Capítulo — Inferno particular. " Cada um vive o seu inferno particular, porque muitas das vezes não tem ninguém para contar de suas dores." Lúcia Confesso que fiquei branca durante o jantar, com os olhares pairando não apenas sobre a mesa, mas também sobre mim, como se eu fosse mais um prato servido naquela noite. Em determinado momento, senti-me sufocada, pressionada, comprimida por uma tensão invisível que parecia encolher o espaço ao meu redor até que o ar se esvaísse dos meus pulmões. Os pais dele falavam pouco, mas observavam muito. Havia algo na forma como me encaravam que me dava a impressão de que liam nas entrelinhas coisas sobre mim que eu sequer havia aberto a boca para mencionar. Como se já soubessem que eu não pertencia ali. Como se percebessem a mentira antes mesmo de ela

