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3071 Words
Ao ver Luke Costas entrar na livraria ao lado, Rachel largou o que estava fazen­do e correu para a porta da loja, gritando para Grace: —  E ele! Volto daqui a um minuto. Nós precisamos de um exemplar do jornal matutino, não é? —  Já o temos. O que precisamos mesmo é que você termine de arrumar a vitrine com os novos lançamen­tos da moda primavera-verão. Rachel voltou ao trabalho, os olhos fixos na rua. Dali a instantes, Luke tomava o caminho da padaria, a aten­ção voltada para uma cópia do Wall Street Journal. Tinha sido assim desde a noite em que haviam par­ticipado da reunião na Associação dos Comerciantes. Luke vinha conseguindo evitá-la há dias e m*l lhe di­rigia a palavra quando passava pela padaria todas as manhãs. Não restava dúvidas de que seu ex-cunhado preferia ser deixado só. —  Estou começando a desconfiar que Luke e Lauren já descobriram sobre meu plano — ela falou para a sócia, dando o trabalho na vitrina por encerrado. —  Ficou um vazio no lado esquerdo — Grace co­mentou, dando alguns retoques finais na distribuição das peças. — Acho que você está certa. Devemos con­tratar alguém para trabalhar meio período. Não esta­mos dando conta de tudo sozinhas. — Vou colocar um aviso na porta da loja ainda hoje. O movimento só tenderá a crescer com a entrada da primavera. Grace foi até a cozinha e voltou com duas latas de refrigerante. —  Então Lauren não retornou sua ligação? — ela in­dagou, sentando-se ao lado da amiga. —  Não. Nesta última semana, deixei recado todas as noites na secretária eletrônica. Talvez Lauren não quei­ra falar comigo. Ou então foi capturada por alienígenas e está proibida de fazer interurbanos. —  Desista, Rachel. Ninguém a nomeou responsável pela resolução dos problemas de vidas alheias. A conversa foi interrompida pela entrada de duas adolescentes. As garotas cochichavam e riam enquanto experimentavam dúzias de peças. No final, saíram de mãos vazias. —  Não estou interferindo na vida de estranhos — Rachel argumentou, retomando o assunto tão logo fica­ram a sós. — Trata-se de minha mãe e de meu pai. —  Todo relacionamento atravessa um período difícil de tempos em tempos. Não é o fim do mundo. —  Mas eles estão agindo de maneira tão estranha. —  E uma característica da sua família, não é? —  Não estou brincando, Grace. Você deveria ter visto minha mãe, quando a encontrei outro dia, no Mercado Central. Estava tão agitada. As mãos, os lábios, até mesmo os cílios, tremiam. Como se fosse um pássaro aprisionado, angustiado e incapaz de encontrar a saí­da. A única coisa que ela dizia era que tudo iria passar. —  Pois então? Qual é o problema? —  O problema é que minha mãe não me contou o que irá passar. Tampouco meu pai. —  Você o está seguindo também? —  Encontrei-o na praia, caminhando, sozinho. — Todos em Hurricane Beach sabiam que John Paul e Mary Anne costumavam caminhar juntos diariamente, no fi­nal da tarde. — Ele disse que eu deveria deixá-los resolver o problema. —  Escute seu pai, menina. —  È que... os dois nunca me isolaram antes. Suas irmãs, sim, porém jamais os pais. Grace aproximou-se de Rachel e a abraçou. — Talvez seja tudo para o melhor. Afinal, as relações muito antigas precisam ser arejadas. Imagine se você fosse obrigada a manter a boca fechada durante quinze minutos. Já seria difícil, não é? E se calar durante cinqüenta anos então? — Eu poderia fazê-lo. — Ra! Nem mesmo por cinqüenta segundos. Rachel fez cara f**a, sem no entanto contradizer Grace. Contudo não tinha a menor intenção de abandonar seus projetos. Na verdade, redobraria os esforços e encontraria uma maneira de se reaproximar do ex-cunhado. Numa de suas idas à padaria, conversando com Nikos, acabara descobrindo que todos na família Costas estavam preocupados com o fato de Luke quase não sair de casa desde que voltara para Hurricane Beach. —  Mas as mulheres já estão trabalhando para re­solver o problema — Nikos explicara. —  Como assim? —  Procurando uma esposa para meu sobrinho. A solução perfeita para a questão. E agora chega de erros. Desta vez será uma esposa grega. A descoberta de que o clã dos Costas estava se de­dicando a promover um casamento apenas investia seu plano de maior urgência. Precisava agir logo. Aurélia foi a única pessoa a ajudar Rachel de maneira concreta, dando-lhe, embora indiretamente, uma idéia de como se aproximar de Luke. A velha senhora contou que o sobrinho costumava desaparecer por umas duas horas durante as tardes. —  E