Capitulo 76

1363 Words

A Juju abriu a porta num solavanco, tremendo tanto que a chave quase caiu. Entrei naquele santuário de luxo obsceno que o Augusto construiu uma gaiola de ouro feita para aprisionar a Samira sob o pretexto de protegê-la. Depositei ela na cama de lençóis de mil fios com uma delicadeza que eu nem sabia que habitava nessas mãos que só conhecem o peso do gatilho e o frio do metal. Tirei as botas dela com cuidado e as joguei pro lado, vendo como ela parecia pequena e frágil no meio daquela imensidão de lençol caro e colcha de seda. Fiquei ali parado por um instante, o peito subindo e descendo, olhando para ela. O ódio pelo Douglas estava me consumindo, uma brasa queimando meu estômago, mas a vontade de ficar ali, guardando aquele sono forçado dela, estava me vencendo. Eu era o monstro que ela

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