: Está bem. Estamos muito bem... Sorri. Ouvi me gritarenm de lá de fora. Presumi ser Perlla e fui até lá correndo. Mas uma coisa que ela sabia fazer era gritar! Essa peste parecia que tinha um microfone na guela, Deus me livre. Naiara: Jjá pode parar de gritar! Tá achando que sou o que? Surda? - Ela beijou o meu rosto e riu. Perlla: Sem babado nenhum.. Revirei Os olhoS por conta da sua gíria. Chamei minha prima para ir até o meu quarto e tranquei a porta. Não podia correr risco de alguém saber que estou planejando tudo isso, tudo iria por água a baixo. Perlla: Tudo no esquema prima. Falei com o sub que é até um chegado meu, não tanto, mas é! Ele topou na boa. - Mordi os lábios. - Mas ele deixou bem claro que é só pente e rala, tá ligada?- Arregalei os olhos. Naiara: Com que cara vou olhar para o Perigo Perlla? Meu Deus! Ele sabe que eu sou filha do pastor, conhece tudo, já foi lá na igreja fiscalizar, me salvou daquela vez do homem que iria me assediar. Perlla: Perigo vê milhares de pessoas por dia! Duvido que ele lembre de você. Tu tem é sorte que eu não escolhi o Nem! Só porque ele é meu. - Balancei a cabeça negativarmente. Naiara: Prima..você sabe que é a minha primeira vez! Não sei como toca-lo, Como vou fazer... Como vou agir? Tenho medo... E se doer muito? - Perguntei nervOsa, ela segurou na minha mão a apertando firme. Perlla: More! Primeira vez dói para caralho para qualquer uma! Seja sendo com um bandido ou não. - Riu. - Seja natural cara! Se ele permitir beijar, beije, isso distraí a hora do vamo ver, deixando tudo mais envolvente e natural. Naiara: Não sei se consigo... Perlla: Claro que consegue! - Sorriu. -E eu trouxe um presentinho. - Balançou a sacola preta que estava em suas mãos. Ela me deu, abri aquela sacola dando de cara com um plástico transparente. Dentro dele parecia ter um tipo de roupa íntima, abri o mesmo, era uma lingerie vermelha, minúscula. Fio dental, meio transparente. Fiz uma careta. Naiara: Tá sabendo que não vou usar isso né? Perlla: Naiara, prima querida, você quer usar o que? Essas calcinhas cor de pele horrorosas? Pelo amor de Deus minha prima! Vamos evoluir. - Revirei OS olhos. Naiara: Chata! Para a minha tristeza e nervosismo, ainda recebi a notícia de que iria ter que me encontrar com o Perigo hoje. Eu já me tremia todinha, meus queixos batiam. A ansiedade estava aflorada em mim. Odiava essa idéia! Odiava esse plano. Acabei faltando aula pois Perlla pediu. Ela fez escova no meu cabelo, minhas unhas e ainda me obrigou a me depilar. Só sei que ela falava várias coisas comigo, mas eu estava tão avoada, tão longe dalí que não conseguia nem ouvir o que ela dizia. Nada faz sentido, sinto que perdi minha verdadeira essência, tudo que eu me orgulhava se foi, em um instante. Pus a lingerie vermelha, o macacão que ela havia comprado para mim e calcei uma rasteirinha de pedrinhas. Deixei meus cabelos lisos e negros solto, não passei nada no rosto, somente um pouco de rímel, nada mais. Perlla insistiu em passar mais coisas mas eu não deixei. Eu disse para mamãe que eu iria para uma célula na igreja de uma amiga e saí de casa com a Perlla. Ela me disse que a casa do Perigo era no alto do morro, bem longe da minha. Fomos andando. No caminho fui orando, falando com Deus, para acalmar meu coração quanto a isso, nem percebi quando chegamos em frente. Na mesma hora eu me tremi todinha. O arrependimento bateu e minha vontade era de dar meia volta e ir embora daquele lugar. Mas não é tão fácil assim. Existe obrigações e uma pessoa que depende de mim para viver, para melhorar. E eu faria isso pelo meu pai, somente por ele! Deus iria me ajudar, nada é por acaso. . .
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