eu sei aonde ele vai. Todos os dias. As três em ponto. —  Aonde? —  Para a praia. Correr. Luke calça um par de tênis, veste short e volta depois de duas horas, todo suado. Naquela mesma tarde, ao entrar na Rêve Rags, Rachel foi direto para a sala de estoque. —  Por acaso temos um par de tênis sobrando? — indagou a Grace. —  Um par de tênis? Pensei que você fosse alérgica a exercícios. —  Querida, com certeza não estou ficando mais jo­vem. Você não acha que já é hora de me pôr em forma? John Paul McCallister fitava o rosto da esposa enquanto ouvia Palmer Boyce, de Atlanta, descrever o projeto de desenvolvimento que sua construtora pretendia im­plantar em Hurricane Beach. Antes mesmo que a ex­posição dos planos estivesse terminada, sabia como Mary Anne iria reagir. Resultado de quase cinqüenta anos de i********e. Co­nhecia cada gesto da esposa e sabia como interpretá-lo. Então, por que não temos trocado uma palavra civilizada nestas últimas semanas?, ele se perguntou irritado. Palmer Boyce sorria satisfeito agora, com a segu­rança de alguém que conhece o poder do dinheiro. E com a quantia que acabara de oferecer ao casal, as chances de que algo desse errado eram mínimas. — Alguma pergunta, ou dúvida? Mary Anne parecia impressionada. John Paul tinha várias perguntas que gostaria de fazer, porém não estava com o humor necessário para discutir o assunto no momento. Assim, ficou de pé, dando a conversa por encerrada. — Não por enquanto. Mas obrigado por ter nos pro­curado. Entraremos em contato, se precisarmos de in­formações extras. Em questão de segundos Palmer Boyce foi dispensado. —  Sinto-me aliviada que você tenha se livrado dele — Mary Anne falou, tão logo ficaram a sós. — Que proposta absurda. —  Sob certo ponto de vista, sim. Por outro lado, talvez seja uma idéia que valha a pena ser levada em consideração. —  Vender Paraíso do Mar para que aqueles abutres possam construir condomínios, hotéis e campos de gol­fe? Não posso pensar em algo pior. —  Talvez seja hora de Hurricane Beach experimen­tar um pequeno crescimento. Um pouco de prosperi­dade — John Paul contrapôs. —  Hurricane Beach tem toda a prosperidade de que necessita. E nós também. — Mary Anne estava simples­mente furiosa. — Você não pode estar falando sério. John Paul sabia, claro, que a grande maioria das pes­soas que morava, trabalhava e possuía casas em Hur­ricane Beach concordaria com sua esposa. As leis de zoneamento tinham sido cuidadosamente elaboradas anos atrás para proteger esse pequeno oásis do cres­cimento desenfreado, e em geral predatório, que asso­lava a costa da Flórida. Quase toda a população local, mesmo os micro-empresários como sua filha, possuíam excelente padrão de vida e desfrutavam de uma exis­tência tranqüila. Porém não eram as visões de belos campos de golfe o que atraía John Paul. Tampouco a quantia generosa que Palmer Boyce mencionara. —  Estou falando sério. Do ponto de vista de pai. —  Que história é essa? — Mary Anne voltou a sentar-se, confusa e irritada. — Bem, você continua se queixando do fato de nossas meninas não serem próximas. Enquanto eu ouvia o tal do Boyce falar, acabou me ocorrendo que lhes deixar de herança uma propriedade valiosa poderia contribuir ainda mais para que a distância entre elas se tornasse maior. —  Paraíso do Mar lhes pertence por direito. Você sabe disso. Não poderíamos simplesmente vender a herança que caberá às nossas filhas. —  Suponha que uma delas queira vender? Suponha que não consigam chegar a um acordo sobre o que fazer com a propriedade? É possível o desentendimento seja tamanho, que nunca mais voltem nem sequer a se falar. Mary Anne ficou em silêncio, considerando os argumen­tos expostos pelo marido. —  Pense nisso, minha querida. Fim das disputas. Fim dos ciúmes. Mais nenhuma razão para animosidades. —  E mais nenhum motivo para que se encontrem — Mary Anne explodiu. — Não posso acreditar que você está sugerindo uma coisa dessas. Sinto como se... como se... não o conhecesse mais! Lá pelo meio da tarde, quando não havia muito o que fazer na padaria, Luke gostava de se ausentar. Em geral, antes de iniciar a corrida, passava pelo cais. O movi­mento dos barcos pesqueiros sempre o atraíra e era agra­dável observar os primos e sobrinhos se entregarem a uma atividade que fora o ganha-pão dos Costas durante várias gerações. Somente depois de os barcos sumirem no horizonte é que começava a se exercitar. O trecho de praia, longo e deserto, onde costumava correr era um convite à paz de espírito. Após