Capítulo — Confinamento " Não sorria para o perigo, ele quer te devorar" Lúcia O silêncio deste lugar não é calmo; ele é pesado, gélido e parece amplificar cada batida desordenada do meu coração. Não sei onde estou. Não sei que cidade é essa, que país é esse, nem quantos quilômetros me separam do meu país. Só sei que cruzo uma fronteira física e moral da qual não sei se existe volta. Olho para a cama de casal imensa, com mantas de lã que prometem um calor que eu me recuso a compartilhar. O ventilador empoeirado da sala de interrogatório em Uiramutã não fazia um vento frio, mas o gelo que sinto agora vem de dentro, da certeza de que estou completamente à mercê. Marcelo está parado perto da janela, observando a escuridão lá fora como se fosse o dono de cada centímetro de terra. Eu n

