O sangue começou a encharcar a manga da minha camisa branca de linho, um vermelho vivo que escorria pelos meus dedos e pingava no asfalto quente, criando pequenas poças. Mas eu não ia parar. A adrenalina tava me mantendo de pé, transformando a dor lancinante em combustível pra matança. Foi quando eu vi: um dos motoqueiros que tinha caído tava se levantando entre os carros parados, cambaleando, e indo direto pro lado do carona, onde a Samira tava. O verme tava com uma peça na mão, e o olhar dele era de quem ia levar a minha mulher como prêmio de consolação. A visão daquele cara chegando perto da porta dela me transformou num bicho selvagem. Esqueci do braço baleado, esqueci do sniper, esqueci da dor. Peguei impulso com a perna direita e me atirei pra cima dele como um animal que protege a