o primeiro quilômetro já não pensava em nada. A única coisa que importava era sentir o vento no rosto, ouvir o barulho das ondas e o ruído abafado das próprias passadas. Mas, de repente, algo a distância lhe chamou a aten­ção. Uma figura feminina, de pernas esguias e alvas. Porém foram os cabelos louro-avermelhados, presos num r**o-de-cavalo, o que confirmou suas suspeitas. Rachel. Aquele breve instante de reconhecimento trouxe-lhe de volta uma lembrança quase esquecida. No seu último ano de- mestrado, na universidade de Miami, recordava-se de haver passado, certa manhã, diante da biblioteca do campus. Então a vira sentada numa cadeira, mordiscando a ponta do lápis, lendo atentamente alguns papéis. Por um segundo pensara se tratar de Rachel McCallister e seu coração pulara de alegria. Aproximara-se sorrindo apenas para descobrir que não era Rachel e sim Lauren, a irmã mais jovem. Fora assim que tudo começara. Esforçando-se para ignorar a lembrança, Luke decidiu que o melhor seria terminar a corrida mais cedo. En­tretanto não pôde fazer nada porque Rachel já o tinha visto e agora acenava, pedindo-lhe que a esperasse. — Oi. Importa-se se eu me juntar a você? Era obrigado a admitir que parte de si a queria por perto e Rachel, por sua vez, já iniciara um de seus in­termináveis monólogos, convencida de que não seria rejeitada. — E então decidi que já era hora de entrar em forma — ela estava dizendo. Para Luke, não havia como melhorar a perfeição. — Quantos quilômetros você costuma correr? — Uns seis ou sete. — Nunca conseguirei acompanhá-lo, se continuar mantendo esse ritmo. Luke desacelerou as passadas, querendo mostrar-se agradável e simpático. O problema era que Rachel havia se transformado numa fonte de frustração. Pensava nela demais, e de maneira que um homem não deveria pensar numa mulher que fazia parte da família. Bem... que costumava ser parte da família. Para qualquer homem normal, essa situação representava um sério problema porque sabe-se que uma ex-cunhada está fora dos limites impostos pelo bom senso. Entre os dois deveria existir apenas amizade. —  Você vem correr todas as tardes? —  Não, eu, ah... — Mentir lhe deixava um gosto amargo na boca, mas sabia que não podia correr o risco de que aqueles encontros casuais se tornassem freqüentes. — E quanto a loja? Você não deveria estar trabalhando? —  Bem, de fato eu deveria estar tirando xerox de alguns documentos, porém Wayne só abrirá a gráfica daqui a uns cinqüenta minutos. Portanto, estou fazen­do hora. Ele concordou com um aceno. Como poderia ser gen­til e desencorajá-la ao mesmo tempo? —  As coisas estão se ajeitando para você? —  Sim, claro. — Mais uma pequena mentira. — Ou talvez não. —  Sua família o está enlouquecendo? —  Como você adivinhou? — Luke perguntou sorrindo, determinado a manter um clima leve. —  Basta ver como você cerra os lábios sempre que thea Aurélia o manda sovar aquela massa uma vez mais. Os dois riram com vontade e Luke cometeu o erro de fitá-la nos olhos. Oh, Deus, ela era linda. A verdadeira imagem da perfeição. Como um homem podia vê-la sem desejá-la? —  Você tem que aprender a se fazer de pato. —  A me fazer de pato? — ele indagou sem nada entender. —  Já observou um pato mergulhando e a maneira como volta à superfície? O modo como a água escorre nas costas do bichinho? É assim que deve ser. Preci­samos deixar que as críticas e as coisas negativas pas­sem por nós sem nos atingir fundo. Luke pensou em Kieran. — Fácil dizer. Vários minutos se passaram sem que nenhum dos dois dissesse nada. — Ouça, não posso manter a conversa sozinha — Rachel reclamou ofegante. — Não há nada errado com o silêncio. Aparentemente não era essa a opinião feminina. — Você nunca foi muito falante. Mesmo na escola, anos e anos atrás. Surpreendia-o que Rachel se lembrasse dele. —  O mesmo se aplica a você. —  É verdade. Eu ficava muda perto dos outros. E estranho que se lembre disso. Por um instante Luke pensou em confessar que fora ela o alvo de sua paixão adolescente. Mas acabou calando-se, certo de que estaria penetrando num terreno perigoso. Assim, procurou desconversar. —  Já se passaram vinte anos desde então. E difícil acreditar. —  Não para mim. Você não se sente como se tudo houvesse acontecido com outra pessoa? Numa outra vida? Como se aqueles fossem os anos em que está­vamos num casulo, emparedados, guardados pela es­curidão? A única coisa que aliviava a sensação de as­fixia eram minhas duas maravilhosas irmãs. Elas com­pensavam todo o resto. —  O resto