NARRADO POR CAÇADOR (RENAN) Eu a prendi contra a madeira daquela porta com mais força do que deveria, sentindo o tremor visceral que vinha do corpo dela, uma vibração que atravessava a minha pele e chegava direto no meu juízo. O quartinho de prataria era apertado, sufocante; o ar estava parado, carregado com o cheiro de metal e o perfume doce dela que parecia impregnar as paredes. O som da respiração da Samira, curta e entrecortada, era a única coisa que eu conseguia ouvir acima do meu próprio sangue pulsando com violência na têmpora. — O que tu quer com isso, Renan? — ela perguntou, a voz saindo cortante como uma lâmina, os olhos castanhos me fuzilando naquela penumbra maldita. — Tu acha que eu vou ficar quieta? Eu não vou esconder do meu marido que você veio atrás dele por vingança. Eu