de quê? Sempre tive a impressão de que as garotas McCallister possuíam tudo. Vocês eram ricas, bonitas e inteligentes. Que mais poderiam desejar? Rachel o fitou como se, de repente, ele houvesse co­meçado a falar em grego. —  Você vivia na mesma Hurricane Beach que eu? —  Na realidade, não. Meus pais eram imigrantes, pobres e sempre precisaram trabalhar duro. —  Mas sua família é tão unida. Como as coisas po­deriam ir m*l, se sua família é unida? —  As coisas poderiam ir m*l facilmente. Que tal uma família que é tão unida a ponto de se achar no direito de escolher as namoradas dos filhos? Uma fa­mília tão unida, que você não apenas tem que viver sob o mesmo teto, mas trabalhar no mesmo negócio? Uma família tão unida que o impede de comer o que os outros comem? Quando eu era garoto, enquanto meus amigos se fartavam de hambúrguer e pizza, nós tínhamos gyros e souvlaki. —  Oh. A expressão assustada de Rachel o fez querer suavizar a imagem que havia criado. — No mais, não era assim tão m*l. Os dois riram, a tensão se desfazendo como por encanto. —  O que você acabou de me dizer não era nada comparado aos meus traumas de infância. Como ser mais alta do que meus colegas de classe e usar aparelho nos dentes. —  Não me lembro de vê-la usando aparelho. —  Viu? Eu sabia que você não se lembrava de mim. Com certeza, devia estar pensando em Maggie. Afinal, ela sempre foi linda. Ou em Lauren. Diga-me, você sempre sentiu algo especial em relação a Lauren? Aposto que sim. —  Não. — Luke se esforçou para não soar rude. —  Por acaso eu lhe contei sobre a casa de Lauren em Danfield, Connecticut? Luke deixou-a falar à vontade, sem se importar em prestar atenção ao significado das palavras. Surpreso, percebeu que não importava o que Rachel dissesse. O prazer de ouvir o som daquela voz era suficiente. Quando terminaram a corrida, ele estava convencido de que não a havia encorajado. Mas, aparentemente, encorajamento era um detalhe desnecessário. Rachel tor­nou a aparecer na praia no dia seguinte, e no próximo, sendo que agora se fazia acompanhar de um cachorro peludo, que atendia pelo nome de Sam. — Por que não existe um homem na sua vida? — ele indagou certo dia. — Oh. — A pergunta pareceu surpreendê-la, como se nunca houvesse lhe ocorrido pensar no assunto. — Bem. Não sei. Suponho que talvez porque Hurricane Beach seja uma cidade pequena e a maioria dos ho­mens da minha idade já estejam casados. — Então, por que não vai embora daqui? — Partir? Hurricane Beach é meu lar. Tenho famí­lia. Mamãe, papai e Grace. Ela é praticamente da fa­mília agora. De fato, toda a cidade parece uma grande família. Você não sente isso no ar? — A última coisa que de que preciso é de uma família mais numerosa. — Então é por isso que você partiu? Para se afastar de sua família? — Em parte, sim. — E Lauren? É por isso que Lauren partiu? — Eu, sinceramente, não sei por que Lauren foi embora de Hurricane Beach. Luke sabia o que se passava no coração de Rachel. Bas­tava observar a expressão triste do rosto delicado para perceber que as duas irmãs não haviam mantido a relação especial que partilharam no passado, quando ainda eram meninas. Quando conhecera a ex-esposa, ela já era uma pessoa difícil de entender. Mas ele tam­bém não era de fácil convivência. Sempre fechado em si mesmo, sempre evitando a verdadeira i********e. Quem poderia agüentar manter um casamento com um homem assim? — Creio que não sou muito bom nessa história de i********e. Nem naquela época nem agora. — Leva tempo. As pessoas mudam. Aposto que ficará surpreso ao descobrir quanto Lauren mudou assim que a vir no Festival de Primavera. — Lauren pretende voltar à cidade? — Bem, ainda não acertamos todos os detalhes, mas estou convencida de que ela virá. Sabe, seria simpático se vocês dois jantassem juntos uma noite. Uma ma­neira de deixar claro que não existe rancor, ou mágoas reprimidas. Que tal a idéia? Ele teve vontade de dizer que não ficara nenhum rancor porque havia anos sentia apenas indiferença pela ex-mulher. Seja lá o que fosse que, no início, os houvera atraído um para o outro, o sentimento morrera rapidamente. Queria confessar aquilo tudo para Rachel, porém aca­bou se calando. Seria mais seguro se ela pensasse que havia uma chance de a irmã mais jovem refazer o casamento. Talvez, então, Rachel não percebesse quanto o afetava. E talvez ele acabasse acreditando que aqueles sentimen­tos novos em seu peito eram apenas fruto da imaginação.    
